sábado, 31 de janeiro de 2004

a longa viagem para oriente












Com vida ainda nos olhos
vigio os navios de luz [as estrelas?], distantes e amarrados,
no porto celeste.
Tal como na infância olho-os agora.
São eternos,
seus faróis tremem na escuridão. São o feliz engano
do mundo que não foi.
E ali, disseram-me e eu nunca acreditei,
habita Deus.

a última costa, francisco brines.
trad. josé bento
assírio & alvim, 1997.

componho o capote molhado e desço para a barcaça. a luz temerosa da tocha é a mais pequena estrela desta noite. os remos na água marcam o ritmo da marcha para o cárcere. aquele vulto enorme que me espera na outra margem sabe ao que vou. espero no oriente o silêncio. enfim, o silêncio.

Sem comentários: