sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

arts












nunca serei o náufrago
que não resgatas do porto.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

oblíquo infinito















o desamor com o medo
a verdade com o desejo
o tempo com a virtude
não confundas o amor com a noite
que é um caminho para rasgar

o que tens pela frente
diante de cada noite
é um dia inteiro para erguer
na gratidão e na procura
o que se estende a partir
daquele abraço

sarah adamopoulos
(colaboração para um mundo imaginado)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

vinte












tenho em caixas separadas
vinte prendas que me deste

guardo o meu tesouro
de vidro o pó saboreado
ao contrário de sisífo
cada pedaço
a cada momento

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

robert frank no macba*












cinquenta anos depois robert aparece num filme com a expressão que fotografou em londres em 1951. naquele dia não sabia que fazia um auto-retrato. foi nesse ano que nasceu pablo, o filho, e começaram a desaparecer os amigos e os lugares. robert escreveria depois, a sangue, "sick of goodbies". e não mais disse a palavra sarnosa. alimenta-se da criatividade obsessiva da companheira que todos os dias o surpreende. talvez sejam os gritos dela que o guiam na sua cegueira. depois das fotografias. depois dos filmes.

arguments, robert frank;
9 de fevereiro a 8 de maio
museu de arte contemporânea de barcelona
(depois da tate de londres).

sábado, 19 de fevereiro de 2005

erato















she forgets. she tries to forget. for the moment. for the duration of these moments.

dictee, theresa hak kyung cha.
university of california press, 2001.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

theresa hak kyung cha












She waits inside the pause. Inside her. Now. This very moment. Now. She takes rapidly the air, in gulfs, in preparation for the distances to come. The pause ends.

o sonho da audiência, fundació antoni tàpies. barcelona.

volto já...

nouvelle vague (aquelas noites)























esta noite é terça-feira por causa dele. estou no princípio dos anos 80 (eu cheguei tarde para tanta coisa!) e vejo o segundo e último canal. a homilia das terças-feiras. no meu quarto-república ora estou sózinho ora rodeado de uma multidão que abandona a sé velha em procissão. naquela altura a américa era muito mais do outro lado

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

devendra












era assim que eu queria as palavras agora. a cobrirem todos os pedaços de papel precioso. como se faz nas prisões. as mortalhas são tesouros e sobram sempre palavras. mas sabes, são dias maus estes. lá fora a rua está cheia de ruído e parece que ninguém ouve devendra banhart. ninguém repara em coisas tão simples como besouros.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

namoro












na dança das palavras, nas músicas sujeitas, predicadas e dedicadas. cada vez que tocar-te é tão memória. cada vez que um cheiro é quase teu. cada vez que te encontro e te perco nas ruas de cesariny.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2005

i melt with you*












moving forward using all my breath
making love to you was never second best
i saw the world thrashing all around your face
never really knowing it was always mesh and lace

i’ll stop the world and melt with you
you’ve seen the difference and it’s getting better all the time
there’s nothing you and I won’t do
i’ll stop the world and melt with you

dream of better lives the kind which never hate
dropped in the state of imaginary grace
i made a pilgrimage to save this humans race
yes I did
what I’m comprehending a race that long gone bye

i’ll stop the world and melt with you
you’ve seen the difference and it’s getting better all the time
there’s nothing you and I won’t do
i’ll stop the world and melt with you

the future’s open wide
i’ll stop the world and melt with you
you’ve seen the difference and it’s getting better all the time
there’s nothing you and I won’t do
i’ll stop the world and melt with you, yeah
i’ll stop the world and melt with you
i’ll stop the world and melt with you, yeah, yeah

_________________________________
*modern english por nouvelle vague

active passive













aquele de mim que quer outro mundo deu um passo em frente. o outro de mim tinha resmungado mas acompanha-o agora radiante. e não é assim com tantas coisas na vida?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

MMM












acreditei no velho sábio no cimo da montanha. percebi depois que era feminina a silhueta que se virou. procuro hoje a felicidade na forma de um casal de crianças que brincam no cimo de um farol, no fio que une duas pessoas, no seio de uma mulher ou no coração amado que bate na mão que acenou ao inimigo no bingo crépuscule. está tudo no filme de jean-pierre jeunet. americano demais para ser francês em cannes. é preciso esquecer amélie e jeunet para ver este filme como ele merece. e não é assim com tantas coisas na vida?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

evidência e glamour na literatura e na arte contemporânea ou vice-versa












ela sabe que eu sou um dilettante e tenta surpreender-me trazendo debaixo do braço adorno, kant ou benjamin em vez da vogue. são essas as evidências que procuro e que docemente me enganarão. desde as primeiras linhas de kundera que assumi que não posso dispensar a dose diária recomendada do meu próprio kitsch.

(da leitura cruzada da crónica de onésimo teotónio almeida no último número da revista ler do círculo de leitores com o terceiro livro da colecção de arte contemporânea público/serralves editado com o glamour de isabel carlos)