terça-feira, 24 de maio de 2005

le marathon des mots












Chaque printemps, désormais, sera fait à Toulouse d'émotions et de surprises. Cette grande capitale des mots n'a pas fini de nous étonner.
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du 26 au 29 mai 2005.

quinta-feira, 19 de maio de 2005

bibliofilia












a cavalo de ferro editou este mês "biblioteca" o livro com que zoran zivkovic ganhou o world fantasy award de 2003. facto extraordinário para um não anglófono, partilhado apenas com borges, calvino e süskind. "biblioteca" é um conjunto de seis contos fantásticos sobre escritores que descobrem sites com os livros que irão publicar (biblioteca virtual), o homem que vê nascer na sua caixa de correio a literatura universal completa (biblioteca particular), o leitor que visita um arquivo dos diários de todas as pessoas que já viveram (biblioteca noturna), e mais sobre o inferno (biblioteca infernal), o livro que tem em si todos os outros (biblioteca mínima) e ainda a história de um livro de bolso no meio de encadernações de luxo (biblioteca requintada). zivkovic lembra outros escritores que fantasiam sobre gostar de livros e agrada aos leitores que sabem que uma biblioteca é um lugar mágico. um livro de culto a fazer jus ao mote da editora que usa o poema "no thanks" de e. e. cummings como regra de estilo.

terça-feira, 17 de maio de 2005

natureza morta












eu era esse braço estendido numa prova de contacto e ela mostrava-me os olhos, quase completamente brancos, de um modo que não sabia nunca se era ela o espanto ou se esperava ao meu lado a surpresa assídua e pontual do fim das tardes. ouvíamos o mesmo vinil de peter frampton durante horas e os dias novos apanhavam-me sempre com o braço estendido ainda.

e nada, nem mesmo a chuva, tinha mãos tão pequenas.

segunda-feira, 16 de maio de 2005

o último namur












La rose
Et le promeneur fatigué sont là
Qui écoutent le merle
Et les solitudes noires du pré.
L'un et l'autre sont assis
Au bord de l'herbe, au bord de la pensée,
Tout au bord du vide.
L'un et l'autre,
Comme autant de cristaux et de cendres
Qui se souviendraient encore de l'étoile jaune.
L'un et l'autre regardent le monde
Et cette douleur
Cachée dans la bouche des hommes.
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Les ennuagements du coeur, Yves Namur.
Ed. Lettres Vives, 2004.

sexta-feira, 13 de maio de 2005

us












They made a statue of us,
and put it on a mountain top.
Now tourists come and stare at us,
blow bubbles with their gum,
take photographs have fun,
have fun.

They'll name a city after us,
and later say it's all our fault.
Then they'll give us a talkin' to,
then they'll give us a talkin' to,
'cuz they've got years of experience.

We're living in a den of theives,
rummaging for answers in the pages.
We're living in a den of theives,
and it's contagious, and it's contagious,
and it's contagious, and it's contagious.

We wear our scarves just like a knoose,
but not 'cuz we want eternal sleep.
And though our parts are slightly used,
new ones are slave labor you can keep.
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soviet kitsh, regina spektor.

segunda-feira, 9 de maio de 2005

agenda












andreas scholl, o maior contratenor de todos os tempos, vem finalmente a portugal. depois de anunciado para o porto 2001 e cancelado, apresenta-se na casa da música no porto a 28 deste mês. definitivamente a não perder.

domingo, 8 de maio de 2005

queima












sete da manhã
o calendário a arder

no meio do nevoeiro,
até a velha torre
lembra um abraço.

terça-feira, 3 de maio de 2005

rêve















passaram vários anos sem conseguir lembrar-me dos sonhos, o que por si só é revelador. tudo tem um significado quando se tenta interpretar o sonho. por essas noites dormia agitado, evitava a companhia, farto das queixas na manhã seguinte. conheci depois mireille. lembro-me perfeitamente de nos apresentarem e do manto branco de alheamento que se seguiu a revelar-me que vinha de limoges. não recordo nada do que me disse depois. mergulhei numa sala sem mobília, tranquila e branca, onde apenas se podiam ver labirintos de peças de porcelana pelo chão. sonhei desde esse dia com mireille ou a sua sala e as minhas noites foram bailados delicados na última curva de um gomil.

segunda-feira, 2 de maio de 2005

türkiye cumhuriyeti












eu queria levantar-me às cinco e meia da manhã e ouvir o primeiro chamamento. pedia para acordar num filme de nuri bilge ceylan com argumento duras. parar o dia na hora amarela. acima de tudo, parar o dia na hora amarela. a marguerite que se danasse mais o seu autoritarismo guionista.

domingo, 1 de maio de 2005

submissão






















eu vi o neto de van gogh
no chá de maçã e no simit
vi o borges do avatar
e repeti de sting
o teu verso preferido
if you love somebody, set them free