terça-feira, 29 de novembro de 2005

agenda


Exposição de fotografia "Invólucro"
Trabalhos realizados no Curso de Fotografia Criativa
orientado por Javier Diaz.

Da realidade escondida à realidade construída, passando pelas incertezas da percepção e das coisas e dos seus significados, os autores focalizaram a sua atenção em diferentes abordagens sobre o tema "o invisível no visível".

Inauguração no Sábado, dia 3 de Dezembro.
19 horas no Quebra Club no Parque Verde do Mondego;
23 horas no Quebra-Costas à Sé Velha, Coimbra.

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

1000 asas


se olhares bem para mim
sou hoje um edifício em obras
com uma fotografia na fachada
para distrair do barulho das obras

(quase um ano sem sontag)

terça-feira, 22 de novembro de 2005

schiele outra vez


no mesmo outono volto a schiele, talvez porque "os corpos têm a sua própria luz que gastam na vida: ardem, não são iluminados." era ele que assim dizia quando falava dos seus quadros. "a imagem deve dar luz por ela própria". esta citação abre o fantástico livro de vasco gato: a prisão e paixão de egon schiele (&etc, 2005). deixo aqui o "Laboratório":


E o amor? Fala-me do amor. Não percebo, não percebo o que cabe em seis letras, o que cabe em quatro. E se isso possui a sua vertigem mortal, é belo como as grandes falésias escarpadas. Se eu me lançar. Se eu beijar em plena queda. Se eu ludibriar o voo dos anjos cegos e subitamente apresentar a levitação como um talento desesperado. Se eu devorar o meu próprio grito e os seus mil ecos e ficar apenas balbuciando diante do deserto.

Mas não me falaste do amor. Dois músculos obedecendo a dois nervos. A forma como dois amputados caminham abraçados. Não, espera, não o digas assim. Não há assim, há a imagem e o sangue da imagem e a vida enfeitiçada da imagem subindo pelos braços como uma serpente. Claro que a cabeça estoura. Não há outra forma de o dizer.

Exemplos:
dezembro é uma piscina turva;
a noite são quatro mulheres de cabelos soldados;
o mérito é um veneno e a culpa é um veneno e o consentimento é um veneno.

Ou ainda:
é o meu quarto e nele perderás as mãos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

weekend


friday
restate my assumptions
the writer writes for himself
not for you

saturday
restate my assumptions
a song is not a song
until it's listened to

__________________________________
divine comedy
note to self - regeneration, 2001.

tradução:
sexta-feira é assim, amanhã é no coliseu do porto para ouver sigur rós.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

tpc: a poesia



"a poesia salva-nos dos sonhos maus"

diogo francisco, 9 anos.
escola 39, coimbra.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

s/ título


(s/ título - vitor pomar, 1983)

se eu escrevesse contra a memória, pina
não escrevia amsterdão, silêncio, bimhuis

se eu parasse, de repente, de encontrar as letras sarnosas, cam
esgrimia no ar um grito, demente e bêbedo, e parava de abrir rimbaud

se eu caísse numa página tão branca, walser
sangraria quente e espalharia com os dedos
todos os nomes que me erguem neste inferno

domingo, 6 de novembro de 2005

ppr: letras maiores




abusei das palavras escritas na sombra sobre minúsculas mortalhas de cigarros. resta-me agora ler as letras maiores e esse é o primeiro critério nos dias que correm. espero assim com ansiedade cada novo volume da colecção 'outras histórias' da teorema. em outubro chegou mais um sebald e como não sei quando chegará o próximo leio mais devagar, como aliás ele merece. demorei-me longamente num jantar com uma entrada de espargos verdes, folhas jovens de espinafres marinadas, brocolos em manteiga e batatas novas cozidas em água aromatizada com menta. mais tempo ainda por entre uma horta selvagem duma casa que lembra uma outra na charente com uma fachada copiada de versailles. num gesto que não me recordo de fazer com outros livros corro a procurar a assinatura do senhor das últimas páginas. desta vez não veio. passo então algum tempo nas montanhas. coloco no leitor de cd's o 'alina' de arvo pärt. é mais fácil respirar assim e ler neste compasso. era assim devagar que andava o tempo quando eu era emigrante. volto atrás várias vezes e repito a leitura do primeiro conto. sinto que cuido deste livro com se de um ppr se tratasse.

sábado, 5 de novembro de 2005

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

aurora


há um fotograma que passa no escuro do nimas que condensa todo o fado que murnau escreveu em luz e sombra. era tilsit e corria o ano de 1927.