

nunca considerei os coleccionadores. os únicos objectos que acumulo desordenamente são livros, discos e papéis diversos. olhá-los no seu conjunto seria ter uma ideia de mim próprio que não quero nem tomo como verdadeira. eu sou essencialmente as páginas de uma noite que se dobra rendida sobre um corpo que não responde mais. já deixei para trás uma biblioteca que poderia ser uma colecção. na minha presunção, espero que esteja viva ou acorde um dia em alguém que a ressuscite. ainda hoje largo quase tudo o que se acumula para lá da memória volátil. a minha vida recente está escrita numa caderno perdido no caminho ferróviário que liga zurique a berna. fosse eu um observador atento e não voltaria a abrir as páginas dos dias passados desse registo.
olhar e esquecer, não classificar, para poder voltar como se fosse a primeira vez.
olhar e esquecer, não classificar, para poder voltar como se fosse a primeira vez.
1 comentário:
que bem que dizes...que bem que sentes...que bem que pensas...
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