quarta-feira, 26 de julho de 2006

guerra


after lebanon, teguh ostenrik
1981, mixed media on paper, 65 x 50 cm.

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Congresso Internacional do Medo
Carlos Drummond de Andrade

a minha fábrica hopperesca


automat, edward hopper (1927).
óleo sobre tela, 67,5 x 86,4 cm.


o sector este da nave central ficou deserto. o pessoal do quadro, à falta de acções de formação e de reuniões no exterior em comissão de serviço, debandou legando ao centro de emprego a manutenção das máquinas. é agora, que os espaços se esvaziam, que sobressai o encanto das pessoas temporariamente abandonadas ou funcionalmente desajustadas. alain de botton lia nos quadros de hopper sobre restaurantes de beira de estrada, estações de serviço e aeroportos, o fascínio dos lugares tristes e da solidão temporária. assim é agora a minha sala das turbinas: hopperesca.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

a cole porter



pinakothek der modern
munique, 2005.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

vigeland




das pedras
da cidade de o. queria a força do silêncio
daquele fim de tarde de domingo.
passado o rei de espanha,
passado o teu ensaio.
passadas as más memórias
das cidades do norte. apenas
ser mais aquele velho
que não precisa de palavras.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

desenlace



tudo se detém nos pátios onde estás
algures, a norte, ouve-se o rumor das cem
navalhas de prata.
modula-se de estranhos violinos a música que
deixaste à entrada dos rios.
cais tremendamente pelas escarpas.

entretanto, já esqueceste as maçãs da minha
árvore destruída.
pela estrada de damasco, continuas só,
sem olhar para trás.

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quatro luas, josé agostinho baptista.
assírio & alvim, 2006.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

ML x2



dois números do "le magazine littéraire" a não perder:

abril 2006 - o mito marguerite duras
várias perspectivas da escritora/realizadora, entre as quais a de enrique vila-matas que escreve sobre a sua senhoria na altura em que este vivia dos artigos para a "fotogramas" e era figurante em filmes da saga james bond.

julho-agosto 2006 - le désir
de platão a gilles deleuze, uma visão sobre o que move o mundo ou como dizia andré breton, "le désir, seul ressort du monde, le désir, seule rigueur que l'homme ait à connaître".