quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Black Box/Chambre Noire



porque teatro
porque fotografia
porque o registo de vôo

William Kentridge no Museum der Moderne de Salzburgo. até 8 de Outubro.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

as viagens intermitentes



cada viagem é uma oportunidade de quebrarmos os laços de reconhecimento. algo no nosso sistema neuronal deve desligar-se por simpatia quando mudamos de lugar. um conjunto de atitudes que não perdemos muito tempo a explicar e que se relacionam com o facto de não conhecermos ou de não sermos conhecidos, tomam conta das nossas ocupações e modos de ver. estão descritos casos de evolução para cronicidade, registando-se mesmo uma alergia de residência: não se volta mais a um lugar que acumule registos de reconhecimento.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

luís quintais



antropólogo e poeta, destacado pelo bruno e pelo francisco no livro aberto. autor, entre outras coisas de "duelo", pen club poesia em 2004 e prémio luís miguel nava 2005.
aqui tão perto. a seguir atentamente no qualia.

Visões do Mundo



Vista de Delft, Jan Vermeer, 1659-1660
Óleo sobre tela, 98,5 × 117,5 cm.
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Rua do Loreto. Todas as visões do mundo são parciais.
Como uma invenção de Vermeer
as traseiras de um edifício antigo
podem ser os limites da minha moldura.

Nada há de exaustivo
no olhar humano. A chaminé de tijolo tinge o céu
de um vermelho débil
que ele nunca teve.

Um universo de vozes,
infectos cheiros de cozinhas adjacentes, ruídos
que quebram o alheamento que sobre as fechadas
se perpetua.

Em baixo, uma varanda onde nunca está ninguém.
Nada sei da ausência que a varanda desvenda.
Do lado esquerdo, o parapeito alto confere-me a certeza
de que os meus domínios foram encontrados.

Neste perímetro de luz
procuro a consistência dos sentidos.
O território com que se abastece uma paixão descritiva,
o lastro da imaginação.
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A Imprecisa Melancolia, Luís Quintais.
Teorema, 1995.

(Ler João Luís Barreto Guimarães no Poesia & LDA, aqui.)

recomenda-se



o mmcafé do teatro maria matos
19:30 de cada domingo: jazz ao vivo.

wish list



num verão em que as livrarias foram inundadas por romances históricos, um género que começo a detestar, planeei ler uma pilha de titulos que ficaram à espera das férias. saíu tudo ao contrário, ou seja, li o que menos esperava: pedro mexia, alain de botton, pierre cabanne, boris vian, antónio munoz molina, georg trakl, poesia neerlandesa, etc.

o mais fascinante, e viciante foi, sem dúvida alain de botton (obrigado eduardo!) com textos dispersos pela arquitectura (the architecture of happiness), viagens (the art of travel) e até a filosofia como ajuda (the consolations of philosophy e how proust can change your life).

chega agora pelo babelia (el país) mais um desejo. não sei para quando a leitura.

the philosophers' secret fire: a history of the imagination
patrick harpur,
ivan r. dee, 2003.

garrel, garrel et ... hesme



"la solitude qu’il y a dans le coeur de chaque homme, c’est incroyable."

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

aus-rähmung


robert gober, sem título, 1990.
(hirshhorn museum and sculpture garden)


morte ou renovação estética:
nunca me enquadrarei nas rentrées como fronteiras.

sábado, 19 de agosto de 2006

eagerness



susan sontag por peter hujar, 1975.
(colecção permanente do metropolitan museum of art de nova york)

"do stuff. be clenched, curious. not waiting for inspiration’s shove or society’s kiss on your forehead. pay attention. it’s all about paying attention. attention is vitality. it connects you with others. it makes you eager. stay eager."

aos alunos do vassar college (ny).

sábado, 5 de agosto de 2006

tula


um verão como antónio gosta.

romance & cigarettes, john turturro (2005).