sexta-feira, 29 de setembro de 2006

explicação da luz



a tela branca não é abstracta
será o castigo de afrodite
ou a ideia de um touro branco

ela será pasífae
ou apenas alguém que se perdeu
num momento em que nada
podia ser o que parece

as suas sombras no branco
são ao mesmo tempo a memória
e o filme de uma imagem só
única e sózinha
como se fosse possível
manter parado e em movimento eterno
o ar que se respira

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

deleuze e o outono



hoje, quando chegaram à minha fábrica os técnicos dos serviços de utilização comum, descrevi a avaria das máquinas referindo deleuze. "faltou o desejo, por isso não produzem. desculpem não consultei os manuais, tenho o meu kant", disse eu, tentando a ironia. eles não me ouviram, desmontaram tudo, demoraram-se uns instantes a substituir peças com siglas que referiam com mestria, fizeram os testes finais e pediram-me uma rubrica. despediram-se com a explicação especializada "é a mudança do tempo, o outono". eu tinha a certeza que era o desejo, a máquina do desejo.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

a imaginação*



jean cocteau.

como te imagino, ou como te conheço pela tua imagem, é profundamente diferente de te entender; posso assim forjar ideias falsas e só conhecer da tua verdade uma forma truncada. eu sei que tudo o que faço me distrai de ti mas sei também que parte deste caminho te traz mais perto.


*plagiando jean-paul sartre sem pudor, pela imagem de ti.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

a noite (ou newton outra vez)


charles ray, plank piece I (1973).


também o meu pulso estremece, josé.
abril ou setembro,
eram beijos as uvas sobre a terra.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

september is not a pleasant country*


franko b. i miss you series: oh lover boy 2000/2004

setembro é outro lugar. nunca parti para setembro como para abril. chego a setembro. frequentemente, é de noite. não sei quem chegou, quem dorme ainda. em setembro esperam de mim uma rentrée e eu caminho devagar. sei que estás em festa, pá. mas eu caminho devagar. porque setembro é outro lugar. outra estação.

* em volta de e.e. cummings "yes, is a pleasant country".

terça-feira, 12 de setembro de 2006

pescada nº 5



corpo alongado
e pouco comprimido lateralmente.
mandíbula proeminente.
dorso acinzentado; ventre branco.
espécie bentónica ou bentopelágica.
encontra-se em fundos circalitorais
e batiais (150 a 500 m).

(demora muito?)

zero em longitude


debbie fleming caffery, 2006.

- quem me dera saber quem és tu...
- aquele momento em que te esperava e não sabia as horas
- e o que queres dizer?
- falo das luzes e dos gatos e não me entendes.
- quem me dera gritar por um mundo...
- abraça-me, não posso chegar mais perto.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

fim de semana na cidade deserta



Robert Longo, Men in the Cities.
Triptych Drawings for the Pompidou, 1980-1999.
© Robert Longo

hoje 8, a noite nas escadas
xm, mau feitio, quebra

amanhã 9, a despedida ao cav
(e o volver que ainda não chegou)

depois 10, os meus cinco gatos
e colette, claro.

segunda 11, nem jornais nem tv
valha-me a fnac em dvd.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

XYK_ white night sessions - 8 de Setembro



Programa:

XM | 22:00
Apresentação do filme:
Joseph Beuys / TRANSFORMER
De John Halpern
instalação sonora: DJ Luís Fonseca

produção: Fila K cineclube, XM

Mau Feitio | all night long
Instalação: Sala de Jantar

produção: mau feitio

snacks and drinks:
Bar Quebra-Costas
Sandwich-bar Medina

design gráfico:
2Heads

Apoios:
RUC / Rádio Universidade de Coimbra
Loja da Música
Câmara Municipal de Coimbra
Rascunho

XYK é um conjunto de iniciativas temáticas de regularidade mensal que pretendem contribuir para resgatar a normalidade das noites de Coimbra. Irradiando de uma rede aberta e informal de espaços, grupos e focos de resistência cultural à apatia e indiferença, reclama-se o sentido colectivo do território da cidade como local definitivo de encontro, prazer, inteligência e desejo. Porque Coimbra ainda não existe, não tem encanto nem sei as horas.

os poemas de beuren




Ó Fortuna
variável
como a lua
sempre cresces
ou minguas


ouvi ontem a "carmina burana" na terra natal de carl orff, uma cantata com poemas reveladores da boemia academica do seculo xiii. afinal, os autores dos textos foram alunos e professores de beuren na companhia de alguns classicos (ovidio ou horacio). numa obra como esta, independentemente da qualidade da interpretacao, abandona-se sempre a sala a pensar na extraordinaria modernidade da composicao de carl orff.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

gain in translation



a serie de poemas de e.e. cummings traduzida por pedro mexia no estado civil
(para L.).

domingo, 3 de setembro de 2006

araki: 1001 noites



nobuyoshi araki, tokyo 1969-1972.

acho que era sontag que discutia em "on photography" (ou cartier-bresson, citado por ela) que uma objectiva pode agarrar todo o mundo. assim faz araki desde dos anos 60. mistura os momentos do seu dia-a-dia com fotos pessoais eroticas (o fotografo ou yoko, a senhora araki) construindo em "tokyo sexteen" 28 dipticos ocasionais e provocadores. o imaginario erotico nao necessita de muito mais para construir muitas historias. uma das melhoras facetas de uma "boa historia" pode ser a proposta de muitas outras.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

screaming



por mais que custe, só alguns habitantes da cidade de o. (polícia, proprietários e mais uns tantos) precisam de "o grito".
como dizia a nossa professora fátima, é impossivel que desapareça!
eu preferia as mugs.