domingo, 21 de janeiro de 2007

fiama



quem como nós na curva de céus vários pressentiu
(em céus de boca e ares)
que os elementos, de si, nunca se encontram diz:

a água não amaina; o fogo nas queimadas,
nas lajes do lar
não nos sacia; o ar não cria
a vibração das folhas - esta é a nudez;

na terra, sobretudo sente-se: as suas casas, as traves
que as sustêm, desfalecem.
quem as habita parado, quem como nós vivo
diz: a fome é hostil,
o homem movimenta-se impaciente,
o seu desejo ocupa a sua vida.

in vértice nº 286, fiama hasse pais brandão.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

escrever e dizer


mystical lady (close up 1)
© judy hintz cox 2002

diz a inês que não deve escrever-se o que pode ser dito. falava à noite de livros de cabeceira, agora ouço-a à hora de almoço de sábado. a inês não fala de diários ou cadernos de viagens que não podem sequer ser sussurados. não diz da evolução das páginas ao sol e aos sentimentos. talvez me responda um dia que se vão dizendo com outras vozes.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

da assistência social


percorro as conversas do dia de ontem como salas de um museu. as alas do suporte emocional, instrumental e informativo ocupam a maior área de exposição. outra possiblidade ainda de extensão do imaginário de malraux.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

retoma: com uma pequena ajuda de baudelaire



este sempre foi o local, quase sempre deserto, onde escrevi o que não era. a verdade é outra coisa e está noutro lugar. aqui pude deixar palavras com o abandono do bookcrossing. uma vez, deixei aqui um livro aberto e ninguém o leu. treinei aqui a caligrafia e depois pensei abandonar tudo o que escrevi no último banco da avenida das tílias do jardim botânico. ainda não é o tempo.

Nous pouvons couper ora nous voulons, moi ma reverie, vous le manuscrit, le lecteur sa lecture; car je ne suspends pas la volonte retive de celui-ci au fil interminable d'une intrigue superflue. Enlevez une vertebre, et les deux morceaux de cette tortueuse fantaisie se rejoindront sans peine.