quinta-feira, 27 de setembro de 2007

à noite: o desencontro


oscilo entre o desejo ingénuo e romântico dos dias como homeless
e uma noite de glamour fútil no redwood room,
o bar do clift hotel em são francisco.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

h.g.


era uma vez um rapaz, nascido em 1937 em filadélfia, que estuda na julliard school of music, toca com wynton kelly, lee konitz, dave bailey, tony scott, bill evans, paul motion, gerry mulligan, chet baker, sonny rollins, roy haynes, thelonious monk, benny goodman, cecil taylor, archie shepp, charles mingus, mccoy tyner, billy higgins, albert ayler, don cherry, pharoah sanders e desaparece em 1967. aos trinta anos, portanto. dizia-se que tinha morrido e o mundo esqueceu-se dele. nos anos 80 volta a anunciar-se a sua morte recente. em 2002, 35 anos depois (!!!), o rapaz volta a tocar porque lhe oferecem "olive oil", um novo contrabaixo. sabe-se então que nos anos 60 foi obrigado a vender o seu instrumento para sobreviver, vivendo de trabalhos diversos.

o rapaz vem a portugal no final de outubro e vale a pena ouvir ao vivo antes de morrer. falo da nossa morte, claro.

henry grimes’s sublime communication:
henry grimes (contrabaixo, violino e voz), andrew lamb (saxofones, clarinete e flauta) e newman taylor baker (bateria e percussão)

27 outubro
festival internacional de jazz de ponta delgada, açores.

31 outubro
galeria zé dos bois, lisboa.

1 novembro
forum cultural da moita.

2 novembro
encontros internacionais de jazz de coimbra,
salão brazil, coimbra


nota importante: o rapaz henry celebra o seu aniversário a 3 de novembro!

sábado, 8 de setembro de 2007

writers' rooms





o the guardian tem vindo a publicar uma secção sobre os locais que autores famosos usam para escrever. se a ideia poderia parecer interessante à partida, a experiência resulta numa desilusão, como qualquer outra em que se comete o erro de querer conhecer a vida privada dos escritores. porém, a observação atenta dos locais dos eleitos leva-nos a concluir que estarão unidos pela mesma ausência.

quem poderá adivinhar qual o escritório de alain de botton, seamus heaney ou john banville?

a verdade mesmo, é que isso não interessa nada.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

história trágica com final feliz



regina pessoa, , 7min 46seg, 2005.

As pessoas já não sabiam se era alguém que morria, ou alguém que nascia...

Mas uma coisa era certa… ninguém se importaria de partir assim…

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

fnat, digo inatel



chegou finalmente a semana que reservei no inatel. ao fim da tarde de ontem chegaram os autocarros, os táxis, a pronúncia do norte e as reformas antecipadas. eu não sei o que faço aqui, pensei eu. hoje, ao pequeno almoço, as queixas foram as mesmas. na piscina, abriram-se os mesmos jornais. o quiosque só vende o 24 horas e números amarelados da burda e da anna. eu comprei um exemplar dos livros do brasil a preço antigo. lembrei-me da casa grande que o tio zé alugava à temporada em buarcos. ao meio dia já havia um movimento formiguento para a sala das refeições. não dormi a sesta por inquietação. estão a chamar-me para o lanche para beber groselha e comer pão com marmelada. eu finjo que não ouço. ainda faltam seis dias que me custaram três horas de fila e uma cunha do senhor silva. era numa madrugada de janeiro e a menina zefa era ainda uma possibilidade.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

jeff, why are you everywhere, jeff? black beauty I love you so...



It's a song about a dream

Well i'm lying in my bed
The blanket is warm
This body will never be safe from harm
Still feel your hair, black ribbons of coal
Touch my skin to keep me whole

If only you'd come back to me
If you laid at my side
I wouldn't need no Mojo Pin to keep me satisfied

Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so

Precious, precious silver and gold and pearls in oyster's flesh
Drop down we two to serve and pray to love
Born again from the rhythm screaming down from heaven
Ageless, ageless
I'm there in your arms

Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so
So, so...

The welts of your scorn, my love, give me more
Send whips of opinion down my back, give me more
Well it's you I've waited my life to see
It's you I've searched so hard for...

Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so
So, black black black black beauty...


mojo pin, jeff buckley/gary lucas.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

recordar os gestos de amanhã


quem serei amanhã?
se somos outro para cada um
em cada hora.

quem serei
quando acordar sozinho,
fechado na minha tímidez
a passar o portão da fábrica,
a entrar e sair do gabinete
do encarregado dos serviços gerais?

e se não for o mesmo
quando paro ao meio da manhã
para comer, ao sol,
a maçã com a menina zefa?

quem serei
quando recordar a noite branca,
as páginas roubadas à morte,
quando fantasiar
outra vez ainda
sobre o almoço da cantina
desta vez em salzburgo
desta vez jantar
desta vez dançando

quem serei amanhã
quando não souber
o caminho do bairro operário
todos os cumprimentos
todos os olhares
todos os silêncios?

quem serei
quando não me vestir
da pessoa certa
para poder ter
as maçãs
e as noites brancas?