segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

silêncio

da série I am de Manal Al Dowayan, 2009.

As nossas palavras estão mortas
Como a consciência dos tiranos
Eles nunca se banharam na fonte da vida,
nunca conheceram as dores do parto ou as feridas,
o milagre de caminhar sobre pontas de lança.

Sonhamos com um mundo livre de cadeias
Erguendo-se das nossas penas paralisadas
Uma estação de rosas
vai florir nos nossos corações que morrem
Sonhamos com um novo milagre
nascido das nossas penas

Quando um poeta corajoso tem medo de morrer
O seu melhor poema é o silêncio!

Silêncio, Ghazi al-Gosaibi.




sábado, 20 de outubro de 2012

o escuro

mario pascual, sem título 2010, saatchi gallery.

Eu sou nós os dois. 
Ou melhor, nós os dois somos nós os dois, eu sou o terceiro. 
Sou eu quem está a falar de nós.

Em prosa, provavelmente: o escuro. 
Nenhuma palavra e nenhuma lembrança.
Manuel António Pina, Assírio & Alvim, 1999.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

the blind spot



Christian Andersson - The Blind Spot, 2003/2006 
spotlight, tripé, caixa de luz, plexiglass, pintura | 170 x 60 cm.


o fim é que está em nós.
O fim é que está abaixo da nossa pele,
se acumulando em espirais
por cada canto do nosso corpo.
Até que transborde...

João Paulo Cuenca

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

baggio

unidisplay, carsten nicolai 2012, hangarbicocca, milão.

de todas as luzes da estrada 
a noite da lombardia é a mais brilhante.
m é o início das estações
daqui voltaremos a todos os lugares.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

day after

doris salcedo, tate modern, 2008.

a cidade é um território de histórias iguais

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

madrid

Os madrilenos vistos por Craigie Horsfield, 2007.

domingo, 2 de setembro de 2012

setembramente

Luis Garcia-Nerey, 2011.

Duas estradas divergiam num bosque em setembro


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

el olvido que seremos


David Noonan’s untitled installation, 2008, Contemporary Art Museum St. Louis.

“Esse é um dos paradoxos mais tristes da minha vida: 
quase tudo o que tenho escrito, 
foi escrito para alguém que não me pode ler, 
e mesmo este livro não passa de uma carta para uma sombra.”
Héctor Abad Faciolince

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

noite de agosto


passei aquela noite a olhar o céu, a ensaiar um adeus e esperei poder dormir todas as outras.
os astros não são os mesmos mas aquela noite regressa muitas vezes.
ainda ontem, ainda agora.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

beauty calibrator

max factor, 1932
measuring device which enabled Hollywood make-up artists 
to pinpoint where facial corrections needed to be made.

a estética é a irmã mais nova da lógica
a beleza é o melhor conhecimento 
que os sentidos podem experimentar

alexander gottlieb baumgarten

quinta-feira, 19 de julho de 2012

segunda-feira, 4 de junho de 2012

lachrimae

rosa barba, coro spezzato: the future lasts one day.

a arquitectura solene do momento da vossa morte foi desenhada por duras. um coro barroco anuncia numa sala vazia quão longe chega tanto da vossa partida.

domingo, 13 de maio de 2012

say goodbye to a story




Christoph Schlingensief, ATT 1/11 (2011)

esta era a história a escrever.
antes da agonia e depois do silêncio. 
diálogo e construção.
numa segunda tentativa, o ensaio de uma dança. 
repetida vezes sem conta. êxtase e libertação. 
no terceiro acto só a morte está à altura do amor. uma e outra vez. 
a ópera trágica como exagero da vida.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

todas as máquinas têm o seu atrito


Dallas Seitz
A Very Still Life, Dr Kevorkian And The Suicide Machine (pormenor), 2009.
Graphite coated air-drying clay, post-card holder, milk bottles, 
surgical tube, clothes pegs, saline, sedative, poison

mas quando o atrito chega ao ponto de controlar a máquina, digo que não devemos mais ficar presos a tal máquina. 


A Desobediência Civil, Henry David Thoreau