sábado, 19 de julho de 2014

if i love you

Black Beauty, Lutz Bacher, Institute of Contemporary Art, London 2013.

if i love you
(thickness means
worlds inhabited by roamingly
stern bright faeries

if you love
me) distance is mind carefully
luminous with innumerable gnomes
Of complete dream

if we love each (shyly)
other, what clouds do or silently
flowers resembles beauty
less than our breathing

e.e. cummings

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A thousand times good night!

1000 Times Good Night, Erik Poppe, 2013.

JULIET
Tomorrow I’ll send the messenger.

ROMEO
My soul depends on it

JULIET
A thousand times good night!

JULIET exits.

Romeo and Juliet, Act 2, Scene 2, William Shakespeare, 1597.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

El Desierto

Desert,Vija Celmins, 1975. Tate Collection.

He venido al desierto pa' reirme de tu amor
Que el desierto es más tierno y la espina besa mejor

He venido a este centro de la nada pa' gritar
Que tú nunca mereciste lo que tanto quise dar

He venido yo corriendo, olvidándome de ti
Dame un beso pajarillo, no te asustes colibrí

He venido encendida al desierto pa' quemar
Porque el alma prende fuego cuando deja de amar

El Desierto, la Llorona, Lhasa de Sela, 1997.

domingo, 13 de julho de 2014

Tercer Movimiento (affettuoso)




Persona, Ingmar Bergman, 1966.

Para hacer el amor
debe evitarse un sol muy fuerte sobre los ojos de la muchacha,
tampoco es buena la sombra si el lomo del amante se achicharra
para hacer el amor.
Los pastos húmedos son mejores que los pastos amarillos
pero la arena gruesa es mejor todavia.
Ni junto a las colinas porque el suelo es rocoso ni cerca de las aguas.
Poco reino es la cama para este buen amor.
Limpios los cuerpos han de ser como una gran pradera: 
que ningún valle o monte quede oculto y los amantes podrán holgarse 
en todos sus caminos. 
La oscuridad no guarda el buen amor.
El cielo debe ser azul y amable, limpio redondo como un techo
y entonces la muchacha no verá el Dedo de Dios. Los cuerpos discretos 
pero nunca en reposo, 
los pulmones abiertos,
las frases cortas. 
Es dificil hacer el amor pero se aprende.

Agua que no hay que beber, Antonio Cisneros, 1996.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Nós

Buzios, Brazil, Elliott Erwitt, 1990.

Nada procuro
senão o sítio

onde atrasar o poema
e aquela sombra sem culpa

de quem leva ao coração
toda a luz que a mão espalha.

Os Desconhecidos, José Carlos Soares
Lisboa: Averno, 2012.

terça-feira, 8 de julho de 2014

esquece, não é nada

Saudades, Mella Shaw, 2013.

vi-te hoje, devagar, e reparei 
que o tempo passou 
depressa.
estar velho, afinal, é assim. tinha acontecido
 com tanta gente.
não me lembrava já que também haverias de envelhecer.
esperava-te imóvel 
naquele dia em que nos despedimos
num passeio, 
afastando, perfumados, 
os nossos braços dos contentores do lixo. 
trocando mensagens que tropeçavam no facto 
de serem as últimas. afinal, 
eram recados sobre qualquer coisa 
veloz.
esqueci-me lentamente deles e também de ti. é estranho 
como os dias podem ser diferentes. como as pessoas 
podem ser igualmente pessoas. sem nunca terem sido 
tão nada.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Domingo


‘Soldier playing with dead lizard’ Daniel Barroca, 2008. 8 channel installation.

Mesmo sendo Domingo o pior dia do mundo, já se sabe. Não será por acaso que a televisão passa comédias românticas. Deve certamente tratar-se de uma tentativa de nos pôr a chorar como desgraçados, ou a rir como patetas.

As gaivotas piavam longe. A atmosfera mais ou menos carregada de fim de Verão lá permitia que o som passasse pelos seus intervalos. E tudo parecia infinito daquela varanda.

Afinal, de súbito, o rapaz lembrou-se que tinha de aspirar a casa. As gaivotas calaram-se e o dia escondeu-se. A música parou. A doença da morte, de M. Duras, tinha vencido. A tristeza fez o favor de conduzir o automóvel.

A insustentável leveza do ser, Isabel Nogueira.
Lisboa, Artefacto, 2014.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

lanterna surda

I Died in a Good Mood, Sophie Calle, 2013.


Os ausentes sopram e a noite é densa. A noite tem a cor
das pálpebras do morto.
Toda a noite faço a noite. Toda a noite escrevo. Palavra
a palavra eu escrevo a noite.

Alejandra Pizarnik
versões de Maria Sousa, Coimbra, Do lado esquerdo, 2014.