senti-me sozinho quando cheguei à casa grande. quis correr a outras casas para encher de risos as molduras vazias. parei sempre nos primeiros degraus sem saber se era isso que eles queriam. passaram os anos. foi quando saí dessa casa que te encontrei. e foi assim todos os dias ao fim da tarde. trocava contigo o que pedias. um dia disse-te que já não precisava de mais nada em troca. queria dar-te o que precisasses. ficava horas a pensar que gostava que lesses outras histórias. que soubesses que há outro mundo. comprei em duplicado um livro da sofia. um para a mafalda e o outro para ti. andei depois com ele no carro até lhe perder o sítio. deixei de te ver durante uns meses. quando te encontrei de novo, pareceste-me mais alegre que nunca. fiquei contente por te ver assim. assim livre e bem. quando te imaginava numa dessas instituições de que o luis fala, preocupava-me. ainda bem que não te agarraram. hoje ainda tenho saudades tuas. queria amparar-te para que não caísses afinal nos braços que te tirariam a liberdade. acho que não precisas de nada disso. não precisas do meu colo. continuo sem saber como te chamas. por não saber o teu nome chamo-te luís. não importa. apenas ficava mais tranquilo que soubesses o meu. e chamasses quando quisesses.