não, não me esperes aí,
em nenhuma boca me posso demorar.
não, não me esperes aí,
nem mesmo nas sombras
das sombras da lua ou do luar
onde o meu rosto e o teu rosto
sombras são a querer singrar.
não, não murmures o meu nome
na tua boca viva,
como qualquer flor vermelha
que é logo nada amanhã.
dia claro chegará,
dia claro ou noite branda
em que te hei-de encontrar
e, então, te pedirei:
salva meus cabelos, minha fronte,
minhas mãos... e estes olhos que tanto amei.
salva a minha boca
onde havia tanta mágoa.
guarda-me como na semente se aperta
o que há-de ser algum dia,
talvez possa chegar flor,
talvez possa chegar tua.
maria valupi
desprevenidas paisagens, 1959.
em nenhuma boca me posso demorar.
não, não me esperes aí,
nem mesmo nas sombras
das sombras da lua ou do luar
onde o meu rosto e o teu rosto
sombras são a querer singrar.
não, não murmures o meu nome
na tua boca viva,
como qualquer flor vermelha
que é logo nada amanhã.
dia claro chegará,
dia claro ou noite branda
em que te hei-de encontrar
e, então, te pedirei:
salva meus cabelos, minha fronte,
minhas mãos... e estes olhos que tanto amei.
salva a minha boca
onde havia tanta mágoa.
guarda-me como na semente se aperta
o que há-de ser algum dia,
talvez possa chegar flor,
talvez possa chegar tua.
maria valupi
desprevenidas paisagens, 1959.





