
o babelia de ontem publica uma crónica do argentino césar aira em volta da pergunta "que livro levaria para uma ilha deserta?". a resposta terá interesse para revelar essa metáfora que é o próprio leitor. ele sim, uma ilha deserta densamente povoada. aira mostra como qualquer fantasia de povoamento da ilha seria frustrada. não se pode levar um só livro, sob pena de detestá-lo por falta da companhia de uma estante cheia de livros. nem uma colecção de obras completas. uma biblioteca morreria por não poder crescer. não se reproduziria por falta de outras para se comparar ou namorar. a falta de livrarias ou de carteiro, deixando assinaturas e livros regularmente, mataria qualquer biblioteca de igual modo. e por fim faltaria sempre o mundo como observatório observado. faltaria o mundo para aprender e compreender e, diria eu, um mundo real para imaginar mais mundos.
afinal, a pergunta ajuda apenas a povoar, a estender essa ilha deserta até à nossa dimensão.
humana, a metáfora, como lhe chama aira.
afinal, a pergunta ajuda apenas a povoar, a estender essa ilha deserta até à nossa dimensão.
humana, a metáfora, como lhe chama aira.


