sexta-feira, 16 de julho de 2004

punto negro












sossega, as nuvens não estão fazendo nada.

quinta-feira, 15 de julho de 2004

white silk dream












sou um guerreiro no japão do século ix. chego todos os dias à aldeia, vazio de uma guerra de dois anos, e esperas-me em seda branca. recitas-me ono no komachi e é assim que subo até ti. mesmo quando não estás.

segunda-feira, 12 de julho de 2004

blog city












o vento na cara. a vertigem da velocidade. a alegria infantil da descoberta. as palavras como abismos. a noite alta e os early morning posts. escreve que eu espero. a todas as horas. qual sinal? vai devagar? não vi...

parabéns wandruska












domingo, 11 de julho de 2004

e. e. cummings por susanne abbuehl












somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look will easily unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully ,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands

e. e. cummings

april
susanne abbuehl
ecm records, 2001.

sábado, 10 de julho de 2004

poesía hoy












o jornalista/escritor/viajero manuel leguineche conta hoje no babelia uma preciosa história passada no deserto. escolheu por companhia o marinheiro de gibraltar de marguerite duras. como devia aliviar a carga, porque tinha dois mil quilómetros de deserto pela frente, decidiu ir arrancando as páginas lidas e assim espalhou duras pelas areias nesse percurso. naquele tempo leguineche era ignorante do espírito ecológico mas devoto da performance poética.

sexta-feira, 9 de julho de 2004

lhasa de sela ou o sonho de uma noite de verão












uma noite assim dá mil posts. ao fundo, uma cidade que espera a descida de uma santa. tropeçando no trânsito, outros peregrinos chegam a tempo de ver subir ao palco uma menina que não pousa os pés no chão. foi ela o little blackspot que viu nuvens batalhando, dançando ou simplesmente não fazendo nada. foi ela que explicou a viagem no colo de um pai filósofo que a sossega dizendo: não morremos aqui. foi ela que dançou, e dança ainda, com o bisavô pelas ruas de marselha. foi ela que nos cânticos se libertou e nos libertou. foi lhasa de sela que disse por uma noite: é poesia, senhores.

quinta-feira, 8 de julho de 2004

desmesuradamente












há uns dias, comentava anabela mota ribeiro um seu pensamento matinal sobre a desmesura dizendo que não a aprecia particularmente. admite, contudo, duas excepções: na arte e no amor. voltei várias vezes a esse pensamento intrigante e intrigado. na vida, sou desmesurado em momentos e terrenos que não estes. por outro lado, o amor é tantas coisas que posso achar-me desmesurado por amor a uma causa, pessoa, objecto ou ideia. da arte, principalmente da arte sem regras clássicas, quase me atrevo a dizer o mesmo. no limite, a desmesura pode ser estendida à fronteira da afirmação de estar vivo.

quarta-feira, 7 de julho de 2004

do código das cores






















perguntava o que sentias

perguntava o que sentias
e falavas em cores,

quanto gostavas de mim
e descrevias amarelos,
brilhantes ou mate,
consoante os dias
variando com as horas

nunca compreendi
a língua das tuas cores
até ao dia em que,
sem palavras,
achei vermelho
recitei verde
e pensei azul

sim,
azulo-te!

quinta-feira, 1 de julho de 2004

os jardins de tafetá












a uns tantos na cerca dos jardins juntaram-se quase todos os cortesãos às janelas deste palácio subitamente glamoroso. todos querem ver o desfile dos guerreiros. soltam-se orações, bençãos e desejos. um avatar que ainda não conhecemos ilude ou liberta o reino. enviado para matar e obrigar a renascer começou pelos jardins. apenas resistem os patriotas modernos nos jardins de tafetá.

quarta-feira, 30 de junho de 2004

lado B












ao desafio do som respondo sim. que difícil que é alinhar as músicas que sempre trouxe nos ouvidos. o equivalente a escolher 3 desejos perante a fada madrinha. obrigado pedro por acordares em mim o sentido e a paixão que partilhamos. lá estaremos do lado B, avessos ao que é fácil, do outro lado da noite e de todas as noites.

terça-feira, 29 de junho de 2004

sábado, 26 de junho de 2004

perfect world


















na nota de abertura de um livro, sian ede agradece aos jovens cientistas autores dos diários o facto de serem eloquentes, honestos e despretensiosos. daí resulta uma excelente imagem da ciência e da vida actual.
condensado assim, é o que procuro por estas paragens. neste e nos outros mundos aqui à direita.

science, not art: ten scientists' diaries,
editado por jon turney,
publicado pelo branch do reino unido da fundação calouste gulbenkian,
londres, 2003.

offshore












lá longe
por detrás das dunas
mudam-se reis e acabam amores

no mar alto
uma onda regressa
e uma terra em brasa
dá noticias do marear

sexta-feira, 25 de junho de 2004

para o mal












parabéns sofia, luís, andré bonirre e pc.

pelo bem que o vosso mal nos faz.

quinta-feira, 24 de junho de 2004

circadiano












um dia num edifício de salas com distintas leis naturais. à semelhança do cubo e do hipercubo, procuro a lógica para sair. perdido, volto a divisões que não distingo. em cada divisão deixo palavras e imagens. quando volto a elas, estão recados e silêncios para decifrar. num dia que se repete desigual.

quarta-feira, 23 de junho de 2004

abraçadosnós












festejar o santo de hoje com palavrasabraçadas. chamar a um movimentodança uma nova noite. pensar em lercontigo as páginas que nos esperavam no correio do fim da tarde. adormecer folheando os teus cabelos e guardar na memória um futurosemsaudades.

terça-feira, 22 de junho de 2004

posologia possível












salto de palavra em palavra na frase que nos separa.
tropeço nos ii, caio nos hh, descanso nos jj, gasto as últimas forças para subir os ll, quase desmaio nos uu, tomo cuidado com os vv e equilibro-me finalmente nos xx.
e tudo isso não chega. ainda sobra frase entre as nossas bocas e não nos beijamos.
escrevo a experiência e procuro saber o que aprendo.
muito pouco. quase nada mas, vou continuando a tomar o mundo em colheres pequenas.

segunda-feira, 21 de junho de 2004

a utopia de juno












juno doran acredita num mundo imaginado. reza para ver o casamento perfeito entre a tecnologia e a natureza ou, de outro modo, entre o homem-máquina e a floresta amazónica.
as utopias são assim. tudo o que desejar a mulher de zeus.
o verde percebo, mas porquê o cinzento?

domingo, 20 de junho de 2004

is it tomorrow yet?












saber como usar o tempo na arte. na vida tratamos mal o tempo em circunstâncias diversas. quando não sabemos esperar ou quando esperamos e não sabemos como dizia o poeta. viver com o tempo e sem tempo. agora que tudo é tão rápido. agora que sobra tanto tempo. anoto as vezes em que a falta de tempo não desculpa. anoto as vezes em que não demos tempo.

quinta-feira, 17 de junho de 2004

bloemschikken












somos plantados como tulipas que, de repente, arrancados como bolbos à terra, se demoram em caixas (protegidos).
tarda esse nosso outubro, tão distante, em que nos devolvemos num abraço telúrico.

quarta-feira, 16 de junho de 2004

capítulo seguinte






untitled (hand anatomy),
jean-michel basquiat, 1982.







tenho ao fundo dos braços
a memória de joseph walser
à espera ainda do afago
das margens das tuas palavras


segunda-feira, 14 de junho de 2004

blur












dizes-me meu amor: "vivemos cercados de eternidade e não temos tempo". e assim passamos ao lado de tudo guardando não mais que um efeito blur. o damásio diz que as imagens dos objectos e dos acontecimentos, e ainda as palavras ou as frases que os referem, nos ocupam quase toda a nossa memória. talvez tenha razão e, talvez avancem ainda pelos nossos sentimentos e emoções. mas não quardamos nada de muito nítido quando nos preparamos para adormecer.
a representação mais próxima desse túnel pré-narcótico encontrei-a no museu do chiado. captar a presença humana no efeito blur é a pretensão de gerhard richter.
o josé bragança de miranda sabe mais disso com certeza. sei que ele estará neste momento a usar o alemão para um programa de doutoramento.
e eu, que pouco mais sei do que das máquinas da minha fábrica, para aqui a falar de arte contemporânea...

domingo, 13 de junho de 2004

uma ilha deserta não é uma ilha deserta












o babelia de ontem publica uma crónica do argentino césar aira em volta da pergunta "que livro levaria para uma ilha deserta?". a resposta terá interesse para revelar essa metáfora que é o próprio leitor. ele sim, uma ilha deserta densamente povoada. aira mostra como qualquer fantasia de povoamento da ilha seria frustrada. não se pode levar um só livro, sob pena de detestá-lo por falta da companhia de uma estante cheia de livros. nem uma colecção de obras completas. uma biblioteca morreria por não poder crescer. não se reproduziria por falta de outras para se comparar ou namorar. a falta de livrarias ou de carteiro, deixando assinaturas e livros regularmente, mataria qualquer biblioteca de igual modo. e por fim faltaria sempre o mundo como observatório observado. faltaria o mundo para aprender e compreender e, diria eu, um mundo real para imaginar mais mundos.
afinal, a pergunta ajuda apenas a povoar, a estender essa ilha deserta até à nossa dimensão.
humana, a metáfora, como lhe chama aira.

sexta-feira, 11 de junho de 2004

do outro lado do rio












do outro lado do rio há um festival sem subsidio do icam que se rende a ettore scola e ao cinema húngaro, mostra o último andrzej wajda, o comandante de oliver stone e sonny de nicholas cage.
do outro lado do rio esteve o fruto da paixão de maarten treurniet, charlotte de ulrike von ribbeck e queijo e marmelada de branko djuric.
na praia, do outro lado do rio, esteve muita gente agitando bandeiras de todos os tipos e cores.

quinta-feira, 10 de junho de 2004

forecast












sei que um de nós percorre um labirinto que o outro nem sequer encontra. foi assim de todas as vezes. e, de todas as vezes nos encontrámos mais à frente. um de nós olha para trás para encontrar o caminho. outro de nós espera com a mesma serenidade de todas as esperas e, vamos alternando os dois personagens numa história que um nós sabe que acaba bem. por vezes, um nós desacredita e o outro mantém o sonho para que possamos acordar.

maria valupi












não conheço maria valupi e uma pesquisa no google não vale a pena. chegaram-me há uns anos alguns poemas seus num livro sem data das edições jornal do fundão. trata-se de uma antologia da poesia feminina portuguesa organizada por antónio salvado. no texto introdutório aos poemas lê-se:

maria valupi é uma poetisa original e injustiça seria não aparecer numa antologia de mulheres-poetas. há no universo poético desta autora um estranho apego à realidade concreta, à existência vivida e experimentada - apego que a coloca numa linha poética muito feminina que poderá ser determinada pelo acolhimento nem sempre sereno dos factos e pela sucessiva revelação dos mesmos factos, transformados em parcelas de um drama íntimo. (...) publicou: "dans le destin", livro de poemas em francês, 1958; "desprevenidas paisagens", 1959; "do disperso do dia", 1967; "amotinação dos poetas", 1967; "songes et témoins", poemas em francês, 1967.

dos nove poemas seus nesta antologia, já copiei "não, não me esperes". deixo agora "ponha-me deus":

ponha-me deus o mundo,
um mundo em qualquer
das mãos;
meus pés bailando sem chão
que, sujeita, não pedi,
não pedirei meu perdão.

and the winner is...













sexta-feira, 4 de junho de 2004

estes estranhos dias












chega zeus a sydney transportando a chama do olimpo.
abre isabel os olhos ao mundo.
ontem, em palavras breves, a parte de cima de uma rapariga anunciava-te isabel.
falou em antónio e ainda de helena, luísa e cecília.
todos aí do outro lado de nós que devoramos quilómetros e não chegamos.
nós afogados em vidinha e pela segunda vez no hemisfério errado.

quinta-feira, 3 de junho de 2004

não, não me esperes aí












não, não me esperes aí,
em nenhuma boca me posso demorar.

não, não me esperes aí,
nem mesmo nas sombras
das sombras da lua ou do luar
onde o meu rosto e o teu rosto
sombras são a querer singrar.

não, não murmures o meu nome
na tua boca viva,
como qualquer flor vermelha
que é logo nada amanhã.

dia claro chegará,
dia claro ou noite branda
em que te hei-de encontrar
e, então, te pedirei:

salva meus cabelos, minha fronte,
minhas mãos... e estes olhos que tanto amei.
salva a minha boca
onde havia tanta mágoa.

guarda-me como na semente se aperta
o que há-de ser algum dia,
talvez possa chegar flor,
talvez possa chegar tua.


maria valupi
desprevenidas paisagens, 1959.

quarta-feira, 2 de junho de 2004

corpus insanus












os seus movimentos denunciam-na a todo o momento. a traição do corpo é difícil de compreender. a expressão corporal não lhe permite a invisibilidade nos instantes em que os super-heróis são verdadeiramente invejáveis. talvez a fluoxetina lhe resolvesse o problema mas, ela era claramente da outra margem. as moçoilas preferem sempre o hipericão.

terça-feira, 1 de junho de 2004

if you dare












desafia-nos agora
que nos desatas no mundo
atreve-nos agora

não digas depois que não fomos
não insinues mais tarde
que era tarde

ouvimos todas as queixas
mas não deixámos de dizer
atreve-te

agora

criancices












maria de sousa comentou o livro "um mundo imaginado" de june goodfield, em que se relata a vida de uma cientista (ana brito, ou seja, a própria maria de sousa), testemunhando a experiência extraordinária de imaginar um mundo que se veio a provar real.

provavelmente, as crianças sonham mundos que não parecem reais. algures ao meio da vida perdem a vontade de os provar verdadeiros. é pena. eu tento não me esquecer disso. entretanto, hoje celebramos esse estado de graça que é ser potencialmente tudo. e só isso já é tanto.

bom dia, crianças!

domingo, 30 de maio de 2004

helena de lisboa












isabel apresentou em 1998 uma retrospectiva de helena almeida (entrada azul) na casa da américa em madrid. este ano foi a vez do the drawing center de nova york ver os "inhabited drawings" de helena. agora, isabel prepara-se para mostrar helena almeida na art gallery de new south wales a propósito da biennale de sydney 2004. entretanto, para quem não vai à austrália, sobra uma exposição da artista no ccb até 18 de julho com o título "pés no chão, cabeça no céu".

sexta-feira, 28 de maio de 2004

reconstruir o mundo












hoje queria ler um livro que pudesse não ser um livro
sozinho numa sala que pudesse ser lado nenhum.

nadir












olhos nos olhos perguntei-lhe o que vinha depois. falou-me de sonhos e de preces. refugiou-se no seu mundo mantendo uma confortável distância de segurança. repeti a pergunta e seguiu-se o embaraço previsivel. abandonei a sala e comentei para mim:
- é aqui o nadir?

segunda-feira, 24 de maio de 2004

helena de teichio


helena nasceu em teichio, uma vila de montanha isolada na região roumeli no coração da grécia. aí aprendeu a música do vento, da chuva nos telhados, das quedas de água. aprendeu o canto dos rouxinóis e o silêncio da neve. em dias de festa, encantava-se com o eco das flautas e dos clarinetes nas montanhas vizinhas. depois a família mudou-se para atenas e helena descobriu os automóveis, a electricidade, a rádio e o cinema. por um acaso, a nova casa ficava ao lado de um cinema de ar livre e que ela via da janela do seu quarto.
no cinema (mais que isso, num cinema debaixo do céu) e no piano helena descobria aos oito anos as paixões da sua vida.

em 1967 a junta expulsou-a da grécia e helena viveu em paris até 1974. de volta a casa, helena ouviu places de jan garbarek em 1977. vinte e um anos depois o norueguês toca com helena a valsa de beekeeper para o filme de theo angelopoulos.


eleni karaindrou, music for films.
ecm,1991.

domingo, 23 de maio de 2004

hoje não estou nem para leo vast












não. hoje não escrevo nada. tenho sono. muito sono. talvez escreva amanhã sobre o dia de hoje e sobre a leitura em são martinho do porto: a máquina de joseph walser. e sobre a prateleira onde guardei este meu primeiro gonçalo m. tavares. sobre a companhia de wakefield de hawthorne e bartleby de melville. mas hoje não. hoje não escrevo. amanhã conversamos.

quinta-feira, 20 de maio de 2004

piano












há muito que perdi o interesse pela profundidade. de rodin e moore não queria mais do que o equivalente ao chiaroscuro. não me interessa essa terceira dimensão que não reune nada que verdadeiramente necessite. viveria agradavelmente nas páginas de um livro ou mesmo num quadro. sonho ainda em viver dentro de uma melodia, que dimensão terá? permanece a dúvida: em que páginas, em que tela ou em que sons?

da razão e da emoção












do outro lado do mundo isabel anda numa roda viva. a curadora da biennale de sydney 2004 prepara a abertura para 4 de junho. aparecem os primeiros anúncios. o subversivo lim tzay chuen, convidado a participar no evento, arranja uma dor de cabeça para isabel. a sua proposta: fazer um concurso com o público para preencher a artspace gallery 1. os concorrentes terão de comprar o maior número de catálogos da exposição, devem rasgar a página com o ensaio introdutório de isabel e apresentarem-se no dia 5 de junho depois das 10 horas da manhã com as páginas rasgadas. o vencedor será anunciado pelas 9 da noite e terá direito a: ocupar o referido espaço, 4000 dólares australianos e uma estadia de 4 noites num hotel de sydney. o que o vencedor fará com o dinheiro e com o espaço é com ele (vencedor). toda a gente pode concorrer.
após negociações, que se imaginam emotivas, isabel deu razão a lim. faça-se. venha um desconhecido completo para a biennale.

a outra senhora












seja para que lado fôr que me vire, lá está ela: a velha senhora. os novos castigam-se com coisas velhas. porque sim. nada viram mas sentem. eles que não sabem sequer definir com rigor a dita. não tenho dúvidas. estamos definitivamente no tempo da outra senhora.

quarta-feira, 19 de maio de 2004

um homem menos um homem














tenho perseguido um homem
de quem fujo
na próxima esquina
confundo-me com o exército vlassov.

segunda-feira, 17 de maio de 2004

mr lowercase













agora os ouvidos dos meus ouvidos acordam e
agora os olhos dos meus olhos estão abertos


verso de e.e.cummings
(now the ears of my ears awake and
now the eyes of my eyes are opened)

never ending dream













nós a lermos os livrinhos das edições 2 luas de paulinho assunção. eu a ouvir as 12 luas de garbarek no ccb (14.05.2004). todos no lux a ouvirem yen sung (15.05.2004). nosotros chorando no teatro villamarta em jerez de la frontera com a voz de chavela vargas (22.05.2004). eu a maldizer os concertos de keith jarrett no palau de la musica para o forum de barcelona 2004 (21.06.2004 e 13.07.2004).