esperei sempre que emir kusturica voltasse ao registo de underground. violento nas críticas à comunidade internacional e ao nacional pacovismo mafioso e doce no sonho de uma terra tão rica como os seus filmes a mostram. em "a vida é um milagre" o ambiente é de guerra, de novo, e o caos, também sentimental, transforma-se num happy end como se quer de uma visão ácida mas sonhadora. a expressão de bjork foi usada há umas semanas atrás por pedro rosa mendes para classificar emir kusturica e os seus filmes. talvez se possa traduzir em três fotogramas apenas: o primeiro em que se prepara uma partida de xadrez entre o carteiro e luka, o engenheiro ferroviário; o segundo quando luka contempla o seu modelo da linha ferroviária de mokra gora à escala e o terceiro em que luka e sabaha se aproximam do amor durante a noite. em todos os momentos há bombardeamentos lá fora mas a vida continua.
os filmes e a vida de kusturica são assim como a música da sua "no smoking band".
os filmes e a vida de kusturica são assim como a música da sua "no smoking band".

