eu lembro-me da semana sem fim
das folhas rasgadas da agenda
de poemas prontos para consumo
e nunca a palavra "desfolhar" entrou
rasgando tanto os dias
dizia assim:
NÃO VOLTAREMOS a pressentir o mar
nem sequer lembraremos o turvo sal das bocas
sobre o rosto gémeo da máscara que nos esconde
louco pássaro de cinza sulcando o ar rarefeito
e a escuma luminosa dos meteoros que cegam
os frementes alicerces de cidade insone
não nos reflectiremos mais nos gestos desgastos
nem na demência da língua donde irrompe a alba
e nómadas continuaremos para lá do sangue
flutuantes no escuro sonho
os corpos incendiados um no outro
consomem-se formando insuspeitas constelações
vagarosamente
através dos séculos regressaremos
intactos ao nada essencial
al berto, o medo.
das folhas rasgadas da agenda
de poemas prontos para consumo
e nunca a palavra "desfolhar" entrou
rasgando tanto os dias
dizia assim:
NÃO VOLTAREMOS a pressentir o mar
nem sequer lembraremos o turvo sal das bocas
sobre o rosto gémeo da máscara que nos esconde
louco pássaro de cinza sulcando o ar rarefeito
e a escuma luminosa dos meteoros que cegam
os frementes alicerces de cidade insone
não nos reflectiremos mais nos gestos desgastos
nem na demência da língua donde irrompe a alba
e nómadas continuaremos para lá do sangue
flutuantes no escuro sonho
os corpos incendiados um no outro
consomem-se formando insuspeitas constelações
vagarosamente
através dos séculos regressaremos
intactos ao nada essencial
al berto, o medo.



