Não são nobres as coisas que nomeio na poesia:
permanecem sob o palato, atentas, apenas conscientes
do calor ignorante da língua.
Se escutassem, ouviam o movimento, a onda de um eco
que repete letras vermelhas, destinos, e um turbilhão de vozes
perdidas -- como sempre -- em tudo o que é escuro e vazio.
Por isso digo outra vez: árvores -- de facto -- plátanos
atraídos para a água e suportados por pedras à volta.
É isto que é difícil: Cantar suavemente o milagre
do peso na luz, da sombra
que se cruza com o tempo e se espalha sobre o odor dos prados.
Tudo é corpo onde a alma chega atrasada
mas o outono resplandece a um canto
e as palavras juntam-se com o ritmo prescrito:
amontoadas, entrecortadas, iniciadas, ao longo dos séculos.
E não é de música que falam, mas do estrondo dum relâmpago,
do granizo que golpeia contra as paredes.
*antonella anedda em tradução de ana teixeira
(recebida por e-mail)