segunda-feira, 16 de maio de 2005

o último namur












La rose
Et le promeneur fatigué sont là
Qui écoutent le merle
Et les solitudes noires du pré.
L'un et l'autre sont assis
Au bord de l'herbe, au bord de la pensée,
Tout au bord du vide.
L'un et l'autre,
Comme autant de cristaux et de cendres
Qui se souviendraient encore de l'étoile jaune.
L'un et l'autre regardent le monde
Et cette douleur
Cachée dans la bouche des hommes.
________________________________________________
Les ennuagements du coeur, Yves Namur.
Ed. Lettres Vives, 2004.

sexta-feira, 13 de maio de 2005

us












They made a statue of us,
and put it on a mountain top.
Now tourists come and stare at us,
blow bubbles with their gum,
take photographs have fun,
have fun.

They'll name a city after us,
and later say it's all our fault.
Then they'll give us a talkin' to,
then they'll give us a talkin' to,
'cuz they've got years of experience.

We're living in a den of theives,
rummaging for answers in the pages.
We're living in a den of theives,
and it's contagious, and it's contagious,
and it's contagious, and it's contagious.

We wear our scarves just like a knoose,
but not 'cuz we want eternal sleep.
And though our parts are slightly used,
new ones are slave labor you can keep.
__________________________________
soviet kitsh, regina spektor.

segunda-feira, 9 de maio de 2005

agenda












andreas scholl, o maior contratenor de todos os tempos, vem finalmente a portugal. depois de anunciado para o porto 2001 e cancelado, apresenta-se na casa da música no porto a 28 deste mês. definitivamente a não perder.

domingo, 8 de maio de 2005

queima












sete da manhã
o calendário a arder

no meio do nevoeiro,
até a velha torre
lembra um abraço.

terça-feira, 3 de maio de 2005

rêve















passaram vários anos sem conseguir lembrar-me dos sonhos, o que por si só é revelador. tudo tem um significado quando se tenta interpretar o sonho. por essas noites dormia agitado, evitava a companhia, farto das queixas na manhã seguinte. conheci depois mireille. lembro-me perfeitamente de nos apresentarem e do manto branco de alheamento que se seguiu a revelar-me que vinha de limoges. não recordo nada do que me disse depois. mergulhei numa sala sem mobília, tranquila e branca, onde apenas se podiam ver labirintos de peças de porcelana pelo chão. sonhei desde esse dia com mireille ou a sua sala e as minhas noites foram bailados delicados na última curva de um gomil.

segunda-feira, 2 de maio de 2005

türkiye cumhuriyeti












eu queria levantar-me às cinco e meia da manhã e ouvir o primeiro chamamento. pedia para acordar num filme de nuri bilge ceylan com argumento duras. parar o dia na hora amarela. acima de tudo, parar o dia na hora amarela. a marguerite que se danasse mais o seu autoritarismo guionista.

domingo, 1 de maio de 2005

submissão






















eu vi o neto de van gogh
no chá de maçã e no simit
vi o borges do avatar
e repeti de sting
o teu verso preferido
if you love somebody, set them free

sexta-feira, 29 de abril de 2005

paul auster: em memória de mim mesmo












Tão-somente ter cessado.

Como se eu pudesse começar
onde cessou a minha voz, eu mesmo
o som de uma palavra

que não consigo articular.

Tanto silêncio
para trazer à vida
nesta carne apreensiva, o ribombar
do tambor das palavras
na interioridade, tantas palavras

perdidas na amplitude do meu mundo
interior, e assim ter sabido
que apesar de mim
eu estou aqui.

Como se fosse isto o mundo.
_______________________________
poemas escolhidos, quasi, 2002.

quinta-feira, 28 de abril de 2005

burka












baudelaire dizia no spleen de paris qualquer coisa como:
o pior dos males é o que é feito por estupidez.

sexta-feira, 15 de abril de 2005

renascimento











de certo modo, a mais duradoura paixão da minha vida chama-se leonardo. como acontece em grande parte das paixões, o ciúme mancha, mais tarde ou mais cedo, um sentimento que se queria imaculado. aconteceu-me depois da publicação do livro do senhor brown. recusei-me, obviamente, a ler o livro, usando primeiro a desculpa da letra pequena na versão de bolso em inglês e depois a legitimidade do meu preconceito pela ilustre companhia de não-leitores. mas hoje, na data do seu aniversário e cansado de ser estúpido, reconciliei-me com leonardo. foi a abertura do site do google que o provou: permiti-me um sorriso de ternura, genuíno. diz duchenne e damásio que uma alegria verdadeira provoca essa espontaneidade solicitando dois músculos, o grande zigomático e o orbicular palpebral inferior, sendo este usado apenas de forma involuntária. é a alma que fala e, sendo assim, não faz sentido tentar contrariar. volta leonardo, perdoa-me.

quinta-feira, 14 de abril de 2005

agenda












"Paul Auster, cujo romance mais recente, A Noite do Oráculo, foi há pouco publicado entre nós, vem a Lisboa por ocasião da saída, em nova tradução, do seu romance (de 1990) A Música do Acaso. É uma oportunidade única para ouvir falar de si e dos seus livros, de o escutar em algumas leituras, de decifrar talvez o mistério desse caderno azul de fabrico português que o escritor Sidney Orr (protagonista de A Noite do Oráculo) compra ao chinês M.R. Chang na papelaria Paper Palace de Nova Iorque... Um encontro a não perder, com um dos maiores romancistas contemporâneos."

Conversas
Culturgest, Sala 2
29 de Abril
21h30
Entrada Gratuita: levantamento de senha de acesso, 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis.

terça-feira, 12 de abril de 2005

a letra imensa












(kafka, robert natkin, 2004)

para ela basta a letra k para ganhar a sua atenção. contei-lhe há dias a história de benjamin kantarovich, o "ratinho" tio-avô de moacyr scliar. a mim brilharam-me os olhos com as suas ideias de revolucionar a alfaiataria fazendo paletós com a manga esquerda mais curta facilitando o uso do relógio de pulso. ela apenas perguntava quando aparecia kafka na história, sem sequer prestar atenção aos detalhes do golpe de 64. no principio do ano escrevi-lhe um post em código misturando james coleman, pedro mexia e ruy belo com o seu kafka. arrisquei-o numa derradeira tentativa de ter um convite seu para jantar. ela não o leu sequer. em março desesperei em berlim por não entrar no comboio para praga. não queria ir sozinho. sabia que lhe podia dar um dia a minha primeira visita à cidade de k na sua companhia. valeria um desflorar. ela não o entenderá. ainda me guardo para ela mas não sei se serei feliz com a sua letra imensa.

segunda-feira, 11 de abril de 2005

who would you like to see on the turner prize shortlist this year?











i would like to nominate the following artist for the turner prize 2005:
juno doran
deadline for nominations: 11 may 2005

sábado, 9 de abril de 2005

parte-se-me o corpo












o corpo sussura, sim, ao princípio o corpo sussura mas no final grita.

o noise pop de são francisco de 2004, confirmado na zambujeira-do-mar/sudoeste de 2005: devendra banhart a 5 de agosto.

sexta-feira, 8 de abril de 2005

canção do dia de hoje












chegou hoje a tradução de frederico lourenço da ilíada de homero. conforme prometido, li em voz alta a introdução e os primeiros versos. a versão original era cantada para ajudar a decorar tão longa história mas perdeu-se a música há muito tempo. mesmo assim, o vizinho de cima tentou acompanhar com o saxofone o que resultou numa versão a meio caminho entre o acid-jazz e o chill-out. a vizinha do lado sorriu da sua varanda quando ouviu o primeiro verso: canta, ó deusa, a cólera de aquiles, o pelida.

noite alta, ainda ecoam no condomínio os versos da ilíada. a insónia faz-me contar significados possíveis para o facto da primeira palavra da ilíada na versão grega ser "cólera". repito a fórmula que usei nas noites brancas para os lusíadas que terminam com a palavra "inveja".

hoje não me apetece contar carneiros depois de ver a fátima lopes na sic notícias.

quarta-feira, 6 de abril de 2005

o fim da acídia












a partir de hoje este blog deixa de poder ser lido em silêncio. concordo em absoluto com santo agostinho que nas suas confissões se insurge contra ambrósio, o bispo de milão, por ler em silêncio sem mover a língua. em alexandria, pérgamo, cartago e roma não se lia assim. a tradição da leitura em voz alta que se quebrou no século IX no scriptorium monástico deve ser retomada. a leitura em silêncio propicia o sonhar acordado, o perigo de acídia, "a destruição que devasta ao meio-dia". um leitor que se fecha no silêncio é um leitor perigoso. por tudo isso, este mundo prepara-se para ser um audioblog de terceira geração. não me refiro aos ficheiros de som no arranque da página mas prometo mais detalhes para breve.

terça-feira, 5 de abril de 2005

cam












como o teatro também é mentira, fez o acaso que voltasse neste dia primeiro de abril. por engano, entrou e não prometeu voltar nem disse adeus. obviamente, não se pode pedir que volte mas este palco é diferente quando ele está.

domingo, 3 de abril de 2005

bailado, boi alado












eis o homem, caro leitor. mas os poetas são animais duma exótica espécie antediluviana, onde todos os seres vindouros e passados coexistem, misturando e confundindo as suas formas. lembram os bois alados de dario. com as patas esmagam a terra e as suas asas fendem as nuvens e vão queimar-se nas estrelas. são monstros. aterrorizam os deuses e os demónios; os demónios com as patas e os deuses com as asas. e os homens passam por eles na rua, como quem passa por outro homem... não admira; cada homem é a medida do universo. por isso, ele cabe dentro do palmo do meu vizinho sapateiro e do palmo de newton... pobre universo e pobre newton.

xxxv, o bailado,
teixeira de pascoaes, 1921.

quinta-feira, 31 de março de 2005

céu adentro












habito por estes dias as telhas quentes do fim da tarde na cidade deserta de vontade. chamam-me os pássaros e a luz. tenho dentro de mim o peso da terra a acenar desculpas em fórmulas razoáveis, lógicas e ainda assim erradas. preparam-se já os olhos para a vertigem de amanhã.

quarta-feira, 30 de março de 2005

lux












"bem estreito é o fio da navalha! entre dois perigos me equilibro: de um lado ameaça-me a ávida boca do excesso, do outro a amargura da avareza que de si mesma se alimenta. e teimo na recusa de optar entre a orgia e a ascese, ainda que com isso me sujeite ao suplício em brasa dos desejos. não sou livre nos meus actos, por isso tudo me pode ser desculpado. mas este conhecimento não me basta. o que procuro para a vida não é uma desculpa, mas exactamente o seu contrário: é o perdão que busco. descubro, afinal, que se não levar em conta a minha liberdade, todo o consolo é enganador, mera imagem reflectida do desespero. de facto, assim que o desespero me diz -- "perde a esperança, o dia não passa de um momento de trevas entre duas noites", há uma falsa voz que me grita -- "tem confiança, a noite não é mais que um momento de trevas entre dois dias".
a humanidade, porém, não é de palavras que precisa; anseia por um consolo que ilumine. e mesmo aquele que deseje tornar-se mau -- agir como se todos os actos fossem defensáveis -- deve ter ao menos a bondade de notar quando o consegue.
é impossível saber quando cairá o crepúsculo, impossível enumerar todos os casos em que o consolo se fará necessário. a vida não é um problema que possa resolver-se dividindo a luz pela escuridão ou os dias pelas noites, mas sim uma viagem imprevisível entre lugares que não existem."

stig dagerman
a nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer
fenda, 1995.

terça-feira, 29 de março de 2005

hoje: um dia sem árvores












de manhã cedo a cor da paz era verde e os pássaros defendiam os ramos. vi uma raíz branca e velha numa tentativa de atropelar abril em março.

segunda-feira, 28 de março de 2005

momentos












suavemente nestas pregas irregulares
enroscado e quente como a criança da páscoa
uma respiração tão ténue, peso angélico

não posso negar que me alheio de vez em quando
mesmo nestes momentos amorosos

para campos estivais que reclamo como meus
onde posso ficar deitado e sentir-me
em paz com a minha morte
de braços e pernas esticados

não posso negar que sou fraco de vez em quando
mesmo nos meus mais fortes momentos

e a forma como gritas comigo
não sei por que ficas

__________________________________________
moments, mark kozelek
nights of passed over / noites de atropelo
trad. vasco gato.
quasi, 2002.

terça-feira, 22 de março de 2005

criar mundos












criar como tolkien uma terra média ou fazer como carrol um país das maravilhas, pode ser um passatempo interessante. as manas sara e teresa costa desenharam um site sobre construção de mundos, uma actividade complexa que envolve, entre outros, os domínios da literatura, ciência, antropologia, linguística, mitologia e história. além das ferramentas de ajuda, apresentam ainda as suas preferências fantásticas em termos de livros, filmes, bd e manga e anima em geral. um site a visitar para partir para uma aventura viciante.

Today Has Been OK












Friends tell me it's spring
My window show the same
Without you here the seasons pass me by
I know you were not new
That loved like me and you
All the same I miss you
Today has been ok
Today has been ok

The preacher lost his son
He's known by all in town
He found him with another son of God
Feeding on the prayer
Nevermind what God said
But love had lost its cause
And I thought today had been ok
Today has been ok
Today has been ok

Wind has burned your skin
The lovely air so thin
The salty water's underneath your feet
No one's gone in vain
Here is where you'll stay
'Cause life has been insane but
Today has been ok
Today has been ok
Today has been ok
Today has been ok
________________________________________
Today has been ok, Emiliana Torrini.
Fisherman's Woman, Rough Trade, 2005.

quarta-feira, 16 de março de 2005

angelu - ággelos












hoje de manhã, a caminho da fábrica, a camioneta que seguia à minha frente sacudiu uns ramos de amendoeira à beira da estrada e choveram muitas pétalas que encheram o meu pára-brisas. senti o sinal como mathilde naquele longo domingo. soube depois que era um anjo que se despedia e não mais vivi no dia de hoje.

terça-feira, 15 de março de 2005

contemplação carinhosa de agustina












só me aconteceu uma vez, em colónia, apresentar-me luso à senhora mauff e ouvir em espanto "agustina bessa luís!". desse tempo apenas ficou a angústia do "luís".

sexta-feira, 11 de março de 2005

a noite vista daqui






















escolher um lado da noite
e chamar-lhe a nossa casa.

mefistofeles do avesso












jantei na auerbach's kellar de leipzig, a adega onde goethe escreveu o fausto. de nada valeram os pedidos a mefistofeles para me manter sempre velho, ao contrario do que fez a fausto. respondeu-me sempre com banalidades: isso sao pedidos que nao lembram ao diabo!

quarta-feira, 9 de março de 2005

einmal praha












aguardo na bahnhof zoologischer garten de berlin o comboio para leipzig. sei em que mundo estou quando vejo chegar na gleis 5 o ICE para praga e resisto a cometer uma loucura. nao vou. sinto nestes momentos que tenho a estatura da chiclete esmagada e negra. como pessoa responsavel que nao sou, contento-me com o kafka de soderberg em dvd que trago na bagagem. vou descobrir mais logo que alguem o riscou e nada mais sobra a nao ser a critica do chefe de kafka que nao conhece a sua vida dupla. na minha religiao divertida acredito que um deus que faz snowboard anda a enviar-me recados.

segunda-feira, 7 de março de 2005

este post é para te dizer e diz












eu sei que os recados não são apreciados pelos leitores desprevenidos que não gostam de códices mas este é um recado urgente:

todos os que me conhecem sabem, se eu não subo ao pessegueiro morro.

a força do invisível é o que faz com que os dias continuem a ser dias e quando subo à árvore, sinto o sangue correr-me de modo diferente, ouço correr numa calma que me deixa feliz. falo de coisas que são fáceis de entender mas difíceis de explicar mas eu também não quero explicar coisa nenhuma.

______________________________________________
além as estrelas são a nossa casa, abel neves.

sim meu amor, este recado é para ti.

sexta-feira, 4 de março de 2005

et quand bien même












(...)
et quand bien même
tu m'aimerais encore
je me passerai aussi bien
de ton désaccord
c'est le même dilemme
entre l'âme et le corps
comme un arrière-goût de never more Lautréamont Les Chants de Maldoror
tu n'aimes pas moi j'adore
_______________________
arabesque, jane birkin.

aqui












"confundir as ideias e nunca as disciplinar" dizia eco sobre os bons títulos. foi assim que tracei este caminho. um amigo desequilibrou-me para a frente e tropecei nas primeiras palavras mas tinha borges do meu lado: "um mundo imaginado é muito mais interessante". naquele tempo tinha visitas assíduas de hundertwasser e da minha avó. agora não sei de ninguém. fiquei fechado numa sala em silêncio. continuei a sentir as palavras de borges. vivia rodeado de eternidade e não tinha tempo para nada. agora sou o dono do tempo e do silêncio. sei exactamente o que posso fazer com cada segundo e tenho um milénio vazio pela frente.

terça-feira, 1 de março de 2005

c:\windows\home












agora que a lua diminui, vais entrar pelo terraço e atravessar as vidraças sem as abrires. sei-te a inundar de luz e risos os lençóis que sobram deste livro. hoje foste a sheherazade de sassetti nas palavras de manuel de freitas. foi lindo mas não era o axioma frágil do teu corpo.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

arts












nunca serei o náufrago
que não resgatas do porto.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

oblíquo infinito















o desamor com o medo
a verdade com o desejo
o tempo com a virtude
não confundas o amor com a noite
que é um caminho para rasgar

o que tens pela frente
diante de cada noite
é um dia inteiro para erguer
na gratidão e na procura
o que se estende a partir
daquele abraço

sarah adamopoulos
(colaboração para um mundo imaginado)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

vinte












tenho em caixas separadas
vinte prendas que me deste

guardo o meu tesouro
de vidro o pó saboreado
ao contrário de sisífo
cada pedaço
a cada momento

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

robert frank no macba*












cinquenta anos depois robert aparece num filme com a expressão que fotografou em londres em 1951. naquele dia não sabia que fazia um auto-retrato. foi nesse ano que nasceu pablo, o filho, e começaram a desaparecer os amigos e os lugares. robert escreveria depois, a sangue, "sick of goodbies". e não mais disse a palavra sarnosa. alimenta-se da criatividade obsessiva da companheira que todos os dias o surpreende. talvez sejam os gritos dela que o guiam na sua cegueira. depois das fotografias. depois dos filmes.

arguments, robert frank;
9 de fevereiro a 8 de maio
museu de arte contemporânea de barcelona
(depois da tate de londres).

sábado, 19 de fevereiro de 2005

erato















she forgets. she tries to forget. for the moment. for the duration of these moments.

dictee, theresa hak kyung cha.
university of california press, 2001.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

theresa hak kyung cha












She waits inside the pause. Inside her. Now. This very moment. Now. She takes rapidly the air, in gulfs, in preparation for the distances to come. The pause ends.

o sonho da audiência, fundació antoni tàpies. barcelona.

volto já...