sexta-feira, 25 de novembro de 2005

1000 asas


se olhares bem para mim
sou hoje um edifício em obras
com uma fotografia na fachada
para distrair do barulho das obras

(quase um ano sem sontag)

terça-feira, 22 de novembro de 2005

schiele outra vez


no mesmo outono volto a schiele, talvez porque "os corpos têm a sua própria luz que gastam na vida: ardem, não são iluminados." era ele que assim dizia quando falava dos seus quadros. "a imagem deve dar luz por ela própria". esta citação abre o fantástico livro de vasco gato: a prisão e paixão de egon schiele (&etc, 2005). deixo aqui o "Laboratório":


E o amor? Fala-me do amor. Não percebo, não percebo o que cabe em seis letras, o que cabe em quatro. E se isso possui a sua vertigem mortal, é belo como as grandes falésias escarpadas. Se eu me lançar. Se eu beijar em plena queda. Se eu ludibriar o voo dos anjos cegos e subitamente apresentar a levitação como um talento desesperado. Se eu devorar o meu próprio grito e os seus mil ecos e ficar apenas balbuciando diante do deserto.

Mas não me falaste do amor. Dois músculos obedecendo a dois nervos. A forma como dois amputados caminham abraçados. Não, espera, não o digas assim. Não há assim, há a imagem e o sangue da imagem e a vida enfeitiçada da imagem subindo pelos braços como uma serpente. Claro que a cabeça estoura. Não há outra forma de o dizer.

Exemplos:
dezembro é uma piscina turva;
a noite são quatro mulheres de cabelos soldados;
o mérito é um veneno e a culpa é um veneno e o consentimento é um veneno.

Ou ainda:
é o meu quarto e nele perderás as mãos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

weekend


friday
restate my assumptions
the writer writes for himself
not for you

saturday
restate my assumptions
a song is not a song
until it's listened to

__________________________________
divine comedy
note to self - regeneration, 2001.

tradução:
sexta-feira é assim, amanhã é no coliseu do porto para ouver sigur rós.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

tpc: a poesia



"a poesia salva-nos dos sonhos maus"

diogo francisco, 9 anos.
escola 39, coimbra.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

s/ título


(s/ título - vitor pomar, 1983)

se eu escrevesse contra a memória, pina
não escrevia amsterdão, silêncio, bimhuis

se eu parasse, de repente, de encontrar as letras sarnosas, cam
esgrimia no ar um grito, demente e bêbedo, e parava de abrir rimbaud

se eu caísse numa página tão branca, walser
sangraria quente e espalharia com os dedos
todos os nomes que me erguem neste inferno

domingo, 6 de novembro de 2005

ppr: letras maiores




abusei das palavras escritas na sombra sobre minúsculas mortalhas de cigarros. resta-me agora ler as letras maiores e esse é o primeiro critério nos dias que correm. espero assim com ansiedade cada novo volume da colecção 'outras histórias' da teorema. em outubro chegou mais um sebald e como não sei quando chegará o próximo leio mais devagar, como aliás ele merece. demorei-me longamente num jantar com uma entrada de espargos verdes, folhas jovens de espinafres marinadas, brocolos em manteiga e batatas novas cozidas em água aromatizada com menta. mais tempo ainda por entre uma horta selvagem duma casa que lembra uma outra na charente com uma fachada copiada de versailles. num gesto que não me recordo de fazer com outros livros corro a procurar a assinatura do senhor das últimas páginas. desta vez não veio. passo então algum tempo nas montanhas. coloco no leitor de cd's o 'alina' de arvo pärt. é mais fácil respirar assim e ler neste compasso. era assim devagar que andava o tempo quando eu era emigrante. volto atrás várias vezes e repito a leitura do primeiro conto. sinto que cuido deste livro com se de um ppr se tratasse.

sábado, 5 de novembro de 2005

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

aurora


há um fotograma que passa no escuro do nimas que condensa todo o fado que murnau escreveu em luz e sombra. era tilsit e corria o ano de 1927.

domingo, 30 de outubro de 2005

schiele e lbs



é bom saber que estamos no outono em boa companhia. saber que há schiele e persiste um ponto negro que gosta do vento na serra porque ele se assemelha inexplicavelmente ao voo.

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

cc: la vie en rose


Des yeux qui font baisser les miens,
Un rire qui se perd sur sa bouche,


a noite passada:
na salle des pas perdus,
le jazz et le gin
la mer opale
l'ombre et la lumiére

la vie en rose

com cc, a irmã de bb.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

ontem será sempre*


os novembro (miguel mendonça, joão pécurto e mark harding) deram ontem um concerto memorável no mítico corredor da ruc. o ricardo mariano do vidro azul organizou e transmitiu em directo com emoção.
quem esteve lá ou ouviu nos 107.9 fm sabe do que falo. quem não ouviu pode ainda fazê-lo. a repetição vai para o éter na noite de sábado para domingo pelas duas da manhã.

rádio universidade de coimbra 107.9 fm
ou na internet aqui.

parabéns e obrigado ao ricardo mariano e aos novembro.

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

na universidade com mestre bongo



na universidade de mestre bongo, onde se cultiva a preguiça e se entra de preferência com zero a tudo, temos agora o movimento dada como trabalho para casa, ruas ou praças.

bibliografia:
o dossier especial sobre o dadaismo publicado no número de outubro da revista "le magazine littéraire". atenção especial a tristan tzara, hugo ball, jean arp e hans richter e ainda à expansão do movimento de zurique a berlim, hanover, paris e nova iorque.
(infelizmente ainda não está disponível no site do "le magazine littéraire" a edição de outubro).

pesquisa na biblioteca:
aconselha o mestre uma passagem demorada pelas reproduções de documentos dada que se encontram na digital dada library.

viagem de estudo:
exposição dada
5 de outubro de 2005 a 9 de janeiro de 2006 no centro georges pompidou em paris.

si tu disais (on y va)*












si tu disais on y va
si tu disais j'en tellement
marre d'être ici
je t'écouterais crois moi
je n'hésiterais pas
et que ce soit pour une ville
ou pour un bled, un bout de terre
paumé, crois moi
ça n'me défriserait pas
je serais prête comme si j'attendais
si tu disais jusque là
on s'est contenté de rien et ça va un peu
je t'approuverais, crois moi
je répondrais "c'est vrai"
chaque pan de murs, chaque fissure
je connais trop le dessin de cet endroit là
oh si tu disais ça
je serais prête comme si j'attendais
si tu disais on y va
si tu disais que pour nous c'est le bon moment
je t'écouterais crois moi
je suis prête depuis longtemps
mais tu n'dis rien de tout ça
tu n'décides rien et je n'sais pas
si tu as idée
de ce qu'on pourrait faire
je me demande pourquoi tu es là

(as palavras de dominique ané cantadas ontem, no tagv, por françoiz breut)

terça-feira, 11 de outubro de 2005

a cidade do conhecimento


quanto tempo é preciso para deixar uma cidade e partir para outra? porque ficamos? reinventamos o olhar nos mesmos lugares, procurando uma qualquer cidade invisivel de calvino, onde sempre estiveram as mesmas pessoas ou os mesmos gestos repetidos?
será coimbra a sofronia de calvino, a cidade com duas metades: uma permanente outra temporária? numa metade o circo e a montanha russa, o carrossel e os trapézios, na outra, o mármore e os palácios, as escolas e as fábricas. quanto tempo faltará para levantar as pedras e fazer ruir as paredes dos edifícios temporários? em sofronia, havia um dia certo para a mudança. todos os anos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

verkünden der eklipse







pinakothek der moderne
münchen~09~2005.

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

dia noite



segunda-feira
quando a noite enganar o dia,
esquecerei tudo
e reaprenderei de novo.

outras palavras,
outra luz,
outros hinos.

espera-me do outro lado
e ensina-me outra vez
o olhar do lobo

terça-feira, 27 de setembro de 2005

fellini e eu


"Le cose piú vere sono quelle che ho inventato"
(F. Fellini)

o professor pio de abreu escreverá decerto no seu livro "como tornar-se um doente mental" algo sobre esta sensação que corresponde à frase de fellini. acabei por não ler o livro, leram-me em voz alta alguns fragmentos e acabei por nunca o escolher na prateleira. eu subscreveria as palavras do mestre de oito e meio. citar alguém não é isso mesmo?

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

o regresso às aulas


para quem quer regressar às aulas, aconselha-se este ano a universidade de mestre bongo, onde se entra de preferência com zero a tudo, se promove o ensino à distância (quanto mais longe melhor) e onde se cultiva o direito à preguiça.

domingo, 11 de setembro de 2005

intermezzo (ouvindo brad mehldau)


||||ao||||domingo|||,ébano||||e|||||marfim|||||vigiam-me||||a||||saudade.||||

prelúdio



numa sala vazia,
a arquitectura do silêncio.

os primeiros passos
depois da porta
entraram e saíram
da caixa do piano
como se eu viesse ter comigo

se hoje fosse domingo
e me encontrasse
a minha oração seria
steinway

sábado, 10 de setembro de 2005

agenda: françoiz breut & bastien lallemant



A Rádio Universidade de Coimbra orgulha-se de apresentar, pela primeira vez em Portugal e em data única, dois dos nomes mais representativos do movimento designado por nova música francesa: Françoiz Breut e Bastien Lallemant. Quinta-feira, dia 13 de Outubro, no Teatro Académico de Gil Vicente, uma noite muito especial comemora a nova grelha da RUC.
Inseridos na linha musical de Jeanne Cherhal, Vincent Delerm ou Thomas Fersen, Breut e Lallemant integram o prestigiado catálogo da editora Tôt ou Tard que este ano comemora 10 anos de actividade.

Françoiz Breut lançou em 2005 "Une Saison Volée", o seu terceiro álbum de originais (o primeiro na etiqueta Tôt ou Tard), bastante aclamado pela crítica especializada. A artista já colaborou com nomes tão variados como Yann Tiersen ou Joey Burns (Calexico). Na primeira parte desta noite dedicada à chanson française, actua Bastien Lallemant, uma recente revelação que dá a conhecer o seu segundo e reconhecido trabalho "Les Érotiques".

Uma oportunidade única para ouvir também o tema de Lhasa "La confession", um dueto de Breut e Lallemant que integra a edição comemorativa dos 10 anos da Tôt ou Tard.

Numa só noite, dois concertos a não perder. Para recordar mais tarde ou mais cedo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

sarah adamopoulos



a sarah adamopoulos tem um pais dentro dela. escreve livros que podiam ser cancoes, fotografias, filmes, quadros ou instalacoes. a partir de hoje esta disponivel o seu ultimo olhar sobre o portugal contemporaneo. a ler.

fado menor - sarah adamopoulos.
oficina do livro, 2005.

domingo, 4 de setembro de 2005

vertigens












tenho vertigens nos ultimos dias de verao, nos primeiros versos de isadore ducasse, nos ultimos olhares para o cais, nos primeiros minutos de cada manha, na espera pelo manto fresco dos dias por vir, ao tocar as paginas por ler que guardei nos poucos bolsos que tinha numa tarde tao quente no cimo daquela mata que ja nao e. tinha vertigens quando gravei cigarras e sms, as fotos do bonirre e as noites em que nao escrevi nada porque tinha as maos, os bracos, os olhos e todo o peito presos numa ideia de mim que nunca serei.

domingo, 28 de agosto de 2005

traduzir-se












Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

auto-ajuda















Self-Portrait with Smiling-Aid,
Gottfried Helnwein - 1972.

devo escrever regularmente algumas linhas
para me lembrar a mim próprio
que me faz muito bem pensar que a auto-ajuda
como sinal deste tempo
me irrita cada vez mais.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

holidays












não vou à praia, vivo de noite, apenas sou visto num edifício que frequento cuidadosamente depois da meia-noite onde somente um e sempre o mesmo segurança esboça um cumprimento, igual a um espasmo fraco e cinzento como as paredes abandonadas à tranquilidade estival. recebo curiosas mensagens no atendedor de preocupação familiar e amiga. a mais estranha de todas recebi-a de um amigo, que sempre viveu protegido pela noite e pelas palavras. "não te estás a preparar para repetir a história do avelino arredondo?"

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

fotoblog


mercado das especiarias, istambul - 2005.

alcaravia, caril, cardamomo, chá,
cerefólio, caril, cravoária, chá,
curcuma, caril, gengibre, chá,
noz-moscada, caril, paprica, chá,
pimenta (verde, preta ou branca),
caril, zimbro e chá!

terça-feira, 16 de agosto de 2005

intervalo para poesia












Tu es le grand soleil
qui me monte à la tête*


*accroche da lancôme para o lançamento do perfume poême em 1998.
dois versos do poema "je t'aime" de paul éluard cantado no final dos anos 60 por yves montand.

sábado, 6 de agosto de 2005

5:47












quase seis na torre de são paulo
e arde ainda tudo o que sabemos e nunca seremos
numa babel que podia ter sido aqui

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

most wanted












do livro de herman melville, a realização de jonathan parker (2001).

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

noite taurina












enquanto tento reunir notas para a redacção do livro de um outro mundo imaginado, polux retorce-se no sofá. cita vila-matas* que cita "o doce clima de lesbos" de elena villena:

este relato obriga a sua autora a aceitar a regra da tauromaquia, que, como se sabe, persegue um objectivo essencial: além de a obrigar a pôr-se seriamente em perigo, a não se desfazer de qualquer modo do seu adversário (o seu êxito dependerá de um bom domínio da técnica), a regra impede que o combate seja uma simples carnificina; tão exigente como a de um ritual, oferece um aspecto táctico (preparar o leitor para receber uma estocada mortal, embora sem o fatigar mais que o necessário durante o combate) e um aspecto estético, também contido muito especialmente no termo da lide: fechar o livro será para o leitor como fechar a lousa que cobrirá a sua tumba.

- não polux, a este livro não se pode aplicar a regra. é outra coisa.
ele franze o sobrolho ao ler-me os lábios.
- cansa-me essa tua mania de pensares o tempo todo em escrever coisas diferentes. escreve igual aos outros, à tua maneira, e arruma de vez esse livro.

* a assassina ilustrada, enrique vila-matas
campo das letras, 2005.

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

noite












polux, o meu gato surdo, propõe-me que reinventemos o mundo enquanto todos dormem. eu que acreditei sempre na clarividência do silêncio não estou em condições de o contrariar. começa assim a grande noite de um mundo imaginado.

domingo, 31 de julho de 2005

a formosa pintura do mundo












primeiros dias de férias.
primeiro plano: a formosa pintura do mundo, frederico lourenço (cotovia, 2005).

quinta-feira, 28 de julho de 2005

quarta-feira, 27 de julho de 2005

n.y.c. - beira alta












olho e vejo,
em cima da secretária, uma maçã
não sei se é o modo como olho para ela,
assimétrica e real,
mas parece-me em tudo igual
às que pousavam na mesa das professoras
primárias, as meninas de vestido de chita

no outro dia vi tribeca
depois uma avenida com número
hoje volto a ver pomares
beira alta beira alta

digo-te se perguntares
passo este verão em viagem
à volta de uma maçã

beijar oliveiras












olive branch, bird's nest - jo self 2002.
_______________________________________________

na semana passada visitei a juno doran em deptford. encontrei-lhe o olhar sobre o país distante que já tinha visto nas palavras de maria de sousa, agostinho da silva e jorge de sena. a ela a distância aumenta a ternura poética. despediu-se com um pedido para "beijar as oliveiras em portugal". sorri e dei mais atenção às oliveiras. este fim de semana, quando atravessava o alentejo, cumpri o pedido. na próxima visita levo-lhe o pires cabral.

quarta-feira, 20 de julho de 2005

ondaatje diz












descobri michael ondaatje numa loja de livros a duas libras, assim mesmo, em greenwich. não me lembro do nome, se tinha, mas não fica a mais de vinte metros do que sobra do cutty sark em doca seca. não caberia, decerto, nas livrarias do mal. o que importa é trazer os livros para a rua e procurar a trafalgar tavern de lord nelson ao lado do real colégio naval ou subir o parque em direcção ao observatório e escolher um tronco forte para descobrir que a poesia de ondaatje salva um dia. ninguém mais sabe, para lá do paciente inglês, onde fica o humor e a inteligência de ondaatje. quase como um segredo página a página. se tiverem sorte podem ouvir uma outra no smoking band sem kusturica em equilibrio na fina linha do meridiano que atravessa uma tarde de domingo inesquecível.

the cinnamon peeler


















If I were a cinnamon peeler
I would ride your bed
and leave the yellow bark dust
on your pillow.

Your breasts and shoulders would reek
you could never walk through markets
without the profession of my fingers
floating over you. The blind would
stumble certain of whom they approached
though you might bathe
under the rain gutters, monsoon.

Here on the upper thigh
at this smooth pasture
neighbour to your hair
or the crease
that cuts your back. This ankle.
You will be known among strangers
as the cinnamon peeler's wife.

I could hardly glance at you
before marriage
never touch you
- your keen nosed mother, your rough brothers.
I buried my hands
in saffron, disguised them
over smoking tar,
helped the honey gatherers...

When we swam once
I touched you in the water
and our bodies remained free,
you could hold me and be blind of smell.
You climbed the bank and said

this is how you touch other women
the grass cutter's wife, the lime burner's daughter.
And you searched your arms
for the missing perfume

and knew

what good is it
to be the lime burner's daughter
left with no trace
as if not spoken to in the act of love
as if wounded without the pleasure of a scar.

You touched
your belly to my hands
in the dry air and said
I am the cinnamon
peeler's wife. Smell me.

____________________________________
The Cinnamon Peller, Collected Poems
Michael Ondaatje
Picador, 1989.

um e o mesmo dia













pintura de stephen finer,
cortesia da art space gallery de londres


um dia
vão querer saber
da história do meu corpo
e vai faltar aquela minha outra mão
que ficou no pátio
da rua da sofia.

terça-feira, 12 de julho de 2005

praia (privada)












o cesariny deve ter
na recolha de pascoaes
um aforismo para isto
que somos agora.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

David Cruz e Andreia Barão


















Na (excelente) companhia de Boris Vian, Georges Brassens e Serge Gainsbourg, Léo Ferré, Renaud, entre outros.

Hoje no TAGV, 22h.

terça-feira, 5 de julho de 2005

sud-express 8:35
















se vieres, vem num filme de godard. abraça-me com a alegria do olhar de capra, o magnum. sussurra-me um segredo que eu não ouça com o barulho do vapor na estação, mas imagine as palavras pelo teu perfume. que eu te imagine como queira. e vem de comboio. não me digas de onde que vou pensar umas vezes em montparnasse e noutras em baiona ou biarritz e, mais que tudo, não pares de chegar.

segunda-feira, 4 de julho de 2005

o meu começo












a madrugada desponta e mais um dia
se prepara para o calor e o silêncio. no mar o vento da madrugada
encrespa-se e desliza. eu estou aqui
ou ali, ou algures. no meu começo.
___________________________________________
east coker, quatro quartetos - t. s. eliot.