sábado, 4 de fevereiro de 2006

1bsk



sou dos blogs que citarem hoje 1bsk.

(entrevista alargada a alexandre andrade. hoje no mil folhas - jornal público).

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

agenda


brad mehldau trio, casa da música, porto.
sábado, 11 de fevereiro pelas 22 horas.

Arrojado e inovador na sua interpretação musical, este jovem músico de 35 anos foi convidado a participar nas bandas sonoras de «Meia-noite do Jardim do Bem e do Mal», de Clint Eastwood, «De Olhos Bem Fechados», de Stanley Kubrick e «Million Dollar Hotel» de Wim Wenders. Além destas colaborações, compôs a banda sonora original para o filme francês «Ma Femme est une Actrice».

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

periférica: célia doran


The girl who was swallowed by her own shadow
Célia Doran 2005, Oil on canvas 150 x 100 cms.

na próxima e última periférica (edição nº14, inverno de 2006):

a pintora portuguesa que em julho me mostrou este quadro "in progress" e que enviou dos mary ann gardens um beijo para as oliveiras em portugal.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

o medo


o medo
do destino que diminui
o que é pequeno

o medo do que se desconhece
em alguém
de que se conhece tanto

o medo de partir,
de ousar
ou de mostrar
outro caminho

ontem
o medo.

o medo
de ontem.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

the burden of her memories


the burden of memories, ray caesar.

penso-me como mudança, em cada momento renasço e com facilidade apago todo o céu e desenho outras estrelas. esquecer tudo o que ouvi, vi ou pensei ajuda-me a olhar no instante seguinte cada situação como desconhecida. treinei durante anos o entusiasmo das descobertas. ela, a rapariga da janela que discreta me espreita, guarda na memória todos os meus gestos e discursos. como eu gosto dela assim contemplativa e como detesto o peso do passado com que ela me castiga.

sábado, 7 de janeiro de 2006

haja o que houver (um sublinhado)


"the past beats inside me like a second heart".

the sea, john banville.
picador, 2005.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

haja o que houver (adenda)



"a ruminante paciência que há na espera"

a um deus surdo
variações em sousa, fernando assis pacheco.
angelus novus - cotovia, 2004.

era este verso que ontem não consegui citar de memória.

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

haja o que houver



passaram por mim os amanheceres perdidos e as tardes tristes e durante anos eu chorava quando ouvia os versos de "haja o que houver" na voz de teresa salgueiro. a comoção das esperas eternas, a poesia de um cais que não se larga. coreografei mesmo a sinfonia sensorial que acompanhava a frase em que eu dizia "olha para mim, esperei por ti". repeti depois a fórmula a múltiplas situações: cada vez que acenava um adeus, escrevia uma mensagem mais ou menos instantânea ou pensava no amor adiado. veio depois o tempo em que ouvia em loop catatónico os mesmos versos até saturar o último receptor nervoso. ensinou-me a lígia, há uns anos na terapia comportamental, que vem nesse momento a serenidade absoluta e a sensação de que nada se passou afinal. "vem serenidade, és minha" eram os versos que eu repetia na auto-medicação em ambulatório. passei depois a evitar os madredeus, como fizera antes para os eagle, o peter frampton ou mozart. tudo pertence ao passado e não se pode viver, voltar ou esperar o avesso do tempo. "haja o que houver".

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

la muerte y los sombreros



nada se compara à escrita sobre o amor e a morte. rosa montero demonstrou-o este fim de semana no el país semanal (la muerte y los sombreros). a ler.


foto: fuzilamentos de comunistas em llerena.

começar de novo


a rute do lugar da incerteza e de um pássaro no lugar do coração está de volta com nenhuma palavra nos salva.
escolheu versos de casimiro de brito, o prémio europa de poesia 2005, num modo de dizer:

dizê-lo porém não sei de outro modo que não seja
cantar, cantar e arranhar
a velha cicatriz


o livro das quedas, casimiro de brito.
roma editora, 2005.

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

movimentos no escuro - josé miguel silva


Um ser humano é um combinado de egoísmo,
sofrimento e necessidade. Não comove ninguém.
Uma pedra não comove ninguém. A beleza
é um acidente banal e pressupõe a morte;
muitas vezes se rodeia de sandice, e se nos fala,
chega a ser assustador. A inteligência, refrescante
como um duche, sabe bem, no Estio; mas agora,
que é Inverno toda a vida, que lugar atribuir
à inteligência? O de criada de servir nos aposentos
da ganância. Não comove, é evidente, ninguém.
A bondade, sim, comove. Mas é tão débil
e tão rara que ninguém a ouve. Não é fácil,
assim, encontrar algo que possamos amar. Eu
tenho procurado, eu juro que não sei o que fazer:
tudo me parece, até a música, produto de uma falha.
Vou por essas ruas ao acaso e não acerto a conhecer
quem me convença que bem outra poderia ser
a vida. Tudo se mostra sob espelhos deformantes,
tudo arde numa estranha aceitação. Francamente,
não consigo perceber. E gostava tanto, mas tanto,
que alguém me demonstrasse que não tenho razão.
____________________________________________
morangos silvestres - ingmar bergman (1957)
movimentos no escuro, josé miguel silva.
relógio d'água, novembro 2005.

este livro de poemas de josé miguel silva, fala sobre o escuro, quase sempre de cinema. a excepção é uma noite que motiva um poema com o título "bayern de munique 1 x f. c. porto 2 - artur jorge (1987)". em 2005 o melhor veio no fim.

domingo, 18 de dezembro de 2005

ao sol com eliot



que está fazer o fim de novembro
com o alvoroço da primavera(?)

east coker
quatro quartetos, t. s. eliot.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

is that all there is? then let's keep dancing...



caminharam pela west 51st street de braço dado, numa noite branca de dezembro. entraram no clube e ela sussurrou palavras ternas e roucas em alemão. quando dançavam, ele cometeu o erro fatal do desfasamento num meio tom de uma qualquer música brasileira. ela vingou-se um tempo depois e usou o humor no momento em que ele suspirava. a voz dela continuou em falsetes inesperados. ele sentou-se ao piano e não mais se levantou. quando a noite terminou e ela dançava sozinha na sala, ele perguntou "porque não me levas a sério?". ela olhou-o nos olhos e já não viu o brilho dos passeios em manhattan. respondeu apenas: "is that all there is? then let's keep dancing...".


a despropósito do espectáculo de vera mantero (voz) e nuno vieira de almeida (piano) no pequeno auditório do centro cultural vila flôr em guimarães. sexta-feira, dia 16 pelas 22 horas.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

outra folha ainda


é no outono que verdadeiramente me morres como as árvores. guardo-te então dentro dos livros como se tentasse esconder um estação inteira no meio das folhas para esquecer.

terça-feira, 29 de novembro de 2005

agenda


Exposição de fotografia "Invólucro"
Trabalhos realizados no Curso de Fotografia Criativa
orientado por Javier Diaz.

Da realidade escondida à realidade construída, passando pelas incertezas da percepção e das coisas e dos seus significados, os autores focalizaram a sua atenção em diferentes abordagens sobre o tema "o invisível no visível".

Inauguração no Sábado, dia 3 de Dezembro.
19 horas no Quebra Club no Parque Verde do Mondego;
23 horas no Quebra-Costas à Sé Velha, Coimbra.

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

1000 asas


se olhares bem para mim
sou hoje um edifício em obras
com uma fotografia na fachada
para distrair do barulho das obras

(quase um ano sem sontag)

terça-feira, 22 de novembro de 2005

schiele outra vez


no mesmo outono volto a schiele, talvez porque "os corpos têm a sua própria luz que gastam na vida: ardem, não são iluminados." era ele que assim dizia quando falava dos seus quadros. "a imagem deve dar luz por ela própria". esta citação abre o fantástico livro de vasco gato: a prisão e paixão de egon schiele (&etc, 2005). deixo aqui o "Laboratório":


E o amor? Fala-me do amor. Não percebo, não percebo o que cabe em seis letras, o que cabe em quatro. E se isso possui a sua vertigem mortal, é belo como as grandes falésias escarpadas. Se eu me lançar. Se eu beijar em plena queda. Se eu ludibriar o voo dos anjos cegos e subitamente apresentar a levitação como um talento desesperado. Se eu devorar o meu próprio grito e os seus mil ecos e ficar apenas balbuciando diante do deserto.

Mas não me falaste do amor. Dois músculos obedecendo a dois nervos. A forma como dois amputados caminham abraçados. Não, espera, não o digas assim. Não há assim, há a imagem e o sangue da imagem e a vida enfeitiçada da imagem subindo pelos braços como uma serpente. Claro que a cabeça estoura. Não há outra forma de o dizer.

Exemplos:
dezembro é uma piscina turva;
a noite são quatro mulheres de cabelos soldados;
o mérito é um veneno e a culpa é um veneno e o consentimento é um veneno.

Ou ainda:
é o meu quarto e nele perderás as mãos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

weekend


friday
restate my assumptions
the writer writes for himself
not for you

saturday
restate my assumptions
a song is not a song
until it's listened to

__________________________________
divine comedy
note to self - regeneration, 2001.

tradução:
sexta-feira é assim, amanhã é no coliseu do porto para ouver sigur rós.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

tpc: a poesia



"a poesia salva-nos dos sonhos maus"

diogo francisco, 9 anos.
escola 39, coimbra.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

s/ título


(s/ título - vitor pomar, 1983)

se eu escrevesse contra a memória, pina
não escrevia amsterdão, silêncio, bimhuis

se eu parasse, de repente, de encontrar as letras sarnosas, cam
esgrimia no ar um grito, demente e bêbedo, e parava de abrir rimbaud

se eu caísse numa página tão branca, walser
sangraria quente e espalharia com os dedos
todos os nomes que me erguem neste inferno

domingo, 6 de novembro de 2005

ppr: letras maiores




abusei das palavras escritas na sombra sobre minúsculas mortalhas de cigarros. resta-me agora ler as letras maiores e esse é o primeiro critério nos dias que correm. espero assim com ansiedade cada novo volume da colecção 'outras histórias' da teorema. em outubro chegou mais um sebald e como não sei quando chegará o próximo leio mais devagar, como aliás ele merece. demorei-me longamente num jantar com uma entrada de espargos verdes, folhas jovens de espinafres marinadas, brocolos em manteiga e batatas novas cozidas em água aromatizada com menta. mais tempo ainda por entre uma horta selvagem duma casa que lembra uma outra na charente com uma fachada copiada de versailles. num gesto que não me recordo de fazer com outros livros corro a procurar a assinatura do senhor das últimas páginas. desta vez não veio. passo então algum tempo nas montanhas. coloco no leitor de cd's o 'alina' de arvo pärt. é mais fácil respirar assim e ler neste compasso. era assim devagar que andava o tempo quando eu era emigrante. volto atrás várias vezes e repito a leitura do primeiro conto. sinto que cuido deste livro com se de um ppr se tratasse.

sábado, 5 de novembro de 2005

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

aurora


há um fotograma que passa no escuro do nimas que condensa todo o fado que murnau escreveu em luz e sombra. era tilsit e corria o ano de 1927.

domingo, 30 de outubro de 2005

schiele e lbs



é bom saber que estamos no outono em boa companhia. saber que há schiele e persiste um ponto negro que gosta do vento na serra porque ele se assemelha inexplicavelmente ao voo.

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

cc: la vie en rose


Des yeux qui font baisser les miens,
Un rire qui se perd sur sa bouche,


a noite passada:
na salle des pas perdus,
le jazz et le gin
la mer opale
l'ombre et la lumiére

la vie en rose

com cc, a irmã de bb.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

ontem será sempre*


os novembro (miguel mendonça, joão pécurto e mark harding) deram ontem um concerto memorável no mítico corredor da ruc. o ricardo mariano do vidro azul organizou e transmitiu em directo com emoção.
quem esteve lá ou ouviu nos 107.9 fm sabe do que falo. quem não ouviu pode ainda fazê-lo. a repetição vai para o éter na noite de sábado para domingo pelas duas da manhã.

rádio universidade de coimbra 107.9 fm
ou na internet aqui.

parabéns e obrigado ao ricardo mariano e aos novembro.

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

na universidade com mestre bongo



na universidade de mestre bongo, onde se cultiva a preguiça e se entra de preferência com zero a tudo, temos agora o movimento dada como trabalho para casa, ruas ou praças.

bibliografia:
o dossier especial sobre o dadaismo publicado no número de outubro da revista "le magazine littéraire". atenção especial a tristan tzara, hugo ball, jean arp e hans richter e ainda à expansão do movimento de zurique a berlim, hanover, paris e nova iorque.
(infelizmente ainda não está disponível no site do "le magazine littéraire" a edição de outubro).

pesquisa na biblioteca:
aconselha o mestre uma passagem demorada pelas reproduções de documentos dada que se encontram na digital dada library.

viagem de estudo:
exposição dada
5 de outubro de 2005 a 9 de janeiro de 2006 no centro georges pompidou em paris.

si tu disais (on y va)*












si tu disais on y va
si tu disais j'en tellement
marre d'être ici
je t'écouterais crois moi
je n'hésiterais pas
et que ce soit pour une ville
ou pour un bled, un bout de terre
paumé, crois moi
ça n'me défriserait pas
je serais prête comme si j'attendais
si tu disais jusque là
on s'est contenté de rien et ça va un peu
je t'approuverais, crois moi
je répondrais "c'est vrai"
chaque pan de murs, chaque fissure
je connais trop le dessin de cet endroit là
oh si tu disais ça
je serais prête comme si j'attendais
si tu disais on y va
si tu disais que pour nous c'est le bon moment
je t'écouterais crois moi
je suis prête depuis longtemps
mais tu n'dis rien de tout ça
tu n'décides rien et je n'sais pas
si tu as idée
de ce qu'on pourrait faire
je me demande pourquoi tu es là

(as palavras de dominique ané cantadas ontem, no tagv, por françoiz breut)

terça-feira, 11 de outubro de 2005

a cidade do conhecimento


quanto tempo é preciso para deixar uma cidade e partir para outra? porque ficamos? reinventamos o olhar nos mesmos lugares, procurando uma qualquer cidade invisivel de calvino, onde sempre estiveram as mesmas pessoas ou os mesmos gestos repetidos?
será coimbra a sofronia de calvino, a cidade com duas metades: uma permanente outra temporária? numa metade o circo e a montanha russa, o carrossel e os trapézios, na outra, o mármore e os palácios, as escolas e as fábricas. quanto tempo faltará para levantar as pedras e fazer ruir as paredes dos edifícios temporários? em sofronia, havia um dia certo para a mudança. todos os anos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

verkünden der eklipse







pinakothek der moderne
münchen~09~2005.

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

dia noite



segunda-feira
quando a noite enganar o dia,
esquecerei tudo
e reaprenderei de novo.

outras palavras,
outra luz,
outros hinos.

espera-me do outro lado
e ensina-me outra vez
o olhar do lobo

terça-feira, 27 de setembro de 2005

fellini e eu


"Le cose piú vere sono quelle che ho inventato"
(F. Fellini)

o professor pio de abreu escreverá decerto no seu livro "como tornar-se um doente mental" algo sobre esta sensação que corresponde à frase de fellini. acabei por não ler o livro, leram-me em voz alta alguns fragmentos e acabei por nunca o escolher na prateleira. eu subscreveria as palavras do mestre de oito e meio. citar alguém não é isso mesmo?

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

o regresso às aulas


para quem quer regressar às aulas, aconselha-se este ano a universidade de mestre bongo, onde se entra de preferência com zero a tudo, se promove o ensino à distância (quanto mais longe melhor) e onde se cultiva o direito à preguiça.

domingo, 11 de setembro de 2005

intermezzo (ouvindo brad mehldau)


||||ao||||domingo|||,ébano||||e|||||marfim|||||vigiam-me||||a||||saudade.||||

prelúdio



numa sala vazia,
a arquitectura do silêncio.

os primeiros passos
depois da porta
entraram e saíram
da caixa do piano
como se eu viesse ter comigo

se hoje fosse domingo
e me encontrasse
a minha oração seria
steinway

sábado, 10 de setembro de 2005

agenda: françoiz breut & bastien lallemant



A Rádio Universidade de Coimbra orgulha-se de apresentar, pela primeira vez em Portugal e em data única, dois dos nomes mais representativos do movimento designado por nova música francesa: Françoiz Breut e Bastien Lallemant. Quinta-feira, dia 13 de Outubro, no Teatro Académico de Gil Vicente, uma noite muito especial comemora a nova grelha da RUC.
Inseridos na linha musical de Jeanne Cherhal, Vincent Delerm ou Thomas Fersen, Breut e Lallemant integram o prestigiado catálogo da editora Tôt ou Tard que este ano comemora 10 anos de actividade.

Françoiz Breut lançou em 2005 "Une Saison Volée", o seu terceiro álbum de originais (o primeiro na etiqueta Tôt ou Tard), bastante aclamado pela crítica especializada. A artista já colaborou com nomes tão variados como Yann Tiersen ou Joey Burns (Calexico). Na primeira parte desta noite dedicada à chanson française, actua Bastien Lallemant, uma recente revelação que dá a conhecer o seu segundo e reconhecido trabalho "Les Érotiques".

Uma oportunidade única para ouvir também o tema de Lhasa "La confession", um dueto de Breut e Lallemant que integra a edição comemorativa dos 10 anos da Tôt ou Tard.

Numa só noite, dois concertos a não perder. Para recordar mais tarde ou mais cedo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

sarah adamopoulos



a sarah adamopoulos tem um pais dentro dela. escreve livros que podiam ser cancoes, fotografias, filmes, quadros ou instalacoes. a partir de hoje esta disponivel o seu ultimo olhar sobre o portugal contemporaneo. a ler.

fado menor - sarah adamopoulos.
oficina do livro, 2005.

domingo, 4 de setembro de 2005

vertigens












tenho vertigens nos ultimos dias de verao, nos primeiros versos de isadore ducasse, nos ultimos olhares para o cais, nos primeiros minutos de cada manha, na espera pelo manto fresco dos dias por vir, ao tocar as paginas por ler que guardei nos poucos bolsos que tinha numa tarde tao quente no cimo daquela mata que ja nao e. tinha vertigens quando gravei cigarras e sms, as fotos do bonirre e as noites em que nao escrevi nada porque tinha as maos, os bracos, os olhos e todo o peito presos numa ideia de mim que nunca serei.

domingo, 28 de agosto de 2005

traduzir-se












Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

auto-ajuda















Self-Portrait with Smiling-Aid,
Gottfried Helnwein - 1972.

devo escrever regularmente algumas linhas
para me lembrar a mim próprio
que me faz muito bem pensar que a auto-ajuda
como sinal deste tempo
me irrita cada vez mais.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

holidays












não vou à praia, vivo de noite, apenas sou visto num edifício que frequento cuidadosamente depois da meia-noite onde somente um e sempre o mesmo segurança esboça um cumprimento, igual a um espasmo fraco e cinzento como as paredes abandonadas à tranquilidade estival. recebo curiosas mensagens no atendedor de preocupação familiar e amiga. a mais estranha de todas recebi-a de um amigo, que sempre viveu protegido pela noite e pelas palavras. "não te estás a preparar para repetir a história do avelino arredondo?"

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

fotoblog


mercado das especiarias, istambul - 2005.

alcaravia, caril, cardamomo, chá,
cerefólio, caril, cravoária, chá,
curcuma, caril, gengibre, chá,
noz-moscada, caril, paprica, chá,
pimenta (verde, preta ou branca),
caril, zimbro e chá!

terça-feira, 16 de agosto de 2005

intervalo para poesia












Tu es le grand soleil
qui me monte à la tête*


*accroche da lancôme para o lançamento do perfume poême em 1998.
dois versos do poema "je t'aime" de paul éluard cantado no final dos anos 60 por yves montand.