quinta-feira, 26 de outubro de 2006

o fabuloso destino de A.



bicycle wheel, marcel duchamp.
1913/1916/1951.



não sei quão optimistas
são os poetas e os amantes
mas, eu nunca disse:
mãe, olha sem mãos!

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Hey Lloyd I’m ready to be heartbroken



Nova grelha da RUC começa hoje.

A nova grelha 2006/07 da RUC já tem convidados. De Glasgow até Coimbra, os escoceses Camera Obscura inauguram os novos sons dos 107.9FM com belas e inspiradoras canções pop, num concerto agendado para quinta-feira, 26 de Outubro no Teatro Académico de Gil Vicente às já habituais 21h30.

Pela primeira vez em Portugal e em data única, um dos segredos mais bem guardados da indie pop - com o lançamento de «Let's Get Out of This Country», o seu mais recente álbum de originais, este sexteto conseguiu conjugar o seu estatuto de banda de culto com a conquista de admiradores num mais vasto universo pop. Recolhendo críticas favoráveis de toda a imprensa especializada, «Let's Get Out Of This Country» marca uma clara mudança em relação aos anteriores registos, «Biggest Bluest Hi Fi», «Underachievers, Please Try Harder», mostrando o desejo da banda em procurar uma produção mais cuidada e polida. Para o conseguir, rumaram à Suécia onde entraram em estúdio com Jari Haapelainen (Ed Harcourt, The Concretes), tendo daí resultado onze temas que vivem da voz doce de Tracyanne Campbell, dos teclados omnipresentes e das melodias à la Motown marcadas pela melancolia do country rock.

É neste álbum que se baseará o concerto que marca o lançamento da nova Grelha de Programas da RUC em 2006/2007. Uma noite que promete deixar saudades, mostrando em exclusivo um projecto merecedor de toda a atenção do público português.

Os bilhetes já estão à venda no TAGV, sendo possível fazer reservas através do telefone 239 855 636. Todos os pedidos de acreditações para a imprensa devem ser dirigidos a valdorio@ruc.pt.

Camera Obscura
[ http://www.camera-obscura.net ]
[ MySpace ]

a novela de carlota



escrever e não mergulhar.

swimming pool, 2003.
ontem na tv do estado.

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Abbuehl - Compass




Don't set sail!
The wind is rising and the weather none too good.
Far better come back to my house.
If there is anything you want, just tell me.
If you are cold, my body is warm.
Let us be happy together this one night.
Tomorrow the wind will have dropped;
Then you can go, and I shan't worry about you.

Feng Meng-Lung (1590-1646)
traduzido por Arthur Waley

Um dos poemas cantados por Abbuehl,
mas também James Joyce, William Carlos Williams e Abbuehl em:

Compass, Susanne Abhuehl.
ECM, 2006.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

lançamento



Livraria Almedina – Estádio Cidade de Coimbra
12 de Outubro, 5ª feira, às 21h00.

A Livraria Almedina e as Edições Afrontamento convidam V/Exª para estar presente no lançamento do livro

"Anos Inquietos: Vozes do Movimento Estudantil em Coimbra [1961-1974]",
de Manuela Cruzeiro, Rui Bebiano (orgs.)

Apresentação de Abílio Hernandez Cardoso e João Botelho
Com a presença dos entrevistados.

Neste livro reunem-se sete entrevistas (Eliana Gersão, Fernando Martinho, Carlos Baptista, Pio de Abreu, Fátima Saraiva, José Cavalheiro e Luís Carlos Januário). Estes testemunhos aqui reunidos rompem o ciclo vicioso do tudo ou nada, da euforia ou do desencanto, com que, na maioria dos casos, tem sido tratada a memória desses anos inquietos, ao mesmo tempo que oferecem deles uma visão integradora e dinâmica, muito para lá dos clichés de um certo anedotário coimbrão, de que abusam quer determinadas visões pessoais, episódicas e fragmentadas, quer mesmo obras de cariz historiográfico.

Livraria Almedina
Estádio Cidade de Coimbra
Rua D. Manuel I, n.° 26 e 28
Coimbra

terça-feira, 10 de outubro de 2006

segundo marcelo



o livro, mais um documentário para a bbc2 com ralph fiennes e felicity kendal, mais alain de botton.

The starting point of How Proust can change your Life is that a great novel can be nothing less than life-transforming. This is an unusual claim: our education system, while stressing that novels are highly worthwhile, rarely investigates why this is so. How Proust can change your Life takes Marcel Proust’s In Search of Lost Time as the basis for a sustained investigation into the power and significance of literature. Proust’s novel, almost a byword for obscurity and irrelevance, emerges as an invaluable source of insight into the workings of love, society, art and the meaning of existence.

The book reveals Proust’s thoughts on how to revive a relationship, choose a good doctor, enjoy a holiday, make friends and respond to insult. A vivid portrait of the eccentric yet deeply sympathetic author is built up out of extracts from his letters, essays and fiction and is combined with a commentary on the power of literature to change our lives. A self-help book like few others.

mais aqui, no sítio do filósofo (extractos, audio-books e vendas).

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

a novela de marcelo


o senhor a. tem sucesso nas televisões. sabe como chegar às donas de casa. foi inspiração de programas de sucesso sobre decoração, jardinagem e ajuda pessoal. escreveu um livro sobre o exemplo de marcelo (nome adaptado para se colar melhor à ideia de novela). o sofrimento de marcelo pode ajudar-nos. marcelo dependia da sua mãe joana. a sua saúde dependia dela. a mãe joana preferia o seu filho doente. marcelo fazia-lhe a vontade. anunciou várias vezes a sua morte eminente. sofria seis de cada sete dias. passava muito tempo na cama. quando a mãe joana morreu, marcelo desesperou e fechou-se em busca do tempo perdido. namorou depois alfredo que viria a morrer num acidente. o avião em que se despenhou era uma prenda de marcelo. nós podemos aprender com o sofrimento de marcelo. é assim em todas as novelas. marcelo era escritor. o senhor a. é filósofo e gostava de ser escritor. eu aprendo mais com a alegria do senhor a. do que com o sofrimento de marcelo, mas eu não ligo muito a novelas.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

república



na véspera de cada queda
há uma noite de silêncio
e fogo sépia

sobrevivem somente
(com nobreza)
a linguagem dos véus
e o olhar no escuro

será apenas uma
a princesa que volta
serena
ao trono do sol
seguinte

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

explicação da luz



a tela branca não é abstracta
será o castigo de afrodite
ou a ideia de um touro branco

ela será pasífae
ou apenas alguém que se perdeu
num momento em que nada
podia ser o que parece

as suas sombras no branco
são ao mesmo tempo a memória
e o filme de uma imagem só
única e sózinha
como se fosse possível
manter parado e em movimento eterno
o ar que se respira

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

deleuze e o outono



hoje, quando chegaram à minha fábrica os técnicos dos serviços de utilização comum, descrevi a avaria das máquinas referindo deleuze. "faltou o desejo, por isso não produzem. desculpem não consultei os manuais, tenho o meu kant", disse eu, tentando a ironia. eles não me ouviram, desmontaram tudo, demoraram-se uns instantes a substituir peças com siglas que referiam com mestria, fizeram os testes finais e pediram-me uma rubrica. despediram-se com a explicação especializada "é a mudança do tempo, o outono". eu tinha a certeza que era o desejo, a máquina do desejo.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

a imaginação*



jean cocteau.

como te imagino, ou como te conheço pela tua imagem, é profundamente diferente de te entender; posso assim forjar ideias falsas e só conhecer da tua verdade uma forma truncada. eu sei que tudo o que faço me distrai de ti mas sei também que parte deste caminho te traz mais perto.


*plagiando jean-paul sartre sem pudor, pela imagem de ti.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

a noite (ou newton outra vez)


charles ray, plank piece I (1973).


também o meu pulso estremece, josé.
abril ou setembro,
eram beijos as uvas sobre a terra.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

september is not a pleasant country*


franko b. i miss you series: oh lover boy 2000/2004

setembro é outro lugar. nunca parti para setembro como para abril. chego a setembro. frequentemente, é de noite. não sei quem chegou, quem dorme ainda. em setembro esperam de mim uma rentrée e eu caminho devagar. sei que estás em festa, pá. mas eu caminho devagar. porque setembro é outro lugar. outra estação.

* em volta de e.e. cummings "yes, is a pleasant country".

terça-feira, 12 de setembro de 2006

pescada nº 5



corpo alongado
e pouco comprimido lateralmente.
mandíbula proeminente.
dorso acinzentado; ventre branco.
espécie bentónica ou bentopelágica.
encontra-se em fundos circalitorais
e batiais (150 a 500 m).

(demora muito?)

zero em longitude


debbie fleming caffery, 2006.

- quem me dera saber quem és tu...
- aquele momento em que te esperava e não sabia as horas
- e o que queres dizer?
- falo das luzes e dos gatos e não me entendes.
- quem me dera gritar por um mundo...
- abraça-me, não posso chegar mais perto.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

fim de semana na cidade deserta



Robert Longo, Men in the Cities.
Triptych Drawings for the Pompidou, 1980-1999.
© Robert Longo

hoje 8, a noite nas escadas
xm, mau feitio, quebra

amanhã 9, a despedida ao cav
(e o volver que ainda não chegou)

depois 10, os meus cinco gatos
e colette, claro.

segunda 11, nem jornais nem tv
valha-me a fnac em dvd.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

XYK_ white night sessions - 8 de Setembro



Programa:

XM | 22:00
Apresentação do filme:
Joseph Beuys / TRANSFORMER
De John Halpern
instalação sonora: DJ Luís Fonseca

produção: Fila K cineclube, XM

Mau Feitio | all night long
Instalação: Sala de Jantar

produção: mau feitio

snacks and drinks:
Bar Quebra-Costas
Sandwich-bar Medina

design gráfico:
2Heads

Apoios:
RUC / Rádio Universidade de Coimbra
Loja da Música
Câmara Municipal de Coimbra
Rascunho

XYK é um conjunto de iniciativas temáticas de regularidade mensal que pretendem contribuir para resgatar a normalidade das noites de Coimbra. Irradiando de uma rede aberta e informal de espaços, grupos e focos de resistência cultural à apatia e indiferença, reclama-se o sentido colectivo do território da cidade como local definitivo de encontro, prazer, inteligência e desejo. Porque Coimbra ainda não existe, não tem encanto nem sei as horas.

os poemas de beuren




Ó Fortuna
variável
como a lua
sempre cresces
ou minguas


ouvi ontem a "carmina burana" na terra natal de carl orff, uma cantata com poemas reveladores da boemia academica do seculo xiii. afinal, os autores dos textos foram alunos e professores de beuren na companhia de alguns classicos (ovidio ou horacio). numa obra como esta, independentemente da qualidade da interpretacao, abandona-se sempre a sala a pensar na extraordinaria modernidade da composicao de carl orff.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

gain in translation



a serie de poemas de e.e. cummings traduzida por pedro mexia no estado civil
(para L.).

domingo, 3 de setembro de 2006

araki: 1001 noites



nobuyoshi araki, tokyo 1969-1972.

acho que era sontag que discutia em "on photography" (ou cartier-bresson, citado por ela) que uma objectiva pode agarrar todo o mundo. assim faz araki desde dos anos 60. mistura os momentos do seu dia-a-dia com fotos pessoais eroticas (o fotografo ou yoko, a senhora araki) construindo em "tokyo sexteen" 28 dipticos ocasionais e provocadores. o imaginario erotico nao necessita de muito mais para construir muitas historias. uma das melhoras facetas de uma "boa historia" pode ser a proposta de muitas outras.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

screaming



por mais que custe, só alguns habitantes da cidade de o. (polícia, proprietários e mais uns tantos) precisam de "o grito".
como dizia a nossa professora fátima, é impossivel que desapareça!
eu preferia as mugs.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Black Box/Chambre Noire



porque teatro
porque fotografia
porque o registo de vôo

William Kentridge no Museum der Moderne de Salzburgo. até 8 de Outubro.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

as viagens intermitentes



cada viagem é uma oportunidade de quebrarmos os laços de reconhecimento. algo no nosso sistema neuronal deve desligar-se por simpatia quando mudamos de lugar. um conjunto de atitudes que não perdemos muito tempo a explicar e que se relacionam com o facto de não conhecermos ou de não sermos conhecidos, tomam conta das nossas ocupações e modos de ver. estão descritos casos de evolução para cronicidade, registando-se mesmo uma alergia de residência: não se volta mais a um lugar que acumule registos de reconhecimento.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

luís quintais



antropólogo e poeta, destacado pelo bruno e pelo francisco no livro aberto. autor, entre outras coisas de "duelo", pen club poesia em 2004 e prémio luís miguel nava 2005.
aqui tão perto. a seguir atentamente no qualia.

Visões do Mundo



Vista de Delft, Jan Vermeer, 1659-1660
Óleo sobre tela, 98,5 × 117,5 cm.
________________________________________

Rua do Loreto. Todas as visões do mundo são parciais.
Como uma invenção de Vermeer
as traseiras de um edifício antigo
podem ser os limites da minha moldura.

Nada há de exaustivo
no olhar humano. A chaminé de tijolo tinge o céu
de um vermelho débil
que ele nunca teve.

Um universo de vozes,
infectos cheiros de cozinhas adjacentes, ruídos
que quebram o alheamento que sobre as fechadas
se perpetua.

Em baixo, uma varanda onde nunca está ninguém.
Nada sei da ausência que a varanda desvenda.
Do lado esquerdo, o parapeito alto confere-me a certeza
de que os meus domínios foram encontrados.

Neste perímetro de luz
procuro a consistência dos sentidos.
O território com que se abastece uma paixão descritiva,
o lastro da imaginação.
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A Imprecisa Melancolia, Luís Quintais.
Teorema, 1995.

(Ler João Luís Barreto Guimarães no Poesia & LDA, aqui.)

recomenda-se



o mmcafé do teatro maria matos
19:30 de cada domingo: jazz ao vivo.

wish list



num verão em que as livrarias foram inundadas por romances históricos, um género que começo a detestar, planeei ler uma pilha de titulos que ficaram à espera das férias. saíu tudo ao contrário, ou seja, li o que menos esperava: pedro mexia, alain de botton, pierre cabanne, boris vian, antónio munoz molina, georg trakl, poesia neerlandesa, etc.

o mais fascinante, e viciante foi, sem dúvida alain de botton (obrigado eduardo!) com textos dispersos pela arquitectura (the architecture of happiness), viagens (the art of travel) e até a filosofia como ajuda (the consolations of philosophy e how proust can change your life).

chega agora pelo babelia (el país) mais um desejo. não sei para quando a leitura.

the philosophers' secret fire: a history of the imagination
patrick harpur,
ivan r. dee, 2003.

garrel, garrel et ... hesme



"la solitude qu’il y a dans le coeur de chaque homme, c’est incroyable."

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

aus-rähmung


robert gober, sem título, 1990.
(hirshhorn museum and sculpture garden)


morte ou renovação estética:
nunca me enquadrarei nas rentrées como fronteiras.

sábado, 19 de agosto de 2006

eagerness



susan sontag por peter hujar, 1975.
(colecção permanente do metropolitan museum of art de nova york)

"do stuff. be clenched, curious. not waiting for inspiration’s shove or society’s kiss on your forehead. pay attention. it’s all about paying attention. attention is vitality. it connects you with others. it makes you eager. stay eager."

aos alunos do vassar college (ny).

sábado, 5 de agosto de 2006

tula


um verão como antónio gosta.

romance & cigarettes, john turturro (2005).

quarta-feira, 26 de julho de 2006

guerra


after lebanon, teguh ostenrik
1981, mixed media on paper, 65 x 50 cm.

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Congresso Internacional do Medo
Carlos Drummond de Andrade

a minha fábrica hopperesca


automat, edward hopper (1927).
óleo sobre tela, 67,5 x 86,4 cm.


o sector este da nave central ficou deserto. o pessoal do quadro, à falta de acções de formação e de reuniões no exterior em comissão de serviço, debandou legando ao centro de emprego a manutenção das máquinas. é agora, que os espaços se esvaziam, que sobressai o encanto das pessoas temporariamente abandonadas ou funcionalmente desajustadas. alain de botton lia nos quadros de hopper sobre restaurantes de beira de estrada, estações de serviço e aeroportos, o fascínio dos lugares tristes e da solidão temporária. assim é agora a minha sala das turbinas: hopperesca.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

a cole porter



pinakothek der modern
munique, 2005.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

vigeland




das pedras
da cidade de o. queria a força do silêncio
daquele fim de tarde de domingo.
passado o rei de espanha,
passado o teu ensaio.
passadas as más memórias
das cidades do norte. apenas
ser mais aquele velho
que não precisa de palavras.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

desenlace



tudo se detém nos pátios onde estás
algures, a norte, ouve-se o rumor das cem
navalhas de prata.
modula-se de estranhos violinos a música que
deixaste à entrada dos rios.
cais tremendamente pelas escarpas.

entretanto, já esqueceste as maçãs da minha
árvore destruída.
pela estrada de damasco, continuas só,
sem olhar para trás.

_____________________________________
quatro luas, josé agostinho baptista.
assírio & alvim, 2006.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

ML x2



dois números do "le magazine littéraire" a não perder:

abril 2006 - o mito marguerite duras
várias perspectivas da escritora/realizadora, entre as quais a de enrique vila-matas que escreve sobre a sua senhoria na altura em que este vivia dos artigos para a "fotogramas" e era figurante em filmes da saga james bond.

julho-agosto 2006 - le désir
de platão a gilles deleuze, uma visão sobre o que move o mundo ou como dizia andré breton, "le désir, seul ressort du monde, le désir, seule rigueur que l'homme ait à connaître".

sexta-feira, 30 de junho de 2006

da relatividade


abro a janela, ligo a turbina silenciosa e recebo no peito, em 17 rigorosos segundos, todo o mundo de que preciso por hoje. depois, fecho a janela e os olhos e espero mais um dia para que tudo à minha volta pouse de novo. nos últimos dias, o chão tomou outras cores, mas é assim o mundo.

quinta-feira, 8 de junho de 2006

a (outra) marcha dos imperadores


rumamos a norte. o encontro na cidade sem noite foi preparado com todo o cuidado. a fidelidade que votamos nao nos faz esquecer a rapariga que se apaixonou pelo amor, a fotografa de fogo e marcia, a poetisa assidua. estao sempre comigo, como o ovo do imperador. carlos, volto na terca com o TPC pronto. pontual, claro. chega-se sempre mais depressa ao sul.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

avatar: hoje



E se eu fosse cego?
Narrativas silenciadas da deficiência
Bruno Sena Martins
Edições Afrontamento, 2006.

Coimbra, 18 de Maio, 18:30, Foyer do TAGV
Apresentação com:
Boaventura Sousa Santos
José Guerra (ex-presidente da ACAPO)

Lisboa, 9 de Junho, 18:30, Fnac do Chiado
Apresentação com:
Gonçalo M. Tavares
Humberto Santos (presidente da APD)

quarta-feira, 17 de maio de 2006

message in a bottle


sucessão de dias
sem praia nem primavera

se eu abrir envelopes
raramente encontro mensagens

fosse sexta-feira
e pensaria em etilico

a morte e as cartas que não chegam
dizia sophia ao jorge

ou qualquer coisa assim
entre o vazio e as palavras
como o eco dentro de uma garrafa
que não abro

fosse sexta-feira

sexta-feira, 28 de abril de 2006

a máquina do arcanjo



não me lembro de nenhum autor do qual tenha lido sete livros, além de frederico lourenço. não incluo as traduções de homero cuja leitura está suspensa. nem kundera numa febre dos anos oitenta me conseguiu tamanha fidelidade. não sei explicar porquê. nada a dizer desta máquina última a não ser que é preciso ler lourenço: pode um desejo imenso, o curso das estrelas, à beira do mundo, amar não acaba, grécia revisitada, a formosa pintura do mundo e a máquina do arcanjo.

terça-feira, 25 de abril de 2006

o fim das tardes ou o desvio para o vermelho





redshift, sue simon.

e pensar que a poesia do afastamento ao fim da tardes, meu amor, foi descrito por christian doppler num texto sobre estrelas duplas com o titulo "ber das farbige licht der doppelsterne"...

terça-feira, 18 de abril de 2006

um outro instante




a minha vida começou bem antes de vir ao mundo,
e imagino que prosseguirá sem mim por muito tempo.


pratt, uma outra alma completa, uma outra ordem única.
como barry goldensohn.

sábado, 15 de abril de 2006

chwila



por obscuros motivos,
em circunstâncias desconhecidas,
o ser ideal deixou de ser suficiente a si próprio.

mas poderia durar e durar sem fim,
talhado das trevas, forjado da claridade
nos seus jardins sonolentos sobre o mundo.

por que diabo começou a procurar aventuras
na má companhia da matéria?

de que lhe serviram imitadores
falidos, malfadados,
sem perspectivas de eternidade?

a sabedoria coxa
com um espinho cravado no calcanhar?
a harmonia dilacerada pelas
águas revoltas?
a beleza
com os seus nada atraentes intestinos?
e o bem -
para quê a sua sombra
se antes não a tinha?

deve ter havido algum motivo,
por mais fútil que pareça,
mas isso não será revelado nem pela verdade nua,
ocupada em remexer
no vestuário terreno.

e ainda, meu platão, todos estes poetas horríveis,
aparas varridas pelo vento de debaixo das estátuas,
resíduos do grande silêncio nas alturas...
________________________________________
platão ou o porquê
instante - wislawa szymborska
trad. elzbieta milewska e sérgio neves
relógio d'água, janeiro 2006.

quinta-feira, 13 de abril de 2006

a natureza do mail


fica deserta a minha fábrica, a estação dos correios, a mercearia fina do bairro operário e a oficina-escola. mantém-se a protecção civil e os serviços mínimos no país incompleto. no palco do gmail fenece o segundo acto. as mensagens que sempre tiveram resposta aguardam em silêncio-quaresma. até o santo spam parece reconhecer o calendário religioso. escrevo no canto cego do sistema de informação da minha fábrica. estou longe da biblioteca. troquei os turnos com a menina que precisava de ir à terra esperar a visita. alguém estará em festa, pá. aguardo ansiosamente pelo 25 de abril.