
hoje, quando chegaram à minha fábrica os técnicos dos serviços de utilização comum, descrevi a avaria das máquinas referindo deleuze. "faltou o desejo, por isso não produzem. desculpem não consultei os manuais, tenho o meu kant", disse eu, tentando a ironia. eles não me ouviram, desmontaram tudo, demoraram-se uns instantes a substituir peças com siglas que referiam com mestria, fizeram os testes finais e pediram-me uma rubrica. despediram-se com a explicação especializada "é a mudança do tempo, o outono". eu tinha a certeza que era o desejo, a máquina do desejo.