sábado, 10 de maio de 2008

national f days


os dias desiguais são um "foda-se" em forma de assim.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

administração


"Os mais apetecíveis não são os que nos deixam beijá-los de imediato (depressa nos sentimos ingratos), nem os que nunca nos deixam beijá-los (depressa os esquecemos), mas os que sabem administrar sabiamente a esperança e o desespero"."

alain de botton, ensaios de amor.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

da alma



o pianista júlio resende, inclui no encarte do seu mais recente cd
alguns versos em que afirma que preferirá sempre ser romeu a ler shakespeare.

knopfli não ouve resende.
eu prefiro ler shakespeare.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

à noite: o desencontro


oscilo entre o desejo ingénuo e romântico dos dias como homeless
e uma noite de glamour fútil no redwood room,
o bar do clift hotel em são francisco.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

h.g.


era uma vez um rapaz, nascido em 1937 em filadélfia, que estuda na julliard school of music, toca com wynton kelly, lee konitz, dave bailey, tony scott, bill evans, paul motion, gerry mulligan, chet baker, sonny rollins, roy haynes, thelonious monk, benny goodman, cecil taylor, archie shepp, charles mingus, mccoy tyner, billy higgins, albert ayler, don cherry, pharoah sanders e desaparece em 1967. aos trinta anos, portanto. dizia-se que tinha morrido e o mundo esqueceu-se dele. nos anos 80 volta a anunciar-se a sua morte recente. em 2002, 35 anos depois (!!!), o rapaz volta a tocar porque lhe oferecem "olive oil", um novo contrabaixo. sabe-se então que nos anos 60 foi obrigado a vender o seu instrumento para sobreviver, vivendo de trabalhos diversos.

o rapaz vem a portugal no final de outubro e vale a pena ouvir ao vivo antes de morrer. falo da nossa morte, claro.

henry grimes’s sublime communication:
henry grimes (contrabaixo, violino e voz), andrew lamb (saxofones, clarinete e flauta) e newman taylor baker (bateria e percussão)

27 outubro
festival internacional de jazz de ponta delgada, açores.

31 outubro
galeria zé dos bois, lisboa.

1 novembro
forum cultural da moita.

2 novembro
encontros internacionais de jazz de coimbra,
salão brazil, coimbra


nota importante: o rapaz henry celebra o seu aniversário a 3 de novembro!

sábado, 8 de setembro de 2007

writers' rooms





o the guardian tem vindo a publicar uma secção sobre os locais que autores famosos usam para escrever. se a ideia poderia parecer interessante à partida, a experiência resulta numa desilusão, como qualquer outra em que se comete o erro de querer conhecer a vida privada dos escritores. porém, a observação atenta dos locais dos eleitos leva-nos a concluir que estarão unidos pela mesma ausência.

quem poderá adivinhar qual o escritório de alain de botton, seamus heaney ou john banville?

a verdade mesmo, é que isso não interessa nada.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

história trágica com final feliz



regina pessoa, , 7min 46seg, 2005.

As pessoas já não sabiam se era alguém que morria, ou alguém que nascia...

Mas uma coisa era certa… ninguém se importaria de partir assim…

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

fnat, digo inatel



chegou finalmente a semana que reservei no inatel. ao fim da tarde de ontem chegaram os autocarros, os táxis, a pronúncia do norte e as reformas antecipadas. eu não sei o que faço aqui, pensei eu. hoje, ao pequeno almoço, as queixas foram as mesmas. na piscina, abriram-se os mesmos jornais. o quiosque só vende o 24 horas e números amarelados da burda e da anna. eu comprei um exemplar dos livros do brasil a preço antigo. lembrei-me da casa grande que o tio zé alugava à temporada em buarcos. ao meio dia já havia um movimento formiguento para a sala das refeições. não dormi a sesta por inquietação. estão a chamar-me para o lanche para beber groselha e comer pão com marmelada. eu finjo que não ouço. ainda faltam seis dias que me custaram três horas de fila e uma cunha do senhor silva. era numa madrugada de janeiro e a menina zefa era ainda uma possibilidade.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

jeff, why are you everywhere, jeff? black beauty I love you so...



It's a song about a dream

Well i'm lying in my bed
The blanket is warm
This body will never be safe from harm
Still feel your hair, black ribbons of coal
Touch my skin to keep me whole

If only you'd come back to me
If you laid at my side
I wouldn't need no Mojo Pin to keep me satisfied

Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so

Precious, precious silver and gold and pearls in oyster's flesh
Drop down we two to serve and pray to love
Born again from the rhythm screaming down from heaven
Ageless, ageless
I'm there in your arms

Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so
So, so...

The welts of your scorn, my love, give me more
Send whips of opinion down my back, give me more
Well it's you I've waited my life to see
It's you I've searched so hard for...

Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so
So, black black black black beauty...


mojo pin, jeff buckley/gary lucas.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

recordar os gestos de amanhã


quem serei amanhã?
se somos outro para cada um
em cada hora.

quem serei
quando acordar sozinho,
fechado na minha tímidez
a passar o portão da fábrica,
a entrar e sair do gabinete
do encarregado dos serviços gerais?

e se não for o mesmo
quando paro ao meio da manhã
para comer, ao sol,
a maçã com a menina zefa?

quem serei
quando recordar a noite branca,
as páginas roubadas à morte,
quando fantasiar
outra vez ainda
sobre o almoço da cantina
desta vez em salzburgo
desta vez jantar
desta vez dançando

quem serei amanhã
quando não souber
o caminho do bairro operário
todos os cumprimentos
todos os olhares
todos os silêncios?

quem serei
quando não me vestir
da pessoa certa
para poder ter
as maçãs
e as noites brancas?

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

arte postal


it's a sony, manuel ferreira.

A ARTE POSTAL iniciou-se com a "Correspondance Art School" de Ray Johnson, nos anos 50.

Esta forma de comunicação criativa teve origem na revolução científico - industrial que permitiu o funcionamento a nível universal dos serviços dos correios desde logo se assumindo como uma ruptura com a tradição artística que significaram os movimentos e escolas artísticas do ínicio do século e do pós-guerra.

Dadaístas, futuristas e surrealistas como Schwitters e Duchamp aderiram à ARTE POSTAL para divulgar os seus pontos de vista e trocar mensagens criativas. Em meados dos anos 60, na América do Sul, desenvolveu-se uma intensa actividade criativa entre poetas e editoras. Eduardo António Vigo, o brasileiro Wlademir Diaz Pino e o chileno Guilhermo Deisler fizeram história.

Através de revistas, fanzines e exposições a actividade dos creativos postais ganha forma pública. Em países como a Itália e a Suécia existem museus dedicados à ARTE POSTAL.

Esta forma de arte reveste um carácter anti-comercial e anti-consumista, um carácter personalizado que se opõe aos fenómenos de massas que as tecnologias introduziram na difusão de certas formas de expressão artística. O circuito da arte postal convencionou que todas as obras recebidas serão exibidas na totalidade sem sujeição a uma selecção ou juri. Quem provoca a manifestação "obriga-se" a enviar uma catálogo aos participantes onde constem os seus contactos. As obras recebidas não podem ser comercializadas e não serão devolvidas.

A liberdade de suporte e de técnica só é limitada pela possibilidade de envio pelos serviços postais. As propostas chegam ao destino enriquecidas pelos selos, tarjetas, carimbos do remetente, após uma viagem que acrescenta à obra criada signos e imagens, dando-lhes um cariz alternativo, renovando cada objecto, tornando-o mais tarde... em frente e verso.

"JAPAN" , é o tema proposto pelo ClubOtaku, Portugal.

Queremos que cada artista nos mostre a sua visão pessoal do Japão. Queremos viajar pelo mundo inteiro, com as vossas imagens, filmes, palavras ou mesmo músicas...


mais informações: aqui.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

o verão duras


marguerite duras escreveu, ou melhor, ditou em "a vida material" que sempre se sentia no fim de cada verão como uma tonta que não percebe o que se passou mas que percebe que é demasiado tarde para poder viver o que se passou. mesmo assim, sabia olhar o mar e escreveu em "verão 80" o que não podia viver.

eu sempre entendi o verão como um intervalo em que não sabemos se vivemos outra coisa ou a mesma história contada de modo diferente. a sensação é a mesma que teríamos se no intervalo do cinema projectassem cenas diferentes com um grupo de actores mais ou menos igual. a minha situação é, contudo, pior que a de duras: não imagino sequer como poderia ter vivido o verão e muito menos escrevê-lo.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

insiders



"What is an Insider?

An Insider is to the body what memory is to consciousness: a kind of residue, something that is left behind. It is a core rather than a skeleton. It is a way of allowing things that are internal to the body - attitudes and emotions embedded in posture or hidden by gesture - to become revealed. They are equally alien and intimate.

The idea is that the pieces carry in concentrated form the trace of the body and its passage through life. This has a direct relationship to pain. I see these reduced forms as antennae for a particular kind of resilience that exists within all of us, that allows us to bear suffering but is itself created through painful experience. There is no judgement about this. Their bareness is not the nakedness that reveals the flesh, it is the result of having had the flesh taken away, a loss which is not sentimentalised, but accepted. The Insider tries to up the ante between being and nothingness.

This process of objective mathematical reduction leads to a particular form of abstraction, a found object never revealed before and certainly not invented. It is a body that lies within all of us.

The Insider suggests also that the most intimate is the most strange, that inside each of us is a self that we would maybe rather not recognise and constitutes a kind of third man, the Insider as alien witness."

Antony Gormley

domingo, 12 de agosto de 2007

temporada de patos



as casas são, por agora, mulheres tranquilas
que apreciam o "pleasure delay".

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

jazz em agosto



ornette coleman
sábado, 11 de agosto, 21:30
grande auditório
fundação calouste gulbenkian

ornette coleman, sax alto, violino e trompete
tony falanga, contrabaixo
charnett moffett, contrabaixo
al macdowell, baixo eléctrico
ornette denardo coleman, batería e percussão

jazz em agosto 2007

o sítio de ornette coleman

hoje na ruc pelas 23 horas.

sábado, 4 de agosto de 2007

vidro azul


a voz da inês anuncia todas as semanas o início de duas das melhores horas da rádio portuguesa:

vidro azul
notas frágeis
sons de alma
viagens neste e noutro tempo
por paisagens de sombra e nevoeiro
um programa de ricardo mariano


não há outro som que se compare a este bom gosto de terminar tantas noites.

a emissão do passado dia 30 de julho é uma gravação histórica que merece ser guardada e escutada atentamente. muitas vezes.

esta, como todas as outras, está disponivel no podcast do VA.
o caminho está em aqui e aqui.

ps: durante muito tempo ouvi o vidro azul e li o blog, até que um golpe de sorte me levou ao estúdio e me permitiu acompanhar o programa "por dentro".
devo ao ricardo mariano uma das experiências mais gratificantes da minha relação com a música e com a rádio.

terça-feira, 24 de julho de 2007

rerum vulgarium fragmenta


de tanto respirar a escuridão e os quartos vazios, enchi de febre os olhos e o peito debil. do delirio que vem depois sairam autores de que me não lembro, inventores de mundos que não funcionam mais, pintores da luz que alguém guardou e eu perdi.

saiste tu, laura, três longos dias depois. passeavas em santa clara com o olhar que só se tem nas margens esquerdas a tudo, esquecendo torres, campanarios e desdenhando dos escritores com juras de desamor.

o meu corpo recupera ainda o folego dessa morte suave.
por isso tomo teoremas e latinório às horas certas.

terça-feira, 17 de julho de 2007

o transformador



josé agita-se nas escadas
construindo e destruindo paredes
a mesa está posta na sala de jantar

ao fim da noite
sobram-nos as palavras e falta o pão

eu digo-te quem tu és
e tu ficas a saber quem não sou.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

memória



sabe-se agora:
o cérebro pode reprimir as más recordações.
está provado cientificamente
tantos anos depois de freud

mas o resto do meu corpo
não se esquece de ti.

terça-feira, 10 de julho de 2007

das palavras e do sangue



edward w. said
on late style: music and literature against the grain
pantheon, 2006.

com que força se escreve num estilo assim?
depois dos citostáticos
e antes do sono.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

memories are made of this


encounter: ellen lane, 2004.

na minha fábrica a memória é absolutamente essencial para a sobrevivência. do primeiro encontro depende qualquer sucesso numa vida de relação. um operário italiano anunciou agora que nesse primeiro encontro dependemos da convergência de vários sinais e de um receptor especial. o que fazemos durante e depois de um beijo, dita a nossa sorte mas, stefano referia-se apenas a uma célula e não ao todo.

são tão pequenos os modelos da formação sentimental permanente na minha fábrica...

domingo, 1 de julho de 2007

agenda



Segunda, 2 de Julho, 18 horas - TAGV.

Última sessão da primeira série, prevendo-se um regresso em Outubro com algumas novidades. Desta vez, o convidado é Luís Januário, médico pediatra e co-autor do blogue A Natureza do Mal.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

seven deadly sins party



grosvenor place, 7-7-2007.

a festa da suzanne obrigou-me a estudar os sete pecados capitais.
o convite refere "dress code: glamorous!" e embora não se trate de uma festa de carnaval, o pecado começa nos primeiros pensamentos sobre a luxúria.
de qualquer modo, ainda não me decidi pela "pose". oscilo entre a "melancolia" do papa gregório, retirada pela igreja católica por ser um conceito demasiado vago, e a óbvia "vaidade".

por "preguiça" aceitam-se sugestões.

sábado, 16 de junho de 2007

laginha & sassetti



os pianos são outros lugares. o mário e o bernardo são outras pessoas. o redondo vocábulo, josé afonso e uma noite de fim de primavera chuvosa que nos abriga à volta de uma fogueira de ébano e marfim, são outras coisas.

mário laginha & bernardo sassetti ao vivo.
oeiras, 15 de junho.

sábado, 9 de junho de 2007

HGW XX/7


das leben der anderen (as vidas dos outros)
florian henckel-donnersmarck, 2006.

wiesler (hgw xx/7) da staatssicherheit lê versos de "erinnerung an die marie a." de brecht:

(...)
und über uns im schönen sommerhimmel
war eine wolke, die ich lange sah
sie war sehr weiß und ungeheur oben
und als ich aufsah, war sie nimmer da.

(...)


(...)
acima de nós no céu brilhante de verão
havia uma nuvem que os meus olhos acompanharam
era bastante branca e alta acima de nós
depois olhei e já não estava lá.
(...)

e isto é o resumo do filme.

"abraça-me, por favor"
christa-maria sieland para georg dreyman.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

das raízes


larkin grimm, at home.

o mundo todo é ao mesmo tempo
saltimbanco e sedentário,
caseiro.

como aquela menina,
mais irlandesa que americana,
mas mesmo assim americana,
que no salão cantou à luz das velas.

no proscénio como em casa.
em casa cantando do bosque.
poemas dos lobos como dos homens.

tão longe das raízes
como nós

em casa

terça-feira, 22 de maio de 2007

your dreams miss you


fishing for words, litografia offset
wosene kosrof, 2005.

voltei a meio de um spot do rozerem: "your dreams miss you".
o reencontro com os sonhos começa assim em sonoma, califórnia. uma galeria de arte que mostra, a proposito de coisa nenhuma, wosene worke kosrof, um artista etíope inspirado pelo jazz e pelos cartões de crédito.

são assim os sonhos. eu também tinha saudades vossas.

quarta-feira, 7 de março de 2007

19:59



words: the press conference room
instalação multimédia.
antonio muntadas, nova iorque.


à hora a que, como todos os guarda-redes,
sofremos a angústia do penalti

nesse momento em que se ensaiam
todas as mentiras
grandes e pequenas

penso que vais aparecer
e anunciar a todos os telejornais

o amor pelas palavras
na vez
das palavras pelo amor

domingo, 4 de março de 2007

the gathering boy



todos somos coleccionadores.
quais são os meus bilhetes?

michael nyman
man and boy: dada, 2006.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

da festa do cinema



"se o filme fica curto, acrescento-lhe um sonho"

o meu último suspiro, luis buñuel.
(com jean-claude carrière)
fenda, 2006.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

newsreel




um mundo em diferido
pleno de lentes e microfones
que vejo e ouço
como documentários históricos e ecos
quase sempre quase nada
fora do meu mundo
fechado em volta de pessoas vagas
a horas mortas
ou vice-versa

eu, hora certa
e vontade pontual
de não ter assistido
ao mundo em directo

espreito a vida dos outros
e com isso adormeço
em noites de duas horas longas
e vagas como palavras
repórteres

domingo, 11 de fevereiro de 2007

amantes sunt amentes


(walking on the moon, richard ducker - 2006)

chovia ainda
quando terminei de escrever
o livro de uma página apenas

os parágrafos
por debaixo da letra "o" maiúscula
parecem maiores agora

a lua - dizia eu
à medida que abandonava o dedo
na tecla "enter"

domingo, 21 de janeiro de 2007

fiama



quem como nós na curva de céus vários pressentiu
(em céus de boca e ares)
que os elementos, de si, nunca se encontram diz:

a água não amaina; o fogo nas queimadas,
nas lajes do lar
não nos sacia; o ar não cria
a vibração das folhas - esta é a nudez;

na terra, sobretudo sente-se: as suas casas, as traves
que as sustêm, desfalecem.
quem as habita parado, quem como nós vivo
diz: a fome é hostil,
o homem movimenta-se impaciente,
o seu desejo ocupa a sua vida.

in vértice nº 286, fiama hasse pais brandão.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

escrever e dizer


mystical lady (close up 1)
© judy hintz cox 2002

diz a inês que não deve escrever-se o que pode ser dito. falava à noite de livros de cabeceira, agora ouço-a à hora de almoço de sábado. a inês não fala de diários ou cadernos de viagens que não podem sequer ser sussurados. não diz da evolução das páginas ao sol e aos sentimentos. talvez me responda um dia que se vão dizendo com outras vozes.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

da assistência social


percorro as conversas do dia de ontem como salas de um museu. as alas do suporte emocional, instrumental e informativo ocupam a maior área de exposição. outra possiblidade ainda de extensão do imaginário de malraux.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

retoma: com uma pequena ajuda de baudelaire



este sempre foi o local, quase sempre deserto, onde escrevi o que não era. a verdade é outra coisa e está noutro lugar. aqui pude deixar palavras com o abandono do bookcrossing. uma vez, deixei aqui um livro aberto e ninguém o leu. treinei aqui a caligrafia e depois pensei abandonar tudo o que escrevi no último banco da avenida das tílias do jardim botânico. ainda não é o tempo.

Nous pouvons couper ora nous voulons, moi ma reverie, vous le manuscrit, le lecteur sa lecture; car je ne suspends pas la volonte retive de celui-ci au fil interminable d'une intrigue superflue. Enlevez une vertebre, et les deux morceaux de cette tortueuse fantaisie se rejoindront sans peine.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

depois




hoje e sempre, a mesma angústia do final de cada sessão de composição dorida e violenta. todos os minutos depois dos ensaios em que se finge sózinho a grande orquestra. o escuro que resta depois dos concertos, a protecção das bambolinas que eram há pouco a lua e as estrelas. todos os pensamentos novos e as alegrias velhas, também elas repetidamente tristes. hoje não é quinta-feira e ainda não falo de música.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

e já que é quinta-feira



Quebra-Costas > 5ª-feira, 23 de Novembro
XM | 5º Aniversário

22:00 > Apresentação do filme: The Belly of an Architect, de Peter Greenway
Inauguração da loja integrada Mia (moda retro)
fotografia: JACC
produção: Fila K Cineclube, XM

*Mau Feitio* | moda + intervenção

Snacks and Drinks:
*Bar Quebra-Costas*
Medina Sandwich-Bar

Design gráfico:
2Head

*XYK* é um ciclo de iniciativas temáticas de regularidade mensal que
pretendem resgatar a normalidade das noites de cbr. Irradiando de uma rede
de espaços, grupos e focos de resistência cultural à barbárie, apatia e
indiferença, reclama-se o sentido colectivo do território da cidade como
local definitivo de encontro, prazer, inteligência e desejo.

Porque coimbra não existe, não tem encanto, nem sei as horas...

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

agenda



Jacinta Quinteto Day Dream
Teatro Académico de Gil Vicente, Coimbra
22 Novembro, Quarta-feira 21:30

Jacinta: Voz
Rui Caetano: Piano
Jorge Reis: Saxofone
João Lencastre: Bateria
João Custódio: Contrabaixo

do silêncio da noite



tumultuous silence, christine maudy (2004).
materiais mistos sobre tela, 91x152cm.



ouvir de novo
(durante o dia pareceria mais ridículo)

a cidade às duas da manhã
parar o carro e fechar os vidros
o silêncio de quem vai como se fosse

seguir viagem

o silêncio das ruas desertas
abafando a chuva que nos fecha os olhos

a luz na janela é outro dia
e a noite podia acabar às três horas

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

post-it



não esquecer
(no fundo amarelo pareceria mais ridículo)

a praia às seis da manhã
sair do carro e ler duas páginas
da istambul de pamuk

seguir viagem

o barulho das ondas da marginal
abafando o som das buzinas na taksim

o nevoeiro é outra noite
e o dia podia acabar às nove horas

domingo, 5 de novembro de 2006

v


remember remember
the fifth of november

sábado, 28 de outubro de 2006

registo



não tenho de ti o sentimento que foi.
a expressão interior seguinte ao momento em que a minha mão
esquerda e a tua mão direita reconheceram o padrão
dinâmico e nervoso do reencontro ou da dança

na tua face desenhaste uma promessa que não guardei
como uma máscara que me permitisse
ter-te aqui, hoje ainda

hoje ainda
eu queria ter-te e reinventar-te
a cada momento e muito tempo depois
ainda

como torben eskerod recuperou e redesenhou
bohr, jensen ou blixen
eu queria colocar-te numa sala dentro de mim
na exposição mais nobre dos olhares
que escrevi no diário do nosso tempo

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

tagv hoje



A série escrileituras, que tem lugar no Café-Teatro ao longo de 2006, centra-se na misteriosa mecânica da escrita e da leitura. Um/a escritor/a é convidado/a a ler um texto de outro/a escritor/a. Ler em voz alta e ler em voz baixa. Ler nos olhos e no coração. Ler na letra e nas entrelinhas. Ler com chave e ler sem chave. Ler e reler, e até mesmo tresler. Isto é, sub-ler e sobre-ler. Isto é, des-ler e pós-ler. Como é que a leitura traça no texto a sina da escrita? Como é que a escrita cria a sua própria leitura? Como é que o corpo da palavra ganha vida na matéria do/a leitor/a? Como é que o/a leitor/a se enreda na teia dos signos? Como é possível ler de novo determinado texto? Quais os pontos de entrada e de saída? Avesso e alegoria da escrita, a leitura abre-se ao jogo infinito dos significantes.

ESCRILEITURAS
Teolinda Gersão lê O Primeiro Homem de Albert Camus

26 Outubro > Café Teatro TAGV > 18h00

leitora Teolinda Gersão
texto O Primeiro Homem
escritor Albert Camus
tradutor Eduardo Saló

entrada livre

o fabuloso destino de A.



bicycle wheel, marcel duchamp.
1913/1916/1951.



não sei quão optimistas
são os poetas e os amantes
mas, eu nunca disse:
mãe, olha sem mãos!