entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem
domingo, 13 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
teatro

Bharti Kher, An Absence Of Assignable Cause, 2007.
Talvez isto pareça um cliché, mas alguma coisa aconteceu aqui esta noite. Hoje, sentado aqui, percebi subitamente, cá bem no fundo, que vocês estavam todos a entregar o coração ao vosso trabalho pela primeira vez – deixou os dedos abrirem-se sobre o bolso da sua camisa para mostrar como o coração era uma coisa simples e física; a seguir cerrou a mesma mão em punho, que agitou lentamente e sem palavras, numa longa pausa dramática, a fechar um olho e a deixar os lábios húmidos curvarem-se num esgar de triunfo e de orgulho. – Façam isso novamente amanhã à noite – disse ele – e vamos ter um espectáculo dos diabos.
Richard Yates, Revolutionary Road.
domingo, 28 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
o mundo, outra vez
dos breves instantes, interessam-me:
as falsas medidas do homem,
a dor de que fala agustina,
e ainda assim,
a escrita que a pariu.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
sábado, 10 de maio de 2008
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
administração
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
da alma
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
à noite: o desencontro
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
h.g.

era uma vez um rapaz, nascido em 1937 em filadélfia, que estuda na julliard school of music, toca com wynton kelly, lee konitz, dave bailey, tony scott, bill evans, paul motion, gerry mulligan, chet baker, sonny rollins, roy haynes, thelonious monk, benny goodman, cecil taylor, archie shepp, charles mingus, mccoy tyner, billy higgins, albert ayler, don cherry, pharoah sanders e desaparece em 1967. aos trinta anos, portanto. dizia-se que tinha morrido e o mundo esqueceu-se dele. nos anos 80 volta a anunciar-se a sua morte recente. em 2002, 35 anos depois (!!!), o rapaz volta a tocar porque lhe oferecem "olive oil", um novo contrabaixo. sabe-se então que nos anos 60 foi obrigado a vender o seu instrumento para sobreviver, vivendo de trabalhos diversos.
o rapaz vem a portugal no final de outubro e vale a pena ouvir ao vivo antes de morrer. falo da nossa morte, claro.
henry grimes’s sublime communication:
henry grimes (contrabaixo, violino e voz), andrew lamb (saxofones, clarinete e flauta) e newman taylor baker (bateria e percussão)
27 outubro
festival internacional de jazz de ponta delgada, açores.
31 outubro
galeria zé dos bois, lisboa.
1 novembro
forum cultural da moita.
2 novembro
encontros internacionais de jazz de coimbra,
salão brazil, coimbra
nota importante: o rapaz henry celebra o seu aniversário a 3 de novembro!
o rapaz vem a portugal no final de outubro e vale a pena ouvir ao vivo antes de morrer. falo da nossa morte, claro.
henry grimes’s sublime communication:
henry grimes (contrabaixo, violino e voz), andrew lamb (saxofones, clarinete e flauta) e newman taylor baker (bateria e percussão)
27 outubro
festival internacional de jazz de ponta delgada, açores.
31 outubro
galeria zé dos bois, lisboa.
1 novembro
forum cultural da moita.
2 novembro
encontros internacionais de jazz de coimbra,
salão brazil, coimbra
nota importante: o rapaz henry celebra o seu aniversário a 3 de novembro!
sábado, 8 de setembro de 2007
writers' rooms



o the guardian tem vindo a publicar uma secção sobre os locais que autores famosos usam para escrever. se a ideia poderia parecer interessante à partida, a experiência resulta numa desilusão, como qualquer outra em que se comete o erro de querer conhecer a vida privada dos escritores. porém, a observação atenta dos locais dos eleitos leva-nos a concluir que estarão unidos pela mesma ausência.
quem poderá adivinhar qual o escritório de alain de botton, seamus heaney ou john banville?
a verdade mesmo, é que isso não interessa nada.
quem poderá adivinhar qual o escritório de alain de botton, seamus heaney ou john banville?
a verdade mesmo, é que isso não interessa nada.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
história trágica com final feliz

regina pessoa, , 7min 46seg, 2005.
As pessoas já não sabiam se era alguém que morria, ou alguém que nascia...
Mas uma coisa era certa… ninguém se importaria de partir assim…
As pessoas já não sabiam se era alguém que morria, ou alguém que nascia...
Mas uma coisa era certa… ninguém se importaria de partir assim…
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
fnat, digo inatel

chegou finalmente a semana que reservei no inatel. ao fim da tarde de ontem chegaram os autocarros, os táxis, a pronúncia do norte e as reformas antecipadas. eu não sei o que faço aqui, pensei eu. hoje, ao pequeno almoço, as queixas foram as mesmas. na piscina, abriram-se os mesmos jornais. o quiosque só vende o 24 horas e números amarelados da burda e da anna. eu comprei um exemplar dos livros do brasil a preço antigo. lembrei-me da casa grande que o tio zé alugava à temporada em buarcos. ao meio dia já havia um movimento formiguento para a sala das refeições. não dormi a sesta por inquietação. estão a chamar-me para o lanche para beber groselha e comer pão com marmelada. eu finjo que não ouço. ainda faltam seis dias que me custaram três horas de fila e uma cunha do senhor silva. era numa madrugada de janeiro e a menina zefa era ainda uma possibilidade.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
jeff, why are you everywhere, jeff? black beauty I love you so...

It's a song about a dream
Well i'm lying in my bed
The blanket is warm
This body will never be safe from harm
Still feel your hair, black ribbons of coal
Touch my skin to keep me whole
If only you'd come back to me
If you laid at my side
I wouldn't need no Mojo Pin to keep me satisfied
Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so
Precious, precious silver and gold and pearls in oyster's flesh
Drop down we two to serve and pray to love
Born again from the rhythm screaming down from heaven
Ageless, ageless
I'm there in your arms
Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so
So, so...
The welts of your scorn, my love, give me more
Send whips of opinion down my back, give me more
Well it's you I've waited my life to see
It's you I've searched so hard for...
Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so
So, black black black black beauty...
mojo pin, jeff buckley/gary lucas.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
recordar os gestos de amanhã

quem serei amanhã?
se somos outro para cada um
em cada hora.
quem serei
quando acordar sozinho,
fechado na minha tímidez
a passar o portão da fábrica,
a entrar e sair do gabinete
do encarregado dos serviços gerais?
e se não for o mesmo
quando paro ao meio da manhã
para comer, ao sol,
a maçã com a menina zefa?
quem serei
quando recordar a noite branca,
as páginas roubadas à morte,
quando fantasiar
outra vez ainda
sobre o almoço da cantina
desta vez em salzburgo
desta vez jantar
desta vez dançando
quem serei amanhã
quando não souber
o caminho do bairro operário
todos os cumprimentos
todos os olhares
todos os silêncios?
quem serei
quando não me vestir
da pessoa certa
para poder ter
as maçãs
e as noites brancas?
se somos outro para cada um
em cada hora.
quem serei
quando acordar sozinho,
fechado na minha tímidez
a passar o portão da fábrica,
a entrar e sair do gabinete
do encarregado dos serviços gerais?
e se não for o mesmo
quando paro ao meio da manhã
para comer, ao sol,
a maçã com a menina zefa?
quem serei
quando recordar a noite branca,
as páginas roubadas à morte,
quando fantasiar
outra vez ainda
sobre o almoço da cantina
desta vez em salzburgo
desta vez jantar
desta vez dançando
quem serei amanhã
quando não souber
o caminho do bairro operário
todos os cumprimentos
todos os olhares
todos os silêncios?
quem serei
quando não me vestir
da pessoa certa
para poder ter
as maçãs
e as noites brancas?
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
arte postal

it's a sony, manuel ferreira.
A ARTE POSTAL iniciou-se com a "Correspondance Art School" de Ray Johnson, nos anos 50.
Esta forma de comunicação criativa teve origem na revolução científico - industrial que permitiu o funcionamento a nível universal dos serviços dos correios desde logo se assumindo como uma ruptura com a tradição artística que significaram os movimentos e escolas artísticas do ínicio do século e do pós-guerra.
Dadaístas, futuristas e surrealistas como Schwitters e Duchamp aderiram à ARTE POSTAL para divulgar os seus pontos de vista e trocar mensagens criativas. Em meados dos anos 60, na América do Sul, desenvolveu-se uma intensa actividade criativa entre poetas e editoras. Eduardo António Vigo, o brasileiro Wlademir Diaz Pino e o chileno Guilhermo Deisler fizeram história.
Através de revistas, fanzines e exposições a actividade dos creativos postais ganha forma pública. Em países como a Itália e a Suécia existem museus dedicados à ARTE POSTAL.
Esta forma de arte reveste um carácter anti-comercial e anti-consumista, um carácter personalizado que se opõe aos fenómenos de massas que as tecnologias introduziram na difusão de certas formas de expressão artística. O circuito da arte postal convencionou que todas as obras recebidas serão exibidas na totalidade sem sujeição a uma selecção ou juri. Quem provoca a manifestação "obriga-se" a enviar uma catálogo aos participantes onde constem os seus contactos. As obras recebidas não podem ser comercializadas e não serão devolvidas.
A liberdade de suporte e de técnica só é limitada pela possibilidade de envio pelos serviços postais. As propostas chegam ao destino enriquecidas pelos selos, tarjetas, carimbos do remetente, após uma viagem que acrescenta à obra criada signos e imagens, dando-lhes um cariz alternativo, renovando cada objecto, tornando-o mais tarde... em frente e verso.
"JAPAN" , é o tema proposto pelo ClubOtaku, Portugal.
Queremos que cada artista nos mostre a sua visão pessoal do Japão. Queremos viajar pelo mundo inteiro, com as vossas imagens, filmes, palavras ou mesmo músicas...
mais informações: aqui.
A ARTE POSTAL iniciou-se com a "Correspondance Art School" de Ray Johnson, nos anos 50.
Esta forma de comunicação criativa teve origem na revolução científico - industrial que permitiu o funcionamento a nível universal dos serviços dos correios desde logo se assumindo como uma ruptura com a tradição artística que significaram os movimentos e escolas artísticas do ínicio do século e do pós-guerra.
Dadaístas, futuristas e surrealistas como Schwitters e Duchamp aderiram à ARTE POSTAL para divulgar os seus pontos de vista e trocar mensagens criativas. Em meados dos anos 60, na América do Sul, desenvolveu-se uma intensa actividade criativa entre poetas e editoras. Eduardo António Vigo, o brasileiro Wlademir Diaz Pino e o chileno Guilhermo Deisler fizeram história.
Através de revistas, fanzines e exposições a actividade dos creativos postais ganha forma pública. Em países como a Itália e a Suécia existem museus dedicados à ARTE POSTAL.
Esta forma de arte reveste um carácter anti-comercial e anti-consumista, um carácter personalizado que se opõe aos fenómenos de massas que as tecnologias introduziram na difusão de certas formas de expressão artística. O circuito da arte postal convencionou que todas as obras recebidas serão exibidas na totalidade sem sujeição a uma selecção ou juri. Quem provoca a manifestação "obriga-se" a enviar uma catálogo aos participantes onde constem os seus contactos. As obras recebidas não podem ser comercializadas e não serão devolvidas.
A liberdade de suporte e de técnica só é limitada pela possibilidade de envio pelos serviços postais. As propostas chegam ao destino enriquecidas pelos selos, tarjetas, carimbos do remetente, após uma viagem que acrescenta à obra criada signos e imagens, dando-lhes um cariz alternativo, renovando cada objecto, tornando-o mais tarde... em frente e verso.
"JAPAN" , é o tema proposto pelo ClubOtaku, Portugal.
Queremos que cada artista nos mostre a sua visão pessoal do Japão. Queremos viajar pelo mundo inteiro, com as vossas imagens, filmes, palavras ou mesmo músicas...
mais informações: aqui.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
o verão duras

marguerite duras escreveu, ou melhor, ditou em "a vida material" que sempre se sentia no fim de cada verão como uma tonta que não percebe o que se passou mas que percebe que é demasiado tarde para poder viver o que se passou. mesmo assim, sabia olhar o mar e escreveu em "verão 80" o que não podia viver.
eu sempre entendi o verão como um intervalo em que não sabemos se vivemos outra coisa ou a mesma história contada de modo diferente. a sensação é a mesma que teríamos se no intervalo do cinema projectassem cenas diferentes com um grupo de actores mais ou menos igual. a minha situação é, contudo, pior que a de duras: não imagino sequer como poderia ter vivido o verão e muito menos escrevê-lo.
eu sempre entendi o verão como um intervalo em que não sabemos se vivemos outra coisa ou a mesma história contada de modo diferente. a sensação é a mesma que teríamos se no intervalo do cinema projectassem cenas diferentes com um grupo de actores mais ou menos igual. a minha situação é, contudo, pior que a de duras: não imagino sequer como poderia ter vivido o verão e muito menos escrevê-lo.
terça-feira, 14 de agosto de 2007
insiders

"What is an Insider?
An Insider is to the body what memory is to consciousness: a kind of residue, something that is left behind. It is a core rather than a skeleton. It is a way of allowing things that are internal to the body - attitudes and emotions embedded in posture or hidden by gesture - to become revealed. They are equally alien and intimate.
The idea is that the pieces carry in concentrated form the trace of the body and its passage through life. This has a direct relationship to pain. I see these reduced forms as antennae for a particular kind of resilience that exists within all of us, that allows us to bear suffering but is itself created through painful experience. There is no judgement about this. Their bareness is not the nakedness that reveals the flesh, it is the result of having had the flesh taken away, a loss which is not sentimentalised, but accepted. The Insider tries to up the ante between being and nothingness.
This process of objective mathematical reduction leads to a particular form of abstraction, a found object never revealed before and certainly not invented. It is a body that lies within all of us.
The Insider suggests also that the most intimate is the most strange, that inside each of us is a self that we would maybe rather not recognise and constitutes a kind of third man, the Insider as alien witness."
Antony Gormley
An Insider is to the body what memory is to consciousness: a kind of residue, something that is left behind. It is a core rather than a skeleton. It is a way of allowing things that are internal to the body - attitudes and emotions embedded in posture or hidden by gesture - to become revealed. They are equally alien and intimate.
The idea is that the pieces carry in concentrated form the trace of the body and its passage through life. This has a direct relationship to pain. I see these reduced forms as antennae for a particular kind of resilience that exists within all of us, that allows us to bear suffering but is itself created through painful experience. There is no judgement about this. Their bareness is not the nakedness that reveals the flesh, it is the result of having had the flesh taken away, a loss which is not sentimentalised, but accepted. The Insider tries to up the ante between being and nothingness.
This process of objective mathematical reduction leads to a particular form of abstraction, a found object never revealed before and certainly not invented. It is a body that lies within all of us.
The Insider suggests also that the most intimate is the most strange, that inside each of us is a self that we would maybe rather not recognise and constitutes a kind of third man, the Insider as alien witness."
Antony Gormley
domingo, 12 de agosto de 2007
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
jazz em agosto

ornette coleman
sábado, 11 de agosto, 21:30
grande auditório
fundação calouste gulbenkian
ornette coleman, sax alto, violino e trompete
tony falanga, contrabaixo
charnett moffett, contrabaixo
al macdowell, baixo eléctrico
ornette denardo coleman, batería e percussão
jazz em agosto 2007
o sítio de ornette coleman
hoje na ruc pelas 23 horas.
sábado, 11 de agosto, 21:30
grande auditório
fundação calouste gulbenkian
ornette coleman, sax alto, violino e trompete
tony falanga, contrabaixo
charnett moffett, contrabaixo
al macdowell, baixo eléctrico
ornette denardo coleman, batería e percussão
jazz em agosto 2007
o sítio de ornette coleman
hoje na ruc pelas 23 horas.
sábado, 4 de agosto de 2007
vidro azul

a voz da inês anuncia todas as semanas o início de duas das melhores horas da rádio portuguesa:
vidro azul
notas frágeis
sons de alma
viagens neste e noutro tempo
por paisagens de sombra e nevoeiro
um programa de ricardo mariano
não há outro som que se compare a este bom gosto de terminar tantas noites.
a emissão do passado dia 30 de julho é uma gravação histórica que merece ser guardada e escutada atentamente. muitas vezes.
esta, como todas as outras, está disponivel no podcast do VA.
o caminho está em aqui e aqui.
ps: durante muito tempo ouvi o vidro azul e li o blog, até que um golpe de sorte me levou ao estúdio e me permitiu acompanhar o programa "por dentro".
devo ao ricardo mariano uma das experiências mais gratificantes da minha relação com a música e com a rádio.
vidro azul
notas frágeis
sons de alma
viagens neste e noutro tempo
por paisagens de sombra e nevoeiro
um programa de ricardo mariano
não há outro som que se compare a este bom gosto de terminar tantas noites.
a emissão do passado dia 30 de julho é uma gravação histórica que merece ser guardada e escutada atentamente. muitas vezes.
esta, como todas as outras, está disponivel no podcast do VA.
o caminho está em aqui e aqui.
ps: durante muito tempo ouvi o vidro azul e li o blog, até que um golpe de sorte me levou ao estúdio e me permitiu acompanhar o programa "por dentro".
devo ao ricardo mariano uma das experiências mais gratificantes da minha relação com a música e com a rádio.
terça-feira, 24 de julho de 2007
rerum vulgarium fragmenta

de tanto respirar a escuridão e os quartos vazios, enchi de febre os olhos e o peito debil. do delirio que vem depois sairam autores de que me não lembro, inventores de mundos que não funcionam mais, pintores da luz que alguém guardou e eu perdi.
saiste tu, laura, três longos dias depois. passeavas em santa clara com o olhar que só se tem nas margens esquerdas a tudo, esquecendo torres, campanarios e desdenhando dos escritores com juras de desamor.
o meu corpo recupera ainda o folego dessa morte suave.
por isso tomo teoremas e latinório às horas certas.
saiste tu, laura, três longos dias depois. passeavas em santa clara com o olhar que só se tem nas margens esquerdas a tudo, esquecendo torres, campanarios e desdenhando dos escritores com juras de desamor.
o meu corpo recupera ainda o folego dessa morte suave.
por isso tomo teoremas e latinório às horas certas.
terça-feira, 17 de julho de 2007
o transformador
sexta-feira, 13 de julho de 2007
terça-feira, 10 de julho de 2007
das palavras e do sangue
segunda-feira, 2 de julho de 2007
memories are made of this

encounter: ellen lane, 2004.
na minha fábrica a memória é absolutamente essencial para a sobrevivência. do primeiro encontro depende qualquer sucesso numa vida de relação. um operário italiano anunciou agora que nesse primeiro encontro dependemos da convergência de vários sinais e de um receptor especial. o que fazemos durante e depois de um beijo, dita a nossa sorte mas, stefano referia-se apenas a uma célula e não ao todo.
são tão pequenos os modelos da formação sentimental permanente na minha fábrica...
na minha fábrica a memória é absolutamente essencial para a sobrevivência. do primeiro encontro depende qualquer sucesso numa vida de relação. um operário italiano anunciou agora que nesse primeiro encontro dependemos da convergência de vários sinais e de um receptor especial. o que fazemos durante e depois de um beijo, dita a nossa sorte mas, stefano referia-se apenas a uma célula e não ao todo.
são tão pequenos os modelos da formação sentimental permanente na minha fábrica...
domingo, 1 de julho de 2007
agenda

Segunda, 2 de Julho, 18 horas - TAGV.
Última sessão da primeira série, prevendo-se um regresso em Outubro com algumas novidades. Desta vez, o convidado é Luís Januário, médico pediatra e co-autor do blogue A Natureza do Mal.
Última sessão da primeira série, prevendo-se um regresso em Outubro com algumas novidades. Desta vez, o convidado é Luís Januário, médico pediatra e co-autor do blogue A Natureza do Mal.
sábado, 30 de junho de 2007
quinta-feira, 28 de junho de 2007
seven deadly sins party

grosvenor place, 7-7-2007.
a festa da suzanne obrigou-me a estudar os sete pecados capitais.
o convite refere "dress code: glamorous!" e embora não se trate de uma festa de carnaval, o pecado começa nos primeiros pensamentos sobre a luxúria.
de qualquer modo, ainda não me decidi pela "pose". oscilo entre a "melancolia" do papa gregório, retirada pela igreja católica por ser um conceito demasiado vago, e a óbvia "vaidade".
por "preguiça" aceitam-se sugestões.
a festa da suzanne obrigou-me a estudar os sete pecados capitais.
o convite refere "dress code: glamorous!" e embora não se trate de uma festa de carnaval, o pecado começa nos primeiros pensamentos sobre a luxúria.
de qualquer modo, ainda não me decidi pela "pose". oscilo entre a "melancolia" do papa gregório, retirada pela igreja católica por ser um conceito demasiado vago, e a óbvia "vaidade".
por "preguiça" aceitam-se sugestões.
sábado, 16 de junho de 2007
laginha & sassetti
sábado, 9 de junho de 2007
HGW XX/7

das leben der anderen (as vidas dos outros)
florian henckel-donnersmarck, 2006.
wiesler (hgw xx/7) da staatssicherheit lê versos de "erinnerung an die marie a." de brecht:
(...)
und über uns im schönen sommerhimmel
war eine wolke, die ich lange sah
sie war sehr weiß und ungeheur oben
und als ich aufsah, war sie nimmer da.
(...)
(...)
acima de nós no céu brilhante de verão
havia uma nuvem que os meus olhos acompanharam
era bastante branca e alta acima de nós
depois olhei e já não estava lá.
(...)
e isto é o resumo do filme.
"abraça-me, por favor"
christa-maria sieland para georg dreyman.
florian henckel-donnersmarck, 2006.
wiesler (hgw xx/7) da staatssicherheit lê versos de "erinnerung an die marie a." de brecht:
(...)
und über uns im schönen sommerhimmel
war eine wolke, die ich lange sah
sie war sehr weiß und ungeheur oben
und als ich aufsah, war sie nimmer da.
(...)
(...)
acima de nós no céu brilhante de verão
havia uma nuvem que os meus olhos acompanharam
era bastante branca e alta acima de nós
depois olhei e já não estava lá.
(...)
e isto é o resumo do filme.
"abraça-me, por favor"
christa-maria sieland para georg dreyman.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
das raízes

larkin grimm, at home.
o mundo todo é ao mesmo tempo
saltimbanco e sedentário,
caseiro.
como aquela menina,
mais irlandesa que americana,
mas mesmo assim americana,
que no salão cantou à luz das velas.
no proscénio como em casa.
em casa cantando do bosque.
poemas dos lobos como dos homens.
tão longe das raízes
como nós
em casa
o mundo todo é ao mesmo tempo
saltimbanco e sedentário,
caseiro.
como aquela menina,
mais irlandesa que americana,
mas mesmo assim americana,
que no salão cantou à luz das velas.
no proscénio como em casa.
em casa cantando do bosque.
poemas dos lobos como dos homens.
tão longe das raízes
como nós
em casa
terça-feira, 22 de maio de 2007
your dreams miss you

fishing for words, litografia offset
wosene kosrof, 2005.
voltei a meio de um spot do rozerem: "your dreams miss you".
o reencontro com os sonhos começa assim em sonoma, califórnia. uma galeria de arte que mostra, a proposito de coisa nenhuma, wosene worke kosrof, um artista etíope inspirado pelo jazz e pelos cartões de crédito.
são assim os sonhos. eu também tinha saudades vossas.
wosene kosrof, 2005.
voltei a meio de um spot do rozerem: "your dreams miss you".
o reencontro com os sonhos começa assim em sonoma, califórnia. uma galeria de arte que mostra, a proposito de coisa nenhuma, wosene worke kosrof, um artista etíope inspirado pelo jazz e pelos cartões de crédito.
são assim os sonhos. eu também tinha saudades vossas.
quarta-feira, 7 de março de 2007
19:59

words: the press conference room
instalação multimédia.
antonio muntadas, nova iorque.
à hora a que, como todos os guarda-redes,
sofremos a angústia do penalti
nesse momento em que se ensaiam
todas as mentiras
grandes e pequenas
penso que vais aparecer
e anunciar a todos os telejornais
o amor pelas palavras
na vez
das palavras pelo amor
instalação multimédia.
antonio muntadas, nova iorque.
à hora a que, como todos os guarda-redes,
sofremos a angústia do penalti
nesse momento em que se ensaiam
todas as mentiras
grandes e pequenas
penso que vais aparecer
e anunciar a todos os telejornais
o amor pelas palavras
na vez
das palavras pelo amor
domingo, 4 de março de 2007
domingo, 25 de fevereiro de 2007
da festa do cinema
sábado, 17 de fevereiro de 2007
newsreel

um mundo em diferido
pleno de lentes e microfones
que vejo e ouço
como documentários históricos e ecos
quase sempre quase nada
fora do meu mundo
fechado em volta de pessoas vagas
a horas mortas
ou vice-versa
eu, hora certa
e vontade pontual
de não ter assistido
ao mundo em directo
espreito a vida dos outros
e com isso adormeço
em noites de duas horas longas
e vagas como palavras
repórteres
pleno de lentes e microfones
que vejo e ouço
como documentários históricos e ecos
quase sempre quase nada
fora do meu mundo
fechado em volta de pessoas vagas
a horas mortas
ou vice-versa
eu, hora certa
e vontade pontual
de não ter assistido
ao mundo em directo
espreito a vida dos outros
e com isso adormeço
em noites de duas horas longas
e vagas como palavras
repórteres
domingo, 11 de fevereiro de 2007
amantes sunt amentes
domingo, 21 de janeiro de 2007
fiama

quem como nós na curva de céus vários pressentiu
(em céus de boca e ares)
que os elementos, de si, nunca se encontram diz:
a água não amaina; o fogo nas queimadas,
nas lajes do lar
não nos sacia; o ar não cria
a vibração das folhas - esta é a nudez;
na terra, sobretudo sente-se: as suas casas, as traves
que as sustêm, desfalecem.
quem as habita parado, quem como nós vivo
diz: a fome é hostil,
o homem movimenta-se impaciente,
o seu desejo ocupa a sua vida.
in vértice nº 286, fiama hasse pais brandão.
(em céus de boca e ares)
que os elementos, de si, nunca se encontram diz:
a água não amaina; o fogo nas queimadas,
nas lajes do lar
não nos sacia; o ar não cria
a vibração das folhas - esta é a nudez;
na terra, sobretudo sente-se: as suas casas, as traves
que as sustêm, desfalecem.
quem as habita parado, quem como nós vivo
diz: a fome é hostil,
o homem movimenta-se impaciente,
o seu desejo ocupa a sua vida.
in vértice nº 286, fiama hasse pais brandão.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
escrever e dizer

mystical lady (close up 1)
© judy hintz cox 2002
diz a inês que não deve escrever-se o que pode ser dito. falava à noite de livros de cabeceira, agora ouço-a à hora de almoço de sábado. a inês não fala de diários ou cadernos de viagens que não podem sequer ser sussurados. não diz da evolução das páginas ao sol e aos sentimentos. talvez me responda um dia que se vão dizendo com outras vozes.
sexta-feira, 12 de janeiro de 2007
da assistência social
terça-feira, 9 de janeiro de 2007
retoma: com uma pequena ajuda de baudelaire

este sempre foi o local, quase sempre deserto, onde escrevi o que não era. a verdade é outra coisa e está noutro lugar. aqui pude deixar palavras com o abandono do bookcrossing. uma vez, deixei aqui um livro aberto e ninguém o leu. treinei aqui a caligrafia e depois pensei abandonar tudo o que escrevi no último banco da avenida das tílias do jardim botânico. ainda não é o tempo.
Nous pouvons couper ora nous voulons, moi ma reverie, vous le manuscrit, le lecteur sa lecture; car je ne suspends pas la volonte retive de celui-ci au fil interminable d'une intrigue superflue. Enlevez une vertebre, et les deux morceaux de cette tortueuse fantaisie se rejoindront sans peine.
Nous pouvons couper ora nous voulons, moi ma reverie, vous le manuscrit, le lecteur sa lecture; car je ne suspends pas la volonte retive de celui-ci au fil interminable d'une intrigue superflue. Enlevez une vertebre, et les deux morceaux de cette tortueuse fantaisie se rejoindront sans peine.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
depois

hoje e sempre, a mesma angústia do final de cada sessão de composição dorida e violenta. todos os minutos depois dos ensaios em que se finge sózinho a grande orquestra. o escuro que resta depois dos concertos, a protecção das bambolinas que eram há pouco a lua e as estrelas. todos os pensamentos novos e as alegrias velhas, também elas repetidamente tristes. hoje não é quinta-feira e ainda não falo de música.
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
e já que é quinta-feira

Quebra-Costas > 5ª-feira, 23 de Novembro
XM | 5º Aniversário
22:00 > Apresentação do filme: The Belly of an Architect, de Peter Greenway
Inauguração da loja integrada Mia (moda retro)
fotografia: JACC
produção: Fila K Cineclube, XM
*Mau Feitio* | moda + intervenção
Snacks and Drinks:
*Bar Quebra-Costas*
Medina Sandwich-Bar
Design gráfico:
2Head
*XYK* é um ciclo de iniciativas temáticas de regularidade mensal que
pretendem resgatar a normalidade das noites de cbr. Irradiando de uma rede
de espaços, grupos e focos de resistência cultural à barbárie, apatia e
indiferença, reclama-se o sentido colectivo do território da cidade como
local definitivo de encontro, prazer, inteligência e desejo.
Porque coimbra não existe, não tem encanto, nem sei as horas...
XM | 5º Aniversário
22:00 > Apresentação do filme: The Belly of an Architect, de Peter Greenway
Inauguração da loja integrada Mia (moda retro)
fotografia: JACC
produção: Fila K Cineclube, XM
*Mau Feitio* | moda + intervenção
Snacks and Drinks:
*Bar Quebra-Costas*
Medina Sandwich-Bar
Design gráfico:
2Head
*XYK* é um ciclo de iniciativas temáticas de regularidade mensal que
pretendem resgatar a normalidade das noites de cbr. Irradiando de uma rede
de espaços, grupos e focos de resistência cultural à barbárie, apatia e
indiferença, reclama-se o sentido colectivo do território da cidade como
local definitivo de encontro, prazer, inteligência e desejo.
Porque coimbra não existe, não tem encanto, nem sei as horas...
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