quarta-feira, 22 de agosto de 2012

noite de agosto


passei aquela noite a olhar o céu, a ensaiar um adeus e esperei poder dormir todas as outras.
os astros não são os mesmos mas aquela noite regressa muitas vezes.
ainda ontem, ainda agora.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

beauty calibrator

max factor, 1932
measuring device which enabled Hollywood make-up artists 
to pinpoint where facial corrections needed to be made.

a estética é a irmã mais nova da lógica
a beleza é o melhor conhecimento 
que os sentidos podem experimentar

alexander gottlieb baumgarten

quinta-feira, 19 de julho de 2012

segunda-feira, 4 de junho de 2012

lachrimae

rosa barba, coro spezzato: the future lasts one day.

a arquitectura solene do momento da vossa morte foi desenhada por duras. um coro barroco anuncia numa sala vazia quão longe chega tanto da vossa partida.

domingo, 13 de maio de 2012

say goodbye to a story




Christoph Schlingensief, ATT 1/11 (2011)

esta era a história a escrever.
antes da agonia e depois do silêncio. 
diálogo e construção.
numa segunda tentativa, o ensaio de uma dança. 
repetida vezes sem conta. êxtase e libertação. 
no terceiro acto só a morte está à altura do amor. uma e outra vez. 
a ópera trágica como exagero da vida.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

todas as máquinas têm o seu atrito


Dallas Seitz
A Very Still Life, Dr Kevorkian And The Suicide Machine (pormenor), 2009.
Graphite coated air-drying clay, post-card holder, milk bottles, 
surgical tube, clothes pegs, saline, sedative, poison

mas quando o atrito chega ao ponto de controlar a máquina, digo que não devemos mais ficar presos a tal máquina. 


A Desobediência Civil, Henry David Thoreau



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

momento jb

tao wells, blackboard art 2009.

há em cada um de nós 
um artista que se deita tarde
e um operário que se levanta cedo

terça-feira, 1 de novembro de 2011

no rage against, i am a machine


toco com os dedos as palavras que não puderam ser ditas
vejo as imagens de anteontem
guardo nas nuvens os sons marcados com estrelas
repito a tristeza ou a alegria
on demand 
sou moderno como convém

sábado, 22 de outubro de 2011

hallelujah



celebrating saturday morning gods
jeff buckley style

sábado, 15 de outubro de 2011

rumo

ants, michal fuhrer 2011.


as formigas procuram a minha roupa, a toalha do banho e a minha cama. 
ainda trago no meu corpo, depois de tanto tempo, a memória do teu doce.

parte agora, em ácido fórmico, a noticia da tua ausência.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

e nasce um novo dia






e no braço uma asa

concerto para fagote  em si bemol maior kv191, wa mozart

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

de rerum natura

para que dois corpos se movam 
é necessário o vazio
(epicuro)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

sábado, 6 de agosto de 2011

sábado


como os pássaros cantam porque voam
danço porque te trago comigo

quinta-feira, 28 de julho de 2011

she (a propósito de kippenberger)

haneli mustaparta (c) 2009.

os passeios, os corredores e as escadas servem diversos encontros e desencontros. a medida das distâncias, o ensaio dos silêncios, o tom de voz que nos trai no último passo. uma probabilidade infinita de perdas irreparáveis.  ao fim de pouco tempo, queremos os caminhos dos outros, as vidas dos outros, fazemos batota e não funciona. um dia, partilhamos o percurso no mesmo sentido e tudo muda. caminhamos lado-a-lado mas estamos verdadeiramente frente-a-frente. há um momento mágico em que o caminho é partilhado e compreendemos essa magia como se nos apresentassem de bandeja a coerência do universo. assim, redondo e cruel. agora nós e não outros. neste sentido, o nosso.

terça-feira, 10 de maio de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

carmões

believing in spring

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Maio

Dubrovnik, Setembro 2010

Dia perfeito:
diapasão.
Marinho. Murano,
meu.
 

Eucanaã Ferraz

sexta-feira, 30 de julho de 2010

i can't see the light

LuxFrágil 29.07.2010

It’s not too much to imagine a night with room for more than mere brilliance will allow: the flowering of cockleburs and the warmth of cafes in evening; the safe passage of loggerhead turtles and skyscrapers figured anew; the stars above more brilliant ... and our own long-storied selves intimately at home in immensity.

Jane Brox, Brilliant: The Evolution of Artificial Light, 2010.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

babel

"Sob as águias silenciosas,
a imensidão carece de significado"

Livro do Frio, Antonio Gamoneda (1992).

domingo, 27 de junho de 2010

“If you want to disappear ...


come around for private lessons,”
Brion Gysin

domingo, 13 de junho de 2010

fds


Utero 

REGINA: 21 a 27 de Junho Espaço Land na Rua nova do carvalho 77 2 andar Cais do Sodré


"Quem diz que é pela rainha
Nem precisa de mais nada"

a ouvir: 
where is my mind (the pixies cover) 
maxence cyrin

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

da Intellectualidade Portuguesa


john baldessari
 ‘hands and/or feet (part two)’ @ sprueth magers, berlin 2010.


"A Eternidade existe sim mas não é tão devagar!"
Almada Negreiros, K4 O Quadrado Azul, 1917.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

akaki akakievitch





Lauren Kelley, Get Bones from 88 Jones.


não sabia muito bem se se encontrava 
no meio de uma rua ou no meio de uma frase
sebald sobre walser referindo gogol por nabokov

sábado, 19 de dezembro de 2009

aprender a viver em pleno vento






... relógio: breve cartografia do desejo efémero.

josé ángel cilleruelo
tunelles, salobre 1999.

foto: fontes, cildo meireles

domingo, 13 de dezembro de 2009

still nature



entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

dezembro vibra vidros brande as folhas*



*morte ao meio-dia, país possível.
 ruy belo, 1973.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

teatro


Bharti Kher, An Absence Of Assignable Cause, 2007.

Talvez isto pareça um cliché, mas alguma coisa aconteceu aqui esta noite. Hoje, sentado aqui, percebi subitamente, cá bem no fundo, que vocês estavam todos a entregar o coração ao vosso trabalho pela primeira vez – deixou os dedos abrirem-se sobre o bolso da sua camisa para mostrar como o coração era uma coisa simples e física; a seguir cerrou a mesma mão em punho, que agitou lentamente e sem palavras, numa longa pausa dramática, a fechar um olho e a deixar os lábios húmidos curvarem-se num esgar de triunfo e de orgulho. – Façam isso novamente amanhã à noite – disse ele – e vamos ter um espectáculo dos diabos.

Richard Yates, Revolutionary Road.

domingo, 28 de junho de 2009

grace


não mais que de repente
grace
hoje e sempre do mesmo lado
hoje e sempre aqui ao lado

terça-feira, 23 de junho de 2009

o mundo, outra vez


dos breves instantes, interessam-me:
as falsas medidas do homem,
a dor de que fala agustina,
e ainda assim,
a escrita que a pariu.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

palavra-talismã


voltarei também
se não for um bicho
trocarei a palavra
por um olhar

(o cam voltou)

sábado, 10 de maio de 2008

national f days


os dias desiguais são um "foda-se" em forma de assim.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

administração


"Os mais apetecíveis não são os que nos deixam beijá-los de imediato (depressa nos sentimos ingratos), nem os que nunca nos deixam beijá-los (depressa os esquecemos), mas os que sabem administrar sabiamente a esperança e o desespero"."

alain de botton, ensaios de amor.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

da alma



o pianista júlio resende, inclui no encarte do seu mais recente cd
alguns versos em que afirma que preferirá sempre ser romeu a ler shakespeare.

knopfli não ouve resende.
eu prefiro ler shakespeare.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

à noite: o desencontro


oscilo entre o desejo ingénuo e romântico dos dias como homeless
e uma noite de glamour fútil no redwood room,
o bar do clift hotel em são francisco.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

h.g.


era uma vez um rapaz, nascido em 1937 em filadélfia, que estuda na julliard school of music, toca com wynton kelly, lee konitz, dave bailey, tony scott, bill evans, paul motion, gerry mulligan, chet baker, sonny rollins, roy haynes, thelonious monk, benny goodman, cecil taylor, archie shepp, charles mingus, mccoy tyner, billy higgins, albert ayler, don cherry, pharoah sanders e desaparece em 1967. aos trinta anos, portanto. dizia-se que tinha morrido e o mundo esqueceu-se dele. nos anos 80 volta a anunciar-se a sua morte recente. em 2002, 35 anos depois (!!!), o rapaz volta a tocar porque lhe oferecem "olive oil", um novo contrabaixo. sabe-se então que nos anos 60 foi obrigado a vender o seu instrumento para sobreviver, vivendo de trabalhos diversos.

o rapaz vem a portugal no final de outubro e vale a pena ouvir ao vivo antes de morrer. falo da nossa morte, claro.

henry grimes’s sublime communication:
henry grimes (contrabaixo, violino e voz), andrew lamb (saxofones, clarinete e flauta) e newman taylor baker (bateria e percussão)

27 outubro
festival internacional de jazz de ponta delgada, açores.

31 outubro
galeria zé dos bois, lisboa.

1 novembro
forum cultural da moita.

2 novembro
encontros internacionais de jazz de coimbra,
salão brazil, coimbra


nota importante: o rapaz henry celebra o seu aniversário a 3 de novembro!

sábado, 8 de setembro de 2007

writers' rooms





o the guardian tem vindo a publicar uma secção sobre os locais que autores famosos usam para escrever. se a ideia poderia parecer interessante à partida, a experiência resulta numa desilusão, como qualquer outra em que se comete o erro de querer conhecer a vida privada dos escritores. porém, a observação atenta dos locais dos eleitos leva-nos a concluir que estarão unidos pela mesma ausência.

quem poderá adivinhar qual o escritório de alain de botton, seamus heaney ou john banville?

a verdade mesmo, é que isso não interessa nada.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

história trágica com final feliz



regina pessoa, , 7min 46seg, 2005.

As pessoas já não sabiam se era alguém que morria, ou alguém que nascia...

Mas uma coisa era certa… ninguém se importaria de partir assim…

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

fnat, digo inatel



chegou finalmente a semana que reservei no inatel. ao fim da tarde de ontem chegaram os autocarros, os táxis, a pronúncia do norte e as reformas antecipadas. eu não sei o que faço aqui, pensei eu. hoje, ao pequeno almoço, as queixas foram as mesmas. na piscina, abriram-se os mesmos jornais. o quiosque só vende o 24 horas e números amarelados da burda e da anna. eu comprei um exemplar dos livros do brasil a preço antigo. lembrei-me da casa grande que o tio zé alugava à temporada em buarcos. ao meio dia já havia um movimento formiguento para a sala das refeições. não dormi a sesta por inquietação. estão a chamar-me para o lanche para beber groselha e comer pão com marmelada. eu finjo que não ouço. ainda faltam seis dias que me custaram três horas de fila e uma cunha do senhor silva. era numa madrugada de janeiro e a menina zefa era ainda uma possibilidade.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

jeff, why are you everywhere, jeff? black beauty I love you so...



It's a song about a dream

Well i'm lying in my bed
The blanket is warm
This body will never be safe from harm
Still feel your hair, black ribbons of coal
Touch my skin to keep me whole

If only you'd come back to me
If you laid at my side
I wouldn't need no Mojo Pin to keep me satisfied

Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so

Precious, precious silver and gold and pearls in oyster's flesh
Drop down we two to serve and pray to love
Born again from the rhythm screaming down from heaven
Ageless, ageless
I'm there in your arms

Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so
So, so...

The welts of your scorn, my love, give me more
Send whips of opinion down my back, give me more
Well it's you I've waited my life to see
It's you I've searched so hard for...

Don't wanna weep for you, I don't wanna know
I'm blind and tortured, the white horses flow
The memories fire, the rhythms fall slow
Black beauty I love you so
So, black black black black beauty...


mojo pin, jeff buckley/gary lucas.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

recordar os gestos de amanhã


quem serei amanhã?
se somos outro para cada um
em cada hora.

quem serei
quando acordar sozinho,
fechado na minha tímidez
a passar o portão da fábrica,
a entrar e sair do gabinete
do encarregado dos serviços gerais?

e se não for o mesmo
quando paro ao meio da manhã
para comer, ao sol,
a maçã com a menina zefa?

quem serei
quando recordar a noite branca,
as páginas roubadas à morte,
quando fantasiar
outra vez ainda
sobre o almoço da cantina
desta vez em salzburgo
desta vez jantar
desta vez dançando

quem serei amanhã
quando não souber
o caminho do bairro operário
todos os cumprimentos
todos os olhares
todos os silêncios?

quem serei
quando não me vestir
da pessoa certa
para poder ter
as maçãs
e as noites brancas?

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

arte postal


it's a sony, manuel ferreira.

A ARTE POSTAL iniciou-se com a "Correspondance Art School" de Ray Johnson, nos anos 50.

Esta forma de comunicação criativa teve origem na revolução científico - industrial que permitiu o funcionamento a nível universal dos serviços dos correios desde logo se assumindo como uma ruptura com a tradição artística que significaram os movimentos e escolas artísticas do ínicio do século e do pós-guerra.

Dadaístas, futuristas e surrealistas como Schwitters e Duchamp aderiram à ARTE POSTAL para divulgar os seus pontos de vista e trocar mensagens criativas. Em meados dos anos 60, na América do Sul, desenvolveu-se uma intensa actividade criativa entre poetas e editoras. Eduardo António Vigo, o brasileiro Wlademir Diaz Pino e o chileno Guilhermo Deisler fizeram história.

Através de revistas, fanzines e exposições a actividade dos creativos postais ganha forma pública. Em países como a Itália e a Suécia existem museus dedicados à ARTE POSTAL.

Esta forma de arte reveste um carácter anti-comercial e anti-consumista, um carácter personalizado que se opõe aos fenómenos de massas que as tecnologias introduziram na difusão de certas formas de expressão artística. O circuito da arte postal convencionou que todas as obras recebidas serão exibidas na totalidade sem sujeição a uma selecção ou juri. Quem provoca a manifestação "obriga-se" a enviar uma catálogo aos participantes onde constem os seus contactos. As obras recebidas não podem ser comercializadas e não serão devolvidas.

A liberdade de suporte e de técnica só é limitada pela possibilidade de envio pelos serviços postais. As propostas chegam ao destino enriquecidas pelos selos, tarjetas, carimbos do remetente, após uma viagem que acrescenta à obra criada signos e imagens, dando-lhes um cariz alternativo, renovando cada objecto, tornando-o mais tarde... em frente e verso.

"JAPAN" , é o tema proposto pelo ClubOtaku, Portugal.

Queremos que cada artista nos mostre a sua visão pessoal do Japão. Queremos viajar pelo mundo inteiro, com as vossas imagens, filmes, palavras ou mesmo músicas...


mais informações: aqui.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

o verão duras


marguerite duras escreveu, ou melhor, ditou em "a vida material" que sempre se sentia no fim de cada verão como uma tonta que não percebe o que se passou mas que percebe que é demasiado tarde para poder viver o que se passou. mesmo assim, sabia olhar o mar e escreveu em "verão 80" o que não podia viver.

eu sempre entendi o verão como um intervalo em que não sabemos se vivemos outra coisa ou a mesma história contada de modo diferente. a sensação é a mesma que teríamos se no intervalo do cinema projectassem cenas diferentes com um grupo de actores mais ou menos igual. a minha situação é, contudo, pior que a de duras: não imagino sequer como poderia ter vivido o verão e muito menos escrevê-lo.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

insiders



"What is an Insider?

An Insider is to the body what memory is to consciousness: a kind of residue, something that is left behind. It is a core rather than a skeleton. It is a way of allowing things that are internal to the body - attitudes and emotions embedded in posture or hidden by gesture - to become revealed. They are equally alien and intimate.

The idea is that the pieces carry in concentrated form the trace of the body and its passage through life. This has a direct relationship to pain. I see these reduced forms as antennae for a particular kind of resilience that exists within all of us, that allows us to bear suffering but is itself created through painful experience. There is no judgement about this. Their bareness is not the nakedness that reveals the flesh, it is the result of having had the flesh taken away, a loss which is not sentimentalised, but accepted. The Insider tries to up the ante between being and nothingness.

This process of objective mathematical reduction leads to a particular form of abstraction, a found object never revealed before and certainly not invented. It is a body that lies within all of us.

The Insider suggests also that the most intimate is the most strange, that inside each of us is a self that we would maybe rather not recognise and constitutes a kind of third man, the Insider as alien witness."

Antony Gormley

domingo, 12 de agosto de 2007

temporada de patos



as casas são, por agora, mulheres tranquilas
que apreciam o "pleasure delay".