*Pastelaria (1945), Mário Cesariny in Nobilíssima visão (1959).
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
silêncio
da série I am de Manal Al Dowayan, 2009.
As nossas palavras estão mortas
Como a consciência dos tiranos
Eles nunca se banharam na
fonte da vida,
nunca conheceram as dores do
parto ou as feridas,
o milagre de caminhar sobre
pontas de lança.
Sonhamos com um mundo livre
de cadeias
Erguendo-se das nossas penas
paralisadas
Uma estação de rosas
vai florir nos nossos
corações que morrem
Sonhamos com um novo milagre
nascido das nossas penas
Quando um poeta corajoso tem
medo de morrer
O seu melhor poema é o silêncio!
Silêncio, Ghazi al-Gosaibi.
sábado, 20 de outubro de 2012
o escuro
mario pascual, sem título 2010, saatchi gallery.
Eu sou nós os dois.
Ou melhor, nós os dois somos nós os dois, eu sou o terceiro.
Sou eu quem está a falar de nós.
Em prosa, provavelmente: o escuro.
Nenhuma palavra e nenhuma lembrança.
Manuel António Pina, Assírio & Alvim, 1999.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
the blind spot
Christian Andersson - The Blind Spot, 2003/2006
spotlight, tripé, caixa de luz, plexiglass, pintura | 170 x 60 cm.
o fim é que está em nós.
O fim é que está abaixo da nossa pele,
se acumulando em espirais
por cada canto do nosso corpo.
Até que transborde...
João Paulo Cuenca
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
baggio
unidisplay, carsten nicolai 2012, hangarbicocca, milão.
de todas as luzes da estrada
a noite da lombardia é a mais brilhante.
m é o início das estações
daqui voltaremos a todos os lugares.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
domingo, 2 de setembro de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
el olvido que seremos
David Noonan’s untitled installation, 2008, Contemporary Art Museum St. Louis.
“Esse é um dos paradoxos mais tristes da minha vida:
quase tudo o que tenho escrito,
foi escrito para alguém que não me pode ler,
e mesmo este livro não passa de uma carta para uma sombra.”
quase tudo o que tenho escrito,
foi escrito para alguém que não me pode ler,
e mesmo este livro não passa de uma carta para uma sombra.”
Héctor Abad Faciolince
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
noite de agosto
passei aquela noite a olhar o céu, a ensaiar um adeus e esperei poder dormir todas as outras.
os astros não são os mesmos mas aquela noite regressa muitas vezes.
ainda ontem, ainda agora.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
beauty calibrator
max factor, 1932
measuring device which enabled Hollywood make-up artists
to pinpoint where facial corrections needed to be made.
a estética é a irmã mais nova da lógica
a beleza é o melhor conhecimento
que os sentidos podem experimentar
alexander gottlieb baumgarten
quinta-feira, 19 de julho de 2012
segunda-feira, 4 de junho de 2012
lachrimae
rosa barba, coro spezzato: the future lasts one day.
domingo, 13 de maio de 2012
say goodbye to a story
Christoph Schlingensief, ATT 1/11 (2011)
antes da agonia e depois do silêncio.
diálogo e construção.
numa segunda tentativa, o ensaio de uma dança.
repetida vezes sem conta. êxtase e libertação.
no terceiro acto só a morte está à altura do amor. uma e outra vez.
a ópera trágica como exagero da vida.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
todas as máquinas têm o seu atrito
Dallas Seitz
A Very Still Life, Dr Kevorkian And The Suicide Machine (pormenor), 2009.
Graphite coated air-drying clay, post-card holder, milk bottles,
surgical tube, clothes pegs, saline, sedative, poison
mas quando o atrito chega ao ponto de controlar a máquina, digo que não devemos mais ficar presos a tal máquina.
A Desobediência Civil, Henry David Thoreau
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
momento jb
tao wells, blackboard art 2009.
há em cada um de nós
um artista que se deita tarde
e um operário que se levanta cedo
terça-feira, 1 de novembro de 2011
no rage against, i am a machine
toco com os dedos as palavras que não puderam ser ditas
vejo as imagens de anteontem
guardo nas nuvens os sons marcados com estrelas
repito a tristeza ou a alegria
on demand
sou moderno como convém
sábado, 22 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
rumo
ants, michal fuhrer 2011.
as formigas procuram a minha roupa, a toalha do banho e a minha cama.
ainda trago no meu corpo, depois de tanto tempo, a memória do teu doce.
parte agora, em ácido fórmico, a noticia da tua ausência.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
sábado, 6 de agosto de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
she (a propósito de kippenberger)
haneli mustaparta (c) 2009.
os passeios, os corredores e as escadas servem diversos encontros e desencontros. a medida das distâncias, o ensaio dos silêncios, o tom de voz que nos trai no último passo. uma probabilidade infinita de perdas irreparáveis. ao fim de pouco tempo, queremos os caminhos dos outros, as vidas dos outros, fazemos batota e não funciona. um dia, partilhamos o percurso no mesmo sentido e tudo muda. caminhamos lado-a-lado mas estamos verdadeiramente frente-a-frente. há um momento mágico em que o caminho é partilhado e compreendemos essa magia como se nos apresentassem de bandeja a coerência do universo. assim, redondo e cruel. agora nós e não outros. neste sentido, o nosso.
terça-feira, 10 de maio de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
terça-feira, 19 de outubro de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
i can't see the light
LuxFrágil 29.07.2010
It’s not too much to imagine a night with room for more than mere brilliance will allow: the flowering of cockleburs and the warmth of cafes in evening; the safe passage of loggerhead turtles and skyscrapers figured anew; the stars above more brilliant ... and our own long-storied selves intimately at home in immensity.
Jane Brox, Brilliant: The Evolution of Artificial Light, 2010.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
babel
"Sob as águias silenciosas,
a imensidão carece de significado"
Livro do Frio, Antonio Gamoneda (1992).
domingo, 27 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
da Intellectualidade Portuguesa
john baldessari
‘hands and/or feet (part two)’ @ sprueth magers, berlin 2010.
"A Eternidade existe sim mas não é tão devagar!"
Almada Negreiros, K4 O Quadrado Azul, 1917.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
akaki akakievitch

Lauren Kelley, Get Bones from 88 Jones.
não sabia muito bem se se encontrava
no meio de uma rua ou no meio de uma frase
no meio de uma rua ou no meio de uma frase
sebald sobre walser referindo gogol por nabokov
sábado, 19 de dezembro de 2009
aprender a viver em pleno vento
... relógio: breve cartografia do desejo efémero.
josé ángel cilleruelo
tunelles, salobre 1999.
foto: fontes, cildo meireles
domingo, 13 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
teatro

Bharti Kher, An Absence Of Assignable Cause, 2007.
Talvez isto pareça um cliché, mas alguma coisa aconteceu aqui esta noite. Hoje, sentado aqui, percebi subitamente, cá bem no fundo, que vocês estavam todos a entregar o coração ao vosso trabalho pela primeira vez – deixou os dedos abrirem-se sobre o bolso da sua camisa para mostrar como o coração era uma coisa simples e física; a seguir cerrou a mesma mão em punho, que agitou lentamente e sem palavras, numa longa pausa dramática, a fechar um olho e a deixar os lábios húmidos curvarem-se num esgar de triunfo e de orgulho. – Façam isso novamente amanhã à noite – disse ele – e vamos ter um espectáculo dos diabos.
Richard Yates, Revolutionary Road.
domingo, 28 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
o mundo, outra vez
dos breves instantes, interessam-me:
as falsas medidas do homem,
a dor de que fala agustina,
e ainda assim,
a escrita que a pariu.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
sábado, 10 de maio de 2008
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
administração
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
da alma
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
à noite: o desencontro
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
h.g.

era uma vez um rapaz, nascido em 1937 em filadélfia, que estuda na julliard school of music, toca com wynton kelly, lee konitz, dave bailey, tony scott, bill evans, paul motion, gerry mulligan, chet baker, sonny rollins, roy haynes, thelonious monk, benny goodman, cecil taylor, archie shepp, charles mingus, mccoy tyner, billy higgins, albert ayler, don cherry, pharoah sanders e desaparece em 1967. aos trinta anos, portanto. dizia-se que tinha morrido e o mundo esqueceu-se dele. nos anos 80 volta a anunciar-se a sua morte recente. em 2002, 35 anos depois (!!!), o rapaz volta a tocar porque lhe oferecem "olive oil", um novo contrabaixo. sabe-se então que nos anos 60 foi obrigado a vender o seu instrumento para sobreviver, vivendo de trabalhos diversos.
o rapaz vem a portugal no final de outubro e vale a pena ouvir ao vivo antes de morrer. falo da nossa morte, claro.
henry grimes’s sublime communication:
henry grimes (contrabaixo, violino e voz), andrew lamb (saxofones, clarinete e flauta) e newman taylor baker (bateria e percussão)
27 outubro
festival internacional de jazz de ponta delgada, açores.
31 outubro
galeria zé dos bois, lisboa.
1 novembro
forum cultural da moita.
2 novembro
encontros internacionais de jazz de coimbra,
salão brazil, coimbra
nota importante: o rapaz henry celebra o seu aniversário a 3 de novembro!
o rapaz vem a portugal no final de outubro e vale a pena ouvir ao vivo antes de morrer. falo da nossa morte, claro.
henry grimes’s sublime communication:
henry grimes (contrabaixo, violino e voz), andrew lamb (saxofones, clarinete e flauta) e newman taylor baker (bateria e percussão)
27 outubro
festival internacional de jazz de ponta delgada, açores.
31 outubro
galeria zé dos bois, lisboa.
1 novembro
forum cultural da moita.
2 novembro
encontros internacionais de jazz de coimbra,
salão brazil, coimbra
nota importante: o rapaz henry celebra o seu aniversário a 3 de novembro!
sábado, 8 de setembro de 2007
writers' rooms



o the guardian tem vindo a publicar uma secção sobre os locais que autores famosos usam para escrever. se a ideia poderia parecer interessante à partida, a experiência resulta numa desilusão, como qualquer outra em que se comete o erro de querer conhecer a vida privada dos escritores. porém, a observação atenta dos locais dos eleitos leva-nos a concluir que estarão unidos pela mesma ausência.
quem poderá adivinhar qual o escritório de alain de botton, seamus heaney ou john banville?
a verdade mesmo, é que isso não interessa nada.
quem poderá adivinhar qual o escritório de alain de botton, seamus heaney ou john banville?
a verdade mesmo, é que isso não interessa nada.
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