Prabhakar Pachpute, 31ª Bienal de São Paulo, 2014.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
sábado, 22 de fevereiro de 2014
The Grail
Swimming Pool, Leandro Erlich.
Here are your waters and your watering place.
Drink and be whole again beyond confusion.
Directive, Robert Frost.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
um monte de terra
Erdhüegel. Lois Weinberger, 1994-2010.
um dia, abandonei um livro num banco do jardim botânico.
ninguém o leu.
hoje, pousei um lenço num monte de terra.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
exercício espiritual
Public Lighting (76’, Beta SP) de Mike Hoolboom
É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem
É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer
Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora
Mário Cesariny de Vasconcelos
manual de prestidigitação
assírio e alvim, 1981.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Quotidiano
Vija Celmins. “Night Sky #10,” 1994-1995.
Nunca foi tão depressa noite neste bairro
Poema Quotidiano
Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Passado
Reflets , Gao Xingjian (2011).
Vibra o passado em tudo o que palpita
qual dança em coração de bailarino
ao regressar já mudo o violino
e há nuvens sobre o bosque em que transita
Os Sonetos de Walter Benjamin
trad. Vasco Graça Moura, Porto: Campo das Letras, 1999.
domingo, 5 de janeiro de 2014
Atormenta-me a certeza calma e clara
Henrik Olesen. Imitation/Enigma (2). 2008.
Morrer é uma corda tensa de silêncios
um hálito frio nos lábios dos amantes
Ofício Imperfeito, Paulo Ramalho
A Mar Arte, 1997.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Cavaliere
Still Fly, Angelica Marin.
I would like to be remembered for the volcano
The Volcano Lover, Susan Sontag 1992.
domingo, 15 de dezembro de 2013
sábado
floating bed, faye toogood, elle decoration.
como quem incendeia os barcos à chegada a terra
para não ter forma de regressar a casa.
tiago araújo, resumo
a poesia em 2011, assírio & alvim, 2012.
domingo, 1 de dezembro de 2013
marta
that day she contemplated, fotografia de Marta Orlowska
Os dias sem prognóstico, vivendo apenas para
esperar a madrugada, e que ela venha como o cortejo
e aprendas a ficar.
in Podias obedecer a um registo de perder, Marta Chaves
Telhados de Vidro n.º 16. Lisboa: Averno, 2012, p. 81.
sábado, 9 de novembro de 2013
la sagesse
L'écume des jours, Michel Gondry 2013.
- Qu’est-ce que vous faites dans la vie, vous?
- J’apprends des choses, dit Colin. Et j’aime Chloé.
L'écume des jours, Boris Vian 1947.
domingo, 3 de novembro de 2013
caminhos do espelho
Night Landscapes, John Kobeck 2013.
Mas o silêncio é certo. Por isso escrevo. Estou só e escrevo.
Não, não estou só. Há aqui alguém que treme.
Alejandra Pizarnik
Extracção da Pedra da Loucura (1968),
tradução de Luciana Leiderfarb
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
o relógio
Jeremy Lepisto, Watertower series, 2008-2009.
Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.
O relógio, João Cabral de Melo Neto.
domingo, 6 de outubro de 2013
miopia
Land singing 2, Otik Skalicky 2009.
Creio em deus que, a existir, há-de ser um taxista em lisboa, pela forma pouco suave com que me perguntou onde se havia de enterrar o teu corpo no dia em que me morreste.
miopia, Beatriz Hierro Lopes.
ao longe todos são pedras, 2013.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
valsa
Haley Nagy, Bridal Portraits sketches, in progress. 2011.
Os cabelos, não.
Tampouco olhos.
Nada além do sorriso: pedras
que as palavras atravessam rápidas
como lagartos, muro
onde encostar meu cansaço.
Eucanaã Ferraz, Retrato de menina.
Martelo, Rio de Janeiro: Editora Sette Letras, 1997.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
encontro marcado
Arman, Alarm Clocks (Reveils), 1960. Collection Museum of Contemporary Art.
um dia deram cabo do mundo
eu tinha o dia e a hora prometidos
e roubei-me o tempo
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Uma carta
Tino Sehgal, This Variation (2012), Australian Centre for Contemporary Art
(...)
a ténue luz que ainda ilumina
as sombrias paredes deste quarto
vale, escassa seja,
a escuridão que havia
antes de a encontrarmos.
in Uma Carta, Bernardo Pinto de Almeida
Negócios em Ítaca, Relógio d'Água 2011.
domingo, 1 de setembro de 2013
os meus melhores desejos
Ed Osborn, Night-Sea Music, 1998. SFMOMA.
Que a vida te pareça suportável.
Que a culpa não afogue a esperança.
Que não te rendas nunca.
Que o caminho que sigas seja sempre escolhido
entre dois pelo menos.
Que te interesse a vida tanto como tu a ela.
Que não te apanhe o vício
de prolongar as despedidas.
E que o peso da terra seja leve
sobre os teus pobres ossos.
Que a tua recordação ponha lágrimas nos olhos
de quem nunca te disse que te amava.
Amalia Bautista
Estou Ausente, Averno 2013.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Não é tarde
Cy Twombly. sem título. 1970. MoMA, Nova Iorque.
O amor é como o fogo, não se propaga
onde o ar escasseia. Mas não te preocupes
eu fecho mais a porta.
Gestos e paveias, acendalhas, o isqueiro
funciona! Poderoso combustível
é o corpo. Acende deste lado.
Ainda não é tarde, foi agora anunciado
pela rádio, são dezoito e vinte cinco.
Respira-nos, repara, a ilusão
de que a vida não se esgota, como os saldos
de verão. E a morte, à medida que te despe
vai perdendo o nosso número de telefone.
José Miguel Silva
Ulisses já não mora aqui
& etc. 2002.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
tarde
At Land (1944), Maya Deren.
O que eu queria dizer-te nesta tarde
Nada tem de comum com as gaivotas
Tarde, No tempo dividido (1954)
Sophia de Mello Breyner Andresen
domingo, 21 de julho de 2013
assia
a tua falta de assunto sobre a vida
mostra que pairas sobre as coisas
dentes cravados no interminável cordão
espelho roubado a ted hughes
rosa oliveira, cinza,
tinta da china, lisboa 2013.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
revolução
Elas disseram à mãe, segure-me aqui os cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é.
Revolução e mulheres, Maria Velho da Costa
Cravo (Lisboa: Moraes, 1976).
quinta-feira, 18 de abril de 2013
e porque um poema não é a Isabela Rossellini*
foi quando estava a escurecer
e por baixo de mim
vi o telhado da minha casa,
vi as sombras pousando
sobre a paisagem da East Anglia,
vi a orla da ilha,
as vagas encalhando na areia
e no mar do Norte os bancos
imóveis à frente da sua esteira de espuma branca.
in A noite escura fez-se ao caminho
Do Natural, W. G. Sebald
Lisboa:
Quetzal, 2012.Vim Porque Me Pagavam, Golgona Anghel
Lisboa: Mariposa Azul, 2011.
sábado, 13 de abril de 2013
N.Y. anteontem
Incertas multidões em volta passam
contemporâneas falam interpretam
a duvidosa língua das imagens
O Teatro das Cidades, O Pianista (1984), Gastão Cruz.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.
Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
Desde a montanha, Tomas Tranströmer, 1962.
sábado, 6 de abril de 2013
A Woman (For L.B.)
Aegean sea, Pillion, Hiroshi Sugimoto, 1990.
Exciting not by excitement only; subtler:
'beautiful & unhappy''s not enough:
a woman engrossed
in delight or anguish or simply in passing
from point to point: stretched proudly
ready to twang or sing at pluck or stroke.
Northward: now her green eyes
are looking, looking for a door
to open in a wall where
there's no door, none unless she makes it:
an ice-wall to be broken by hand. Northward
in fact and in fact:
now her green eyes spend their sea-depth & glitter
remotely; she's gone, who stays so strangely.
And we--we look at each other:
'Where should this music be?'
Denise Levertov
quinta-feira, 28 de março de 2013
sobre a terra
Alberto Carneiro: Arte Vida / Vida Arte - Revelações de energias e movimentos da matéria
Fundação de Serralves, Porto 2013.
A tua primavera
E depois morrer
Primavera, Vinicius de Moraes.
quarta-feira, 27 de março de 2013
sobre o mar
Toyo Ito, Barcelona.
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d'amor
Henrique Lopes de Mendonça, 1890.
terça-feira, 26 de março de 2013
why the sea is boiling hot
só me faltavas tu para me faltar tudo,
as palavras e o silêncio, sobretudo este.
in palavras não,
ainda não é o fim nem o princípio do mundo. calma é apenas um pouco tarde (1974),
manuel antónio pina.
terça-feira, 19 de março de 2013
E à Arte o Mundo Cria
Thomas Steffl (*1970), Stills from »Naked Nation«, 2009, 3 channel video installation,
Pinakothek der Moderne, Munich.
Seguro Assento na coluna firme
Dos versos em que fico,
Nem temo o influxo inúmero futuro
Dos tempos e do olvido;
Que a mente, quando, fixa, em si contempla
Os reflexos do mundo,
Deles se plasma torna, e à arte o mundo
Cria, que não a mente.
Assim na placa o externo instante grava
Seu ser, durando nela.
Odes, Ricardo Reis.
segunda-feira, 18 de março de 2013
lobos são meu nome e minha sombra*
Deeparture (video), Mircea Cantor, 2005.
(...)
Os tempos estão muito enganados.
O país procurava as palavras. Sem saber
procurava um verso, soluçando uns
números, perdia-se, perdia a voz.
E então chegou o tempo dos poetas.
Diogo Vaz Pinto, "Lobos"
in Bastardo, Lisboa: Averno, 2012
* Paul Éluard
sábado, 9 de março de 2013
ab imo pectore
Cho Duck Hyun (Korea), A Memory of 20th Century, 1993-95.
O sonho que é, o mundo em fim pareça.
in Nunc est bibendum, Vicente Guedes.
quinta-feira, 7 de março de 2013
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
anatomia
new blind aesthetics, conrad shawcross.
este é o lugar onde junho lentamente se transforma numa chuva de saudade.
a cegueira infantil substitui
o anoitecer.
um dente, tardio, inesperado
na boca de sderot.
o que é meu eu reuno e destruo
como o calor
nas asas de um ventilador.
lâminas pequenas de pássaros
na carne azul espancada do horizonte.
o que é obrigado a mudar não muda;
alpendre eterno. a mãe traz de volta o seu olhar. perdido
até estas árvores, este jardim.
o que a luz calma corrói é consertado aqui
com pregos duros, as ruas
estão imóveis. é noite. eles estão mortos
como a erva, como todos
o espesso pico de crescimento
do verão.
"se soubesses a complexidade agonizante do ar que me permite
a viagem
e o seu retorno"
eu sei, mas
não tanto por paixão, nem
para a eternidade. mais por
ignorância, a ignorância
da incapacidade de perdoar.
mesmo agora
quando sob um céu queimado
todos os que eu amei ainda o são
um grande e forte vento que percorre as montanhas está preso nestes pulmões.
lentamente
eu
respiro.
Shimon Adaf
Prémio Shapir 2012
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
O sol é grande, caem co'a calma as aves
Katarzyna Kozyra, The Rite of Spring (1999-2002).
Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
também mudando-m'eu fiz doutras cores:
e tudo o mais renova, isto é sem cura!
Sá de Miranda
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Self-Portrait in a Convex Mirror
“Leave your change behind,
Leave your clothes, and go. It is time now.
It was time before too, but now it is really time.
You will never have enjoyed storms so much
As on these hot sticky evenings that are more like August
Than September. Stay. A fake wind wills you to go
And out there on the stormy river witness buses bound for Connecticut,
And tree-business, and all that we think about when we stop thinking.
The weather is perfect, the season unclear. Weep for your going
But also expect to meet me in the near future, when I shall disclose
New further adventures, and that you shall continue to think of me.”
in Thank You For Not Cooperating
John Ashbery (1983)
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
silêncio
da série I am de Manal Al Dowayan, 2009.
As nossas palavras estão mortas
Como a consciência dos tiranos
Eles nunca se banharam na
fonte da vida,
nunca conheceram as dores do
parto ou as feridas,
o milagre de caminhar sobre
pontas de lança.
Sonhamos com um mundo livre
de cadeias
Erguendo-se das nossas penas
paralisadas
Uma estação de rosas
vai florir nos nossos
corações que morrem
Sonhamos com um novo milagre
nascido das nossas penas
Quando um poeta corajoso tem
medo de morrer
O seu melhor poema é o silêncio!
Silêncio, Ghazi al-Gosaibi.
sábado, 20 de outubro de 2012
o escuro
mario pascual, sem título 2010, saatchi gallery.
Eu sou nós os dois.
Ou melhor, nós os dois somos nós os dois, eu sou o terceiro.
Sou eu quem está a falar de nós.
Em prosa, provavelmente: o escuro.
Nenhuma palavra e nenhuma lembrança.
Manuel António Pina, Assírio & Alvim, 1999.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
the blind spot
Christian Andersson - The Blind Spot, 2003/2006
spotlight, tripé, caixa de luz, plexiglass, pintura | 170 x 60 cm.
o fim é que está em nós.
O fim é que está abaixo da nossa pele,
se acumulando em espirais
por cada canto do nosso corpo.
Até que transborde...
João Paulo Cuenca
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
baggio
unidisplay, carsten nicolai 2012, hangarbicocca, milão.
de todas as luzes da estrada
a noite da lombardia é a mais brilhante.
m é o início das estações
daqui voltaremos a todos os lugares.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
domingo, 2 de setembro de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
el olvido que seremos
David Noonan’s untitled installation, 2008, Contemporary Art Museum St. Louis.
“Esse é um dos paradoxos mais tristes da minha vida:
quase tudo o que tenho escrito,
foi escrito para alguém que não me pode ler,
e mesmo este livro não passa de uma carta para uma sombra.”
quase tudo o que tenho escrito,
foi escrito para alguém que não me pode ler,
e mesmo este livro não passa de uma carta para uma sombra.”
Héctor Abad Faciolince
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
noite de agosto
passei aquela noite a olhar o céu, a ensaiar um adeus e esperei poder dormir todas as outras.
os astros não são os mesmos mas aquela noite regressa muitas vezes.
ainda ontem, ainda agora.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
beauty calibrator
max factor, 1932
measuring device which enabled Hollywood make-up artists
to pinpoint where facial corrections needed to be made.
a estética é a irmã mais nova da lógica
a beleza é o melhor conhecimento
que os sentidos podem experimentar
alexander gottlieb baumgarten
quinta-feira, 19 de julho de 2012
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