Stefanus Rademeyer. Point Line Field, 2010.
terça-feira, 30 de junho de 2015
quarta-feira, 24 de junho de 2015
II
Wind. Lauren Semivan. 2012
.
há apenas uma cortina de vento onde as palavras
nunca se moldaram
Maria Sousa, Mulher Ilustrada, Coimbra: «Do Lado Esquerdo», Janeiro de 2013.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Memória de Amor IV (Directas)
Não tínhamos nenhuma pressa.
A paixão defendia-nos do tempo.
Voltávamos, eternos, para casa.
António Barahona, Pássaro-Lyra
Lisboa: Averno, 2015.
segunda-feira, 8 de junho de 2015
É belo de mais para morrer*
Catarina Domingues, Preto no Branco #3.
O que é belo de mais para morrer, não morre. Sobre ele, ela, isso, a morte não tem poder. E quando chega, só lhe reforça o sentido e o fulgor. O que é belo de mais para morrer conhece a morte, e sabe que ela não pode atingi-lo. A beleza é um antídoto para a morte. Traz em si mesma o seu destino, que é a escolha da sua verdade.
João Barrento, Como um hiato na respiração - Diário do Dia Seguinte, Lisboa: Averno, 2015
*Maria Gabriela Llansol, Caderno 1.62, p.62.
domingo, 31 de maio de 2015
Fico Aguardando Telegramas
fico aguardando telegramas, os azuis
recados.
os poderes da manhã já pouco duram.
à superfície o som move na boca
um pouco sopro.
não julgues que me importam as roldanas
do tempo no teu corpo
são certos os abismos de cartão
e falsa a neve que nos cobre os passos.
de graça a terra nos dispõe na foto
e a idade inventa nomes que a dissipem
descobre-me impacientes os recados
o envelope da urgência o intervalo
António Franco Alexandre, in A pequena face, 1983.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Outra Coisa
Untitled, Mario Cesariny, 2004.
Apresentar-te aos deuses e deixar-te
entre sombra de pedra e golpe de asa
exaltar-te perder-te desconfiar-te
seguir-te de helicóptero até casa
dizer-te que te amo amo amo
que por ti passo raias e fronteiras
que não me chamo mário que me chamo
uma coisa que tens nas algibeiras
lançar a bomba onde vens no retrato
de dez anos de anjinho nacional
e nove de colégio terceiro acto
pôr-te na posição sexual
tirar-te todo o bem e todo o mal
esquecer-me de ti como do gato
in Poemas de Londres (1971), Mario Cesariny.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
A Memória é um Silêncio que Espera
Ana Hatherly, o mar que se quebra (1998).
Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian.
O património do silêncio. Os livros acumulam-se pela casa. Cobrem as paredes, enchem as prateleiras dos armários. Aguardam-nos calados com suas páginas apertadas onde o pó e a humidade se infiltram. Disciplinados, exibem apenas o seu dorso curvo coberto de pele, ou então magro, estreito, de papel. A memória é um silêncio que espera, uma provação da paciência.
Tisanas, Ana Hatherly
sábado, 2 de maio de 2015
esta espécie de coração
Ekaterina Panikanova
Ler, reflectir, relacionar conceitos, contemplar a obra, o outro e a nós mesmos... Os livros estão para nós como a cidade, as multidões e o mundo estão para o flâneur. Dão-nos novos fôlegos, entusiasmo, vida. Mas como defendemos que os livros sejam verdadeiramente livres, queremos partilhar com os outros "esta espécie de coração".
Manuel António Pina
sexta-feira, 17 de abril de 2015
terça-feira, 14 de abril de 2015
I carry your heart with me
Sarah Moon for Lanvin, Winter 2008. Issue #5.
I carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)
I carry your heart with me, e. e. cummings, 1952.
terça-feira, 7 de abril de 2015
Leitura
The Dead Tree Gives No Shelter, Betra Fraval.
Quando por fim as árvores
se tornam luminosas; e ardem
por dentro pressentindo;
folha a folha; as chamas
ávidas de frio:
nimbos e cúmulos coroam
a tarde, o horizonte,
com a sua auréola incandescente
de gás sobre os rebanhos.
Assim se movem
as nuvens comovidas
no anoitecer
dos grandes textos clássicos.
Perdem mais densidade;
ascendem na pálida aleluia
de que fulgor ainda?
e são agora
cumes de colinas rarefeitas
policopiando à pressa
a demora das outras
feita de peso e sombra.
Carlos de Oliveira, Pastoral, 1977.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
NÃO: Não quero nada.
Untitled, Ray Metzker, 1969.
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Lisbon Revisited, Álvaro de Campos, 1923.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
imagens
Aoi Yamaguchi
Ferida está a face dos livros pela luz.
O mundo é já sem rima.
Os versos sucedem-se sem ordem.
As ruínas são ameaçadas
pelo som de quem as devolve
somente como imagens
dentro de imagens.
depois da música, luis quintais, 2013.
domingo, 24 de agosto de 2014
procura
Domestic gathering, Blue Sky Days, Thomas van Houtryve.
deixar-te
igual às palavras que nos encontraram,
antes de nós.
tirar-te
apenas, a teu pedido, sempre que seja
noite, o medo do escuro.
sábado, 19 de julho de 2014
if i love you
Black Beauty, Lutz Bacher, Institute of Contemporary Art, London 2013.
if i love you
(thickness means
worlds inhabited by roamingly
stern bright faeries
if you love
me) distance is mind carefully
luminous with innumerable gnomes
Of complete dream
if we love each (shyly)
other, what clouds do or silently
flowers resembles beauty
less than our breathing
e.e. cummings
quarta-feira, 16 de julho de 2014
A thousand times good night!
1000 Times Good Night, Erik Poppe, 2013.
JULIET
Tomorrow I’ll send the messenger.
ROMEO
My soul depends on it
JULIET
A thousand times good night!
JULIET exits.
Romeo and Juliet, Act 2, Scene 2, William Shakespeare, 1597.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
El Desierto
Desert,Vija Celmins, 1975. Tate Collection.
He venido al desierto pa' reirme de tu amor
Que el desierto es más tierno y la espina besa mejor
He venido a este centro de la nada pa' gritar
Que tú nunca mereciste lo que tanto quise dar
He venido yo corriendo, olvidándome de ti
Dame un beso pajarillo, no te asustes colibrí
He venido encendida al desierto pa' quemar
Porque el alma prende fuego cuando deja de amar
El Desierto, la Llorona, Lhasa de Sela, 1997.
domingo, 13 de julho de 2014
Tercer Movimiento (affettuoso)
Persona, Ingmar Bergman, 1966.
Para hacer el amor
debe evitarse un sol muy fuerte sobre los ojos de la muchacha,
tampoco es buena la sombra si el lomo del amante se achicharra
para hacer el amor.
Los pastos húmedos son mejores que los pastos amarillos
pero la arena gruesa es mejor todavia.
Ni junto a las colinas porque el suelo es rocoso ni cerca de las aguas.
Poco reino es la cama para este buen amor.
Limpios los cuerpos han de ser como una gran pradera:
que ningún valle o monte quede oculto y los amantes podrán holgarse
en todos sus caminos.
en todos sus caminos.
La oscuridad no guarda el buen amor.
El cielo debe ser azul y amable, limpio y redondo como un techo
y entonces la muchacha no verá el Dedo de Dios. Los cuerpos discretos
pero nunca en reposo,
pero nunca en reposo,
los pulmones abiertos,
las frases cortas.
Es dificil hacer el amor pero se aprende.
Agua que no hay que beber, Antonio Cisneros, 1996.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Nós
Buzios, Brazil, Elliott Erwitt, 1990.
Nada procuro
senão o sítio
onde atrasar o poema
e aquela sombra sem culpa
de quem leva ao coração
toda a luz que a mão espalha.
Os Desconhecidos, José Carlos Soares
Lisboa: Averno, 2012.
terça-feira, 8 de julho de 2014
esquece, não é nada
Saudades, Mella Shaw, 2013.
vi-te hoje, devagar, e reparei
que o tempo passou
depressa.
estar velho, afinal, é assim. tinha acontecido
com tanta gente.
não me lembrava já que também haverias de envelhecer.
esperava-te imóvel
naquele dia em que nos despedimos
num passeio,
afastando, perfumados,
os nossos braços dos contentores do lixo.
trocando mensagens que tropeçavam no facto
de serem as últimas. afinal,
eram recados sobre qualquer coisa
veloz.
esqueci-me lentamente deles e também de ti. é estranho
como os dias podem ser diferentes. como as pessoas
podem ser igualmente pessoas. sem nunca terem sido
tão nada.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Domingo
‘Soldier playing with dead lizard’ Daniel Barroca, 2008. 8 channel installation.
Mesmo sendo Domingo o pior dia do mundo, já se sabe. Não será por acaso que a televisão passa comédias românticas. Deve certamente tratar-se de uma tentativa de nos pôr a chorar como desgraçados, ou a rir como patetas.
As gaivotas piavam longe. A atmosfera mais ou menos carregada de fim de Verão lá permitia que o som passasse pelos seus intervalos. E tudo parecia infinito daquela varanda.
Afinal, de súbito, o rapaz lembrou-se que tinha de aspirar a casa. As gaivotas calaram-se e o dia escondeu-se. A música parou. A doença da morte, de M. Duras, tinha vencido. A tristeza fez o favor de conduzir o automóvel.
A insustentável leveza do ser, Isabel Nogueira.
Lisboa, Artefacto, 2014.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
lanterna surda
I Died in a Good Mood, Sophie Calle, 2013.
Os ausentes sopram e a noite é densa. A noite tem a cor
das pálpebras do morto.
Toda a noite faço a noite. Toda a noite escrevo. Palavra
a palavra eu escrevo a noite.
Alejandra Pizarnik
versões de Maria Sousa, Coimbra, Do lado esquerdo, 2014.
domingo, 29 de junho de 2014
sementes
Domain XXXIV, Antony Gormley, 2003.
Este é o meu corpo. Esta é a minha mente.
Conhecem-se desde a infância e cumpriram pena juntos.
Do futuro nada sei. Apenas que vem aí.
Sementes, Segunda Voz, Vitor Nogueira, 2014.
sábado, 28 de junho de 2014
Silence
Zambezi River Sunrise 3, Carl Rittenhouse, 2011.
Today the river slinks like oil,
Hardly a current in its mud
As autumn leaves crawl on its face.
I left them in their blinding talk
To meet adopted path and sky,
And bend the grass for light and space.
Here I can hold the air with birds,
Still, solitary in their flight
Without men's calculated race.
Now only sun and water rule
Unchallenged over silent pain:
And the burst cry of a grey swan.
Lotte Kramer
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Lírios
Lilacs and champagne, Akila Fields, Portland 2014.
Um dia deixarei para sempre o casaco no cabide da entrada
outras mãos que não as minhas haverá para o recolher
outros olhos pelos meus lhe hão-de fitar depois a ausência.
Depois, nem isso.
Há um momento em que se estende a toalha sobre a mesa dos mortos
como se tivesse sido sempre a mesa dos vivos. Esse dia virá.
Tudo então estará certo e limpo como o esquecimento.
Ou quase assim.
Dispo agora toda esta roupa e escrevo
- sem frio nem perda nem desastre -
a partir desse dia que virá, esse dia depois de mim:
lírios crescem no acaso da relva
uma leve poeira se acrescenta no ar que não respiro.
Matéria, Rosa Maria Martelo, Averno 2014.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Remember
s/ título, Tal Shochat, 2007.
Lembro, em primeiro plano,
tua estatura de planta
e recomeço a esculpir-te
em miolo de pão, pétala a pétala.
Remember, Maçãs de espelho, António Barahona
Língua Morta, Lisboa 2012.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
pedro

100,000 $1 bills, Hans-Peter Feldmann, Guggenheim Museum NY, 2010.
A identidade é um equívoco
para camuflar o coração.
Identidade, in Duplo Império, Pedro Mexia, 1999.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Desmembramento de um semicírculo
Certo que nos dedicamos
a místicas peregrinações.
Exercitamos a respiração,
lutamos brigas orientais,
praticamos uma e sete vezes
a tradução do poema chileno.
Mas no fundo sabemos
que o que importa mesmo
é roçar a superfície negra
da pele do peito do anjo
que está vivo
que não dorme.
Matilde Campilho
segunda-feira, 16 de junho de 2014
E por vezes
Fog at sea, Fabio Keiner.
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.
E por vezes, Matura Idade
David Mourão Ferreira, 1973.
domingo, 1 de junho de 2014
istanbul
Carmen Kass & Audrey Marnay, Hussein Chalayan, NY,1998.
Ao partir, ficam-me coisas por acabar,
ao partir.
Salvei a gazela da mão do caçador
mas continuou desmaiada, sem recuperar os sentidos.
Colhi a laranja do ramo,
Mas não consegui tirar-lhe a casca.
Reuni-me com as estrelas,
mas não as consegui contar.
Tirei a água do poço
mas não pude servi-la nos copos.
Coloquei as rosas na bandeja,
mas não pude esculpir as taças de pedra.
Não saciei os meus amores.
Ao partir, ficam-me coisas por acabar,
ao partir.
Nazim Hikmet, 1959.
terça-feira, 27 de maio de 2014
Era a Memória Ardente a Inclinar-se
PdM, M 2014.
Era a memória ardente a inclinar-se
à giesta do tempo por frescura
mas o que em seu espelho se figura
vê que está só e a mesma dor foi dar-se
noite e dia e silente de amargura
uma saudade em febre o viu queimar-se
até vir por um "sim" a consolar-se
e do perdão mudo hino lhe assegura
levando imagens e sinais de vez
O olhar liberto penetrou no assento
do alto luto onde da palidez
dos invernos se erguia outro rebento
de cálices que embalam as sementes
dando ao nome louvado descendentes.
Walter Benjamin, in "Sonetos"
Tradução de Vasco Graça Moura
sexta-feira, 23 de maio de 2014
(quase) em casa, amor
Home, Miler Lagos, New York, 2011.
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Amor como em casa, Manuel António Pina
quarta-feira, 7 de maio de 2014
The burial of the dead
Gary Hill, Withershins, ICA, Philadelphia.
April is the cruellest month, breeding
Lilacs out of the dead land, mixing
Memory and desire, stirring
Dull roots with spring rain.
Winter kept us warm, covering
Earth in forgetful snow, feeding
A little life with dried tubers.
Summer surprised us, coming over the Starnbergersee
With a shower of rain; we stopped in the colonnade,
And went on in sunlight, into the Hofgarten,
And drank coffee, and talked for an hour.
Bin gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.
And when we were children, staying at the archduke’s,
My cousin’s, he took me out on a sled,
And I was frightened. He said, Marie,
Marie, hold on tight. And down we went.
In the mountains, there you feel free.
I read, much of the night, and go south in the winter.
The Waste Land, T. S. Elliot, 1922.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
che questo romanzo abbia inizio
La grande bellezza, Paolo Sorrentino, 2013.
Voyager, c’est bien utile, ça fait travailler l’imagination. Tout le reste n’est que déception et fatigues. Notre voyage à nous est entièrement imaginaire. Voilà sa force.
Il va de la vie à la mort. Hommes, bêtes, villes et choses, tout est imaginé. C’est un roman, rien qu’une histoire fictive. Littré le dit, qui ne se trompe jamais.
Et puis d’abord tout le monde peut en faire autant. Il suffit de fermer les yeux.
C’est de l’autre côté de la vie.
Voyage au bout de la nuit, Louis-Ferdinand Céline, 1932.
domingo, 20 de abril de 2014
la société est illisible
Liu Bolin, Camouflage, 2008
Il y a désormais, réellement,
des gens dont la condition est invisible
Pierre Rosanvallon
quinta-feira, 17 de abril de 2014
On the Beach
On the Beach, Stanley Kramer, 1959.
On the Beach, Museum of Contemporary Art of San Diego, 2014.
'Cause the world is turnin',
I don't want to
see it turn away.
On the Beach, Neil Young, 1974.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Cava
Brian Dettmer, 2005.
Livros que suportam tudo, até a estante.
O gozo da poesia como uma faca
afiando os dedos.
Uma mão que segura pelas pontas
a possibilidade de alguns gestos.
Folhas que num tempo adiantado
impõem silêncio e outra vez
a vénia, a veia, a cova.
Cava, Marta Chaves
Telhados de Vidro nº18, Lisboa, Averno 2013.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Trapped
Lyonel Feininger, 1940-1950.
don't undress my love
you might find a mannequin:
don't undress the mannequin
you might find
my love.
she's long ago
forgotten me.
she's trying on a new
hat
and looks more the
coquette
than ever.
she is a
child
and a mannequin
and death.
I can't hate
that.
she didn't do
anything
unusual.
I only wanted her
to.
Charles Bukowski
terça-feira, 11 de março de 2014
Come rain or come shine
Robert Heinecken. Are You Rea #1. 1964–68
No fundo, é isto: espera-se.
No fundo, é isto: espera-se.
Escrevemos incuravelmente
a história dessa espera, mas
nunca se chega ao fim da rua
mais escura do passado,
nem se despe por completo o luto,
sempre outros os mortos, sempre igual a si
a morte.
Inês Dias, Em caso de tempestade este jardim será encerrado,
Lisboa: Tea For One, 2011.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
sábado, 22 de fevereiro de 2014
The Grail
Swimming Pool, Leandro Erlich.
Here are your waters and your watering place.
Drink and be whole again beyond confusion.
Directive, Robert Frost.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
um monte de terra
Erdhüegel. Lois Weinberger, 1994-2010.
um dia, abandonei um livro num banco do jardim botânico.
ninguém o leu.
hoje, pousei um lenço num monte de terra.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
exercício espiritual
Public Lighting (76’, Beta SP) de Mike Hoolboom
É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem
É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer
Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora
Mário Cesariny de Vasconcelos
manual de prestidigitação
assírio e alvim, 1981.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Quotidiano
Vija Celmins. “Night Sky #10,” 1994-1995.
Nunca foi tão depressa noite neste bairro
Poema Quotidiano
Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Passado
Reflets , Gao Xingjian (2011).
Vibra o passado em tudo o que palpita
qual dança em coração de bailarino
ao regressar já mudo o violino
e há nuvens sobre o bosque em que transita
Os Sonetos de Walter Benjamin
trad. Vasco Graça Moura, Porto: Campo das Letras, 1999.
domingo, 5 de janeiro de 2014
Atormenta-me a certeza calma e clara
Henrik Olesen. Imitation/Enigma (2). 2008.
Morrer é uma corda tensa de silêncios
um hálito frio nos lábios dos amantes
Ofício Imperfeito, Paulo Ramalho
A Mar Arte, 1997.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Cavaliere
Still Fly, Angelica Marin.
I would like to be remembered for the volcano
The Volcano Lover, Susan Sontag 1992.
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