domingo, 4 de dezembro de 2022

Eija-Liisa Ahtila, Horizontal - Vaakasuora, 2011

Por onde quer que tenha começado,
pelo corpo ou pelo sentido,
ficou tudo por fazer, o feito e o não feito,
como num sono agitado interrompido.

O teu nome tinha alturas inacessíveis
e lugares mal iluminados onde
se escondiam animais tímidos que só à noite se mostravam
e deveria talvez ter começado por aí.

Agora é tarde, do que podia
ter sido restam ruínas;
sobre elas construirei a minha igreja
como quem, ao fim do dia, volta a uma casa.


Manuel António Pina, Ruínas, Todas as palavras - poesia reunida, Assírio & Alvim, 2012

domingo, 2 de janeiro de 2022

The Greenhouse, Christina Kubisch, 2017. Museu de Serralves, Out 2021-Abr 2022.


(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas!

e. e. cummings