um mundo imaginado
diario de bordo de uma viagem pelo matrix
segunda-feira, 29 de julho de 2024
quarta-feira, 16 de agosto de 2023
Sarah Sze, River of Images 2023.
Installation view, Sarah Sze: Timelapse, Solomon R. Guggenheim Museum, New York, 2023. © Sarah Sze. Photo: David Heald © Solomon R. Guggenheim Foundation, New York.
"o tamanho deste vento é um triângulo na água
o tamanho da ave é um rio demorado"
Grafia I, Fiama Hasse Pais Brandão.
quinta-feira, 10 de agosto de 2023
domingo, 4 de dezembro de 2022

Eija-Liisa Ahtila, Horizontal - Vaakasuora, 2011
Por onde quer que tenha começado,
pelo corpo ou pelo sentido,
ficou tudo por fazer, o feito e o não feito,
como num sono agitado interrompido.
O teu nome tinha alturas inacessíveis
e lugares mal iluminados onde
se escondiam animais tímidos que só à noite se mostravam
e deveria talvez ter começado por aí.
Agora é tarde, do que podia
ter sido restam ruínas;
sobre elas construirei a minha igreja
como quem, ao fim do dia, volta a uma casa.
Manuel António Pina, Ruínas, Todas as palavras - poesia reunida, Assírio & Alvim, 2012
domingo, 2 de janeiro de 2022
sexta-feira, 26 de novembro de 2021
sábado, 27 de março de 2021
segunda-feira, 1 de março de 2021
domingo, 17 de janeiro de 2021
sexta-feira, 5 de junho de 2020
O mistério está todo na infância
Lost Line, Gabriel Orozco, 1993–1996.
Qual de nós dois é a sombra do outro?
Mesmo se piedade alguma conservar os mapas
desceremos quase a seguir
desmedidos e vazios
como o tronco de uma árvore
A noite abre meus olhos, José Tolentino Mendonça, 2014.
quarta-feira, 27 de maio de 2020
quarta-feira, 4 de março de 2020
Julie Mehretu, Epigraph, Damascus, 2016.
Dans le monde des petites choses
Le bon feu ne coûte rien
Il brûle il réchauffe
L’amour vaut tout l’or du monde
Allume une étincelle au coin de ton œil
Et traverse le désert vide d’humains
Comme si la vie fleurissait
À toutes portes et fenêtres
Pour connaître les règles
Du monde impersonnel
Dont la violence écrase
Ta frêle présence
N’attends pas que la flamme
S’éteigne en toi.
Là où il fait si clair en moi, Tanella Boni, 2017.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2020
sexta-feira, 21 de junho de 2019
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
sexta-feira, 9 de março de 2018
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Eternidade
Srdce, Dominik Mareš.
Vens a mim
pequeno como um deus,
frágil como a terra,
morto como o amor,
falso como a luz,
e eu recebo-te
para a invenção da minha grandeza,
para rodeio da minha esperança
e pálpebras de astros nus.
Nasceste agora mesmo. Vem comigo.
Jorge de Sena, Perseguição, 1942.
sábado, 11 de fevereiro de 2017
a morte
Salt Bride, Sigalit Landau, 2014.
A morte é uma flor que só abre uma vez.
Mas quando abre, nada se abre com ela.
Abre sempre que quer, e fora da estação.
E vem, grande mariposa, adornando caules ondulantes.
Deixa-me ser o caule forte da sua alegria.
A Morte, Paul Celan
in A Morte É Uma Flor. Poemas do Espólio; trad. João Barrento, ed. Cotovia, 1998.
terça-feira, 18 de outubro de 2016
Retrato de Mulher - século XIX
Little black dress, Cathy Daley, 2012.
A voz sufocada no vestido. Os seus olhos seguem
o gladiador. Então, ela mesma aparece , altiva,
na arena. Será livre? Uma moldura dourada
segura o retrato, no cavalete.
Tomas Tranströmer
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
de olhos fechados e lâmpadas nos dedos e na boca
Nostalgia de la luz, Patricio Guzmán, 2010.
Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas no próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca
Faz-se Luz, Pena Capital
Mário Cesariny, 1957.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Pra que o dia fosse enorme
Catherine Jeltes, 2016.
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
Pequeno poema, Sebastião da Gama
quarta-feira, 22 de junho de 2016
the boredom, and the horror, and the glory
Mona Hatoum, Performance Still 1985, 1995.
T.S. Eliot
quarta-feira, 15 de junho de 2016
terça-feira, 26 de abril de 2016
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
por não estarem mais distraídos
Rodney Smith, Blurry woman with hands clasped, Galena, Illinois 1997.
"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
Por não estarem mais distraídos, conto, Clarice Lispector.
domingo, 18 de outubro de 2015
cd
Carla Diakov, Abril 2015.
queria sondar o excêntrico intocável através do sangue da fulaninha
queria procriar e queria trucidar com a pressa do passo
lembra?
andávamos
sem a nós nos encontrar
ai meu amor que não chega
ai a melancolia no fundo do prato, anjo
aquieta essa boca
amanhã alguém morre no samba
Carla Diakov
Amanhã Alguém Morre no Samba, Douda Correria, 2015.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
cantar
Herberto Helder. Paris, 1958.
Lourdes Castro. Todos os livros,
Curadoria: Paulo Pires do Vale.
Museu Gulbenkian 2015.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
exílio
'Blackbird' (Celaeno), Michael Davidson, 2013.
Um dia de primavera no fim do mundo.
No fim do mundo, de novo o dia passa.
O melro chora, como se fossem as suas lágrimas
Que molham os ramos cimeiros das árvores.
Chuva Na Primavera E Outros Poemas, Li Shang-Yin
Assírio & Alvim, 2001.
terça-feira, 14 de julho de 2015
devagar, ausente
Tentas, de longe, dizer que estás aqui.
Com peso triste caminha na rua o Outono.
O meu coração debruça-se à janela
a ver pessoas e carros, e as folhas caíndo.
Mastigo esta solidão
como quando era pequeno e jantava
diante dos pais zangados:
devagar, ausente.
Fernando Assis Pacheco
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Ítaca
Ítaca, oil and acrylic on canvas, 50x60 cm, Katsutomi Horiki, 2001-2006.
Quando abalares, de ida para Ítaca,
Faz votos por que seja longa a viagem,
Cheia de aventuras, cheia de experiências.
E quanto aos Lestrigões, quanto aos Ciclopes,
O irado Poséidon, não os temas,
Disso não verás nunca no caminho,
Se o teu pensar guardares alto, e uma nobre
Emoção tocar tua mente e corpo.
E nem os Lestrigões, nem os Ciclopes,
Nem o fero Poséidon hás‑de ver,
Se dentro d'alma não os transportares,
Se não tos puser a alma à tua frente.
Faz votos por que seja longa a viagem.
As manhãs de verão que sejam muitas
Em que o prazer te invada e a alegria
Ao entrares em portos nunca vistos;
Hás‑de parar nas lojas dos fenícios
Para mercar os mais belos artigos:
Ébano, corais, âmbar, madrepérolas,
E sensuais perfumes de todas as sortes,
E quanto houver de aromas deleitosos;
Vai a muitas cidades do Egipto
Aprender e aprender com os doutores.
Ítaca guarda sempre em tua mente.
Hás‑de lá chegar, é o teu destino.
Mas a viagem, não a apresses nunca.
Melhor será que muitos anos dure
E que já velho aportes à tua ilha
Rico do que ganhaste no caminho
Não esperando de Ítaca riquezas.
Ítaca te deu essa bela viagem.
Sem ela não te punhas a caminho.
Não tem, porém, mais nada que te dar.
E se a fores achar pobre, não te enganou.
Tão sábio te tornaste, tão experiente,
Que percebes enfim que significam Ítacas.
Konstantínos Kaváfis
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Ítaca
Marcella Tambuscio
Quando as luzes da noite se reflectirem imóveis nas águas verdes de Brindisi
Deixarás o cais confuso onde se agitam palavras passos remos e guindastes
A alegria estará em ti acesa como um fruto
Irás à proa entre os negrumes da noite
Sem nenhum vento sem nenhuma brisa só um sussurrar de búzio no silêncio
Mas pelo súbito balanço pressentirás os cabos
Quando o barco rolar na escuridão fechada
Estarás perdida no interior da noite no respirar do mar
Porque esta é a vigília de um segundo nascimento
O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem como as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto
Sophia de Mello Breyner Andresen
in Geografia, 1967.
terça-feira, 30 de junho de 2015
quarta-feira, 24 de junho de 2015
II
Wind. Lauren Semivan. 2012
.
há apenas uma cortina de vento onde as palavras
nunca se moldaram
Maria Sousa, Mulher Ilustrada, Coimbra: «Do Lado Esquerdo», Janeiro de 2013.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Memória de Amor IV (Directas)
Não tínhamos nenhuma pressa.
A paixão defendia-nos do tempo.
Voltávamos, eternos, para casa.
António Barahona, Pássaro-Lyra
Lisboa: Averno, 2015.
segunda-feira, 8 de junho de 2015
É belo de mais para morrer*
Catarina Domingues, Preto no Branco #3.
O que é belo de mais para morrer, não morre. Sobre ele, ela, isso, a morte não tem poder. E quando chega, só lhe reforça o sentido e o fulgor. O que é belo de mais para morrer conhece a morte, e sabe que ela não pode atingi-lo. A beleza é um antídoto para a morte. Traz em si mesma o seu destino, que é a escolha da sua verdade.
João Barrento, Como um hiato na respiração - Diário do Dia Seguinte, Lisboa: Averno, 2015
*Maria Gabriela Llansol, Caderno 1.62, p.62.
domingo, 31 de maio de 2015
Fico Aguardando Telegramas
fico aguardando telegramas, os azuis
recados.
os poderes da manhã já pouco duram.
à superfície o som move na boca
um pouco sopro.
não julgues que me importam as roldanas
do tempo no teu corpo
são certos os abismos de cartão
e falsa a neve que nos cobre os passos.
de graça a terra nos dispõe na foto
e a idade inventa nomes que a dissipem
descobre-me impacientes os recados
o envelope da urgência o intervalo
António Franco Alexandre, in A pequena face, 1983.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Outra Coisa
Untitled, Mario Cesariny, 2004.
Apresentar-te aos deuses e deixar-te
entre sombra de pedra e golpe de asa
exaltar-te perder-te desconfiar-te
seguir-te de helicóptero até casa
dizer-te que te amo amo amo
que por ti passo raias e fronteiras
que não me chamo mário que me chamo
uma coisa que tens nas algibeiras
lançar a bomba onde vens no retrato
de dez anos de anjinho nacional
e nove de colégio terceiro acto
pôr-te na posição sexual
tirar-te todo o bem e todo o mal
esquecer-me de ti como do gato
in Poemas de Londres (1971), Mario Cesariny.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
A Memória é um Silêncio que Espera
Ana Hatherly, o mar que se quebra (1998).
Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian.
O património do silêncio. Os livros acumulam-se pela casa. Cobrem as paredes, enchem as prateleiras dos armários. Aguardam-nos calados com suas páginas apertadas onde o pó e a humidade se infiltram. Disciplinados, exibem apenas o seu dorso curvo coberto de pele, ou então magro, estreito, de papel. A memória é um silêncio que espera, uma provação da paciência.
Tisanas, Ana Hatherly
sábado, 2 de maio de 2015
esta espécie de coração
Ekaterina Panikanova
Ler, reflectir, relacionar conceitos, contemplar a obra, o outro e a nós mesmos... Os livros estão para nós como a cidade, as multidões e o mundo estão para o flâneur. Dão-nos novos fôlegos, entusiasmo, vida. Mas como defendemos que os livros sejam verdadeiramente livres, queremos partilhar com os outros "esta espécie de coração".
Manuel António Pina
sexta-feira, 17 de abril de 2015
terça-feira, 14 de abril de 2015
I carry your heart with me
Sarah Moon for Lanvin, Winter 2008. Issue #5.
I carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)
I carry your heart with me, e. e. cummings, 1952.
terça-feira, 7 de abril de 2015
Leitura
The Dead Tree Gives No Shelter, Betra Fraval.
Quando por fim as árvores
se tornam luminosas; e ardem
por dentro pressentindo;
folha a folha; as chamas
ávidas de frio:
nimbos e cúmulos coroam
a tarde, o horizonte,
com a sua auréola incandescente
de gás sobre os rebanhos.
Assim se movem
as nuvens comovidas
no anoitecer
dos grandes textos clássicos.
Perdem mais densidade;
ascendem na pálida aleluia
de que fulgor ainda?
e são agora
cumes de colinas rarefeitas
policopiando à pressa
a demora das outras
feita de peso e sombra.
Carlos de Oliveira, Pastoral, 1977.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
NÃO: Não quero nada.
Untitled, Ray Metzker, 1969.
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Lisbon Revisited, Álvaro de Campos, 1923.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
imagens
Aoi Yamaguchi
Ferida está a face dos livros pela luz.
O mundo é já sem rima.
Os versos sucedem-se sem ordem.
As ruínas são ameaçadas
pelo som de quem as devolve
somente como imagens
dentro de imagens.
depois da música, luis quintais, 2013.
domingo, 24 de agosto de 2014
procura
Domestic gathering, Blue Sky Days, Thomas van Houtryve.
deixar-te
igual às palavras que nos encontraram,
antes de nós.
tirar-te
apenas, a teu pedido, sempre que seja
noite, o medo do escuro.
sábado, 19 de julho de 2014
if i love you
Black Beauty, Lutz Bacher, Institute of Contemporary Art, London 2013.
if i love you
(thickness means
worlds inhabited by roamingly
stern bright faeries
if you love
me) distance is mind carefully
luminous with innumerable gnomes
Of complete dream
if we love each (shyly)
other, what clouds do or silently
flowers resembles beauty
less than our breathing
e.e. cummings
quarta-feira, 16 de julho de 2014
A thousand times good night!
1000 Times Good Night, Erik Poppe, 2013.
JULIET
Tomorrow I’ll send the messenger.
ROMEO
My soul depends on it
JULIET
A thousand times good night!
JULIET exits.
Romeo and Juliet, Act 2, Scene 2, William Shakespeare, 1597.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
El Desierto
Desert,Vija Celmins, 1975. Tate Collection.
He venido al desierto pa' reirme de tu amor
Que el desierto es más tierno y la espina besa mejor
He venido a este centro de la nada pa' gritar
Que tú nunca mereciste lo que tanto quise dar
He venido yo corriendo, olvidándome de ti
Dame un beso pajarillo, no te asustes colibrí
He venido encendida al desierto pa' quemar
Porque el alma prende fuego cuando deja de amar
El Desierto, la Llorona, Lhasa de Sela, 1997.
domingo, 13 de julho de 2014
Tercer Movimiento (affettuoso)
Persona, Ingmar Bergman, 1966.
Para hacer el amor
debe evitarse un sol muy fuerte sobre los ojos de la muchacha,
tampoco es buena la sombra si el lomo del amante se achicharra
para hacer el amor.
Los pastos húmedos son mejores que los pastos amarillos
pero la arena gruesa es mejor todavia.
Ni junto a las colinas porque el suelo es rocoso ni cerca de las aguas.
Poco reino es la cama para este buen amor.
Limpios los cuerpos han de ser como una gran pradera:
que ningún valle o monte quede oculto y los amantes podrán holgarse
en todos sus caminos.
en todos sus caminos.
La oscuridad no guarda el buen amor.
El cielo debe ser azul y amable, limpio y redondo como un techo
y entonces la muchacha no verá el Dedo de Dios. Los cuerpos discretos
pero nunca en reposo,
pero nunca en reposo,
los pulmones abiertos,
las frases cortas.
Es dificil hacer el amor pero se aprende.
Agua que no hay que beber, Antonio Cisneros, 1996.
Subscrever:
Mensagens (Atom)











































