quarta-feira, 31 de maio de 2017

Eternidade

Srdce, Dominik Mareš.

Vens a mim 
pequeno como um deus, 
frágil como a terra, 
morto como o amor, 
falso como a luz, 
e eu recebo-te 
para a invenção da minha grandeza, 
para rodeio da minha esperança 
e pálpebras de astros nus. 

Nasceste agora mesmo. Vem comigo. 

Jorge de Sena, Perseguição, 1942.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

a morte

Salt Bride, Sigalit Landau, 2014.

A morte é uma flor que só abre uma vez.
Mas quando abre, nada se abre com ela.
Abre sempre que quer, e fora da estação.

E vem, grande mariposa, adornando caules ondulantes.
Deixa-me ser o caule forte da sua alegria.

A Morte, Paul Celan
in A Morte É Uma Flor. Poemas do Espólio; trad. João Barrento, ed. Cotovia, 1998.