Agora é só a chuva que abençoa o caminho
e na água agitada uma luz redentora quase nos guia.
Será curta a distância até ao fulgor.
Do forno onde se prepara a comida elevam-se
densas nuvens,
tudo pouco diferente da vida de sempre:
uma diferença no gesto que coloca os pratos para a ceia
uma luz na fenda da parede
entreaberta para terras de paz.
Fogo de cidra a orlar os campos.
Assim veremos os rostos dos ausentes
as iniciais dos nomes arrasados pelos lapíli
nenhuma dor senão o movimento das mãos
a afastar o fumo
e noite após noite: uma fissura.
---------------------------------------------------------
Ora è solo pioggia che benedice la strada
e nell'acqua che trema quasi una luce redenta da seguire.
Sarà una piccola distanza dal fulgore.
Dal forno dove il cibo si innalza
alle nuvole brune
tutto appena diverso dalla vita di sempre:
uno scarto nel gesto che depone i piatti per la sera
una luce nella crepa del muro
schiusa verso terre di pace.
Fuoco di cedro lungo i bordi del campo.
Così vedremo i volti degli assenti
le iniziali dei nomi travolte dai lapilli
nessun dolore ma il moto delle mani
che allontanano il fumo
e notte tra la notte: una fessura.
______________________________________________________________________
Antonella Anedda, de Notti di pace occidentale, Donzelli, Roma, 1999.
Tradução de Ana Teixeira (recebida por e-mail),
baseada no original e na versão em castelhano de Emílio Coco.
e na água agitada uma luz redentora quase nos guia.
Será curta a distância até ao fulgor.
Do forno onde se prepara a comida elevam-se
densas nuvens,
tudo pouco diferente da vida de sempre:
uma diferença no gesto que coloca os pratos para a ceia
uma luz na fenda da parede
entreaberta para terras de paz.
Fogo de cidra a orlar os campos.
Assim veremos os rostos dos ausentes
as iniciais dos nomes arrasados pelos lapíli
nenhuma dor senão o movimento das mãos
a afastar o fumo
e noite após noite: uma fissura.
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Ora è solo pioggia che benedice la strada
e nell'acqua che trema quasi una luce redenta da seguire.
Sarà una piccola distanza dal fulgore.
Dal forno dove il cibo si innalza
alle nuvole brune
tutto appena diverso dalla vita di sempre:
uno scarto nel gesto che depone i piatti per la sera
una luce nella crepa del muro
schiusa verso terre di pace.
Fuoco di cedro lungo i bordi del campo.
Così vedremo i volti degli assenti
le iniziali dei nomi travolte dai lapilli
nessun dolore ma il moto delle mani
che allontanano il fumo
e notte tra la notte: una fessura.
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Antonella Anedda, de Notti di pace occidentale, Donzelli, Roma, 1999.
Tradução de Ana Teixeira (recebida por e-mail),
baseada no original e na versão em castelhano de Emílio Coco.
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