quarta-feira, 3 de agosto de 2005

noite taurina












enquanto tento reunir notas para a redacção do livro de um outro mundo imaginado, polux retorce-se no sofá. cita vila-matas* que cita "o doce clima de lesbos" de elena villena:

este relato obriga a sua autora a aceitar a regra da tauromaquia, que, como se sabe, persegue um objectivo essencial: além de a obrigar a pôr-se seriamente em perigo, a não se desfazer de qualquer modo do seu adversário (o seu êxito dependerá de um bom domínio da técnica), a regra impede que o combate seja uma simples carnificina; tão exigente como a de um ritual, oferece um aspecto táctico (preparar o leitor para receber uma estocada mortal, embora sem o fatigar mais que o necessário durante o combate) e um aspecto estético, também contido muito especialmente no termo da lide: fechar o livro será para o leitor como fechar a lousa que cobrirá a sua tumba.

- não polux, a este livro não se pode aplicar a regra. é outra coisa.
ele franze o sobrolho ao ler-me os lábios.
- cansa-me essa tua mania de pensares o tempo todo em escrever coisas diferentes. escreve igual aos outros, à tua maneira, e arruma de vez esse livro.

* a assassina ilustrada, enrique vila-matas
campo das letras, 2005.

Sem comentários: