terça-feira, 8 de julho de 2014

esquece, não é nada

Saudades, Mella Shaw, 2013.

vi-te hoje, devagar, e reparei 
que o tempo passou 
depressa.
estar velho, afinal, é assim. tinha acontecido
 com tanta gente.
não me lembrava já que também haverias de envelhecer.
esperava-te imóvel 
naquele dia em que nos despedimos
num passeio, 
afastando, perfumados, 
os nossos braços dos contentores do lixo. 
trocando mensagens que tropeçavam no facto 
de serem as últimas. afinal, 
eram recados sobre qualquer coisa 
veloz.
esqueci-me lentamente deles e também de ti. é estranho 
como os dias podem ser diferentes. como as pessoas 
podem ser igualmente pessoas. sem nunca terem sido 
tão nada.

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