o luis fez-me pensar outra vez no blog. voltei. afinal, depois de cometer censura sobre escritos mais intimistas, sinto que pertenço a este espaço. visitei alguns blogs aconselhados e confirmei isso mesmo.
habituei-me ao conforto de uma familia com muita gente sentada à mesa. três gerações de volta da panela de Goethe. o conforto vinha da invisibilidade que sentia, dos silencios e palavras consentidas, do palco para estorias empolgantes ou dos retiros de dias inteiros gozados entre musicas e leituras que hoje diria shamanicas.
depois de passar tantos anos sem mais problemas de pertença, tentei convencer a mafalda da orginalidade do desalinhamento. natural, sem encenação.
na insegurança de quem guarda certezas absolutas aprendi com ela a reconhecer que afinal tenho procurado pertencer do mesmo modo. quando me indigno com a mais banal das noticias do canto de um qualquer jornal. quando ligo a televisão e sinto que nao pertenço ao que vejo. depois, de repente a comoção de ouvir o Andreas Scholl e achar que há um mundo a que pertenço pelo brilho, pela magia, pela fuga das banalidades.
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