terça-feira, 19 de agosto de 2003

espreito o pateo da rua da sofia

ainda sinto a tua mão,
ainda te adivinho os reflexos e as sombras,
ainda escuto as palavras que ficaram no pateo da rua da sofia
a mais bonita
pelas pessoas
pela pressa
pelos olhares que levavam chita
e talheres e cobertores
enxovais para as moças namoradeiras

e o teu olhar parado no pateo
alheio ao buliço e às horas

tenho o teu sorriso em kodachrome
e não acredito que tenha existido

e em cada dia compreendo mais uma palavra
da casa, do rio, do jardim, da praia
e tambem do pateo
apesar de serem poucas
disseste-as?

do mais fugaz olhar,
do mais distraido carinho
bebo agora o que preciso para continuar.

mais um verão que volta
mais um ano cheio de dias teus.

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