terça-feira, 28 de outubro de 2003

um corpo tem as palavras exactas e não se diz












para as palavras do carlos alberto machado
com o corpo de arila siegert

'Uma vontade de chorar quando o corpo se excede.
A morada torna-se habitável.
Perto do júbilo.

A chuva desagrega a cidade.
É preciso olhar de novo.
Passado o engano, abrigo-me no escuro.

Ao guardião, no seu elemento, entrego as palavras.
Todas as palavras.
Próximas do limite.
Falamos sobre limites.
Sobre elementos.
Sobre repetições.
Amanhã, o guardião cumprirá, renovando, o seu elemento.
Partirei em busca de outras águas.

E a eterna dúvida será a nossa comum perturbação.
E agora, na noite, pode esboçar-se o risco infinito da morte.
À superfície das águas.
Um corpo tem as palavras exactas.
E não se diz.

Fundo.
Uma lágrima abre fundo um sulco.
Por vezes invisí­vel.
Por vezes descoberto tarde de mais.'

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